Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Editorial

“Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular , ou de interesse coletivo ou geral (…)” Art. 5o, XXXIII, Constituição Brasileira de 1988.

Editorial

No mês de maio Campinas recebeu vários gestores do Ministério da Saúde. No dia 20, a convite da Comissão Organizadora da IX Conferência Municipal de Saúde, estiveram presentes nas mesas de debates Mônica Sampaio de Carvalho, coordenadora de Contratualização Inter federativa do Ministério da Saúde, e Hêider Aurélio Pinto, coordenador do Departamento de Atenção Básica (DAB) da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS).

No dia 23, à convite do prof. Gastão Wagner de Sousa Campos, esteve presente na UNICAMP, Helvécio Miranda Magalhães Jr., Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, para um Seminário da disciplina de Políticas Públicas do Mestrado de Saúde Coletiva.

A Carta os entrevistou entre o término das mesas e a corrida para o aeroporto.

Vamos nos permitir uma breve síntese do que ouvimos e o que pudemos depreender das respostas que vocês irão ler nas entrevistas e tirar suas próprias conclusões.

Segundo nossos interlocutores existe hoje um grande esforço do Ministro para  reafirmar o SUS como “A” política pública de saúde para todos os cidadãos e cidadãs e isso implica em foco político e financiamento.  A grande diretriz ou estratégia de qualificação da política de saúde do Ministério é investir no acesso dos cidadãos aos serviços, tendo como porta de entrada no sistema a Atenção Básica.

No nível federativo, segundo Mônica “(…)  o Ministro Padilha tem buscado encontrar saídas e trazer o acesso como  tema central nessa discussão. É acesso com qualidade, em tempo oportuno para todos os cidadãos. E na prática buscando dispositivos e alternativas de como, efetivamente, isso se concretiza, para que esses usuários possam cada vez mais ter satisfação nos Serviços de Saúde”.

A grande preocupação das equipes do Ministério parece ser a de trabalhar, em todos os níveis, com modelos e diretrizes centrados nos usuários. O planejamento nacional cria eixos comuns   para os  três Entes, fomentando a estruturação das Regiões de Saúde com uma nova ênfase nas Redes Estaduais.

Helvécio propõe em relação às redes regionais “transparência aos usuários sobre estas redes e a melhor forma de utilizá-las nas suas demandas. É uma opção que a gente fez de ter territórios bem definidos, com necessidades, com demandas claramente mapeadas. É o que tem hoje de oferta, descrever o que é necessário com base em parâmetros e aí priorizar alguns temas que a gente chama de Redes Temáticas, podemos também chamar de Linhas do Cuidado temáticas.”

Segundo Hêider, “a Presidenta está convencida de que nós só vamos consolidar o Sistema Único de Saúde se ampliarmos o acesso para toda a população, que um sistema de qualidade começa pela Atenção Básica”, nos informa que  está prometido  um investimento considerável para a Atenção Básica.

Em relação à etapa diagnóstica e definição de políticas, sugerimos a leitura da Política Nacional de Atenção Básica (“Carta da Saúde”, “Edição Dezesseis”). Foram lançados nesta portaria os critérios para os municípios se adequarem ao Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica. Em que condições o nosso município se encontra neste momento para discutir coletivamente estas propostas e acolher os novos recursos e aquele apoio que o SUS Campinas merece ter, já que boa parte das propostas federais já são uma preocupação do nosso município?

Algumas  delas, por exemplo, a organização dos serviços e dos processos de trabalho considerando as diversas linhas do cuidados: já contamos com diferentes retaguardas para a organização das linhas, dada a complexidade de ofertas e equipamentos já instalados. A rede básica como porta de entrada na lógica usuário centrada: temos várias experiências em curso, como as de matriciamento dos clínicos por algumas especialidades, via web, para  qualificar a discussão, acompanhamento e resolução dos casos nas próprias unidades diminuindo a necessidade de encaminhamentos desnecessários e humanizando o atendimento. Proposta bem sucedida, mas que necessita de equipamentos para ser ampliada. Temos vários tipos de arranjos para o acolhimento dos usuários que poderiam ser melhor executados se tivéssemos um quadro de profissionais suficiente (como podem ser apreciados em recente vídeo produzido pelo núcleo de comunicação, e que são referência para vários municípios e discussões profissionais (CLIQUE AQUI E confira o vídeo “Acolhimento”)

Estamos concluindo as discussões para abordagem das doenças não transmissíveis, discussão bastante recente nas redes de saúde de todo o país (CLIQUE AQUI PARA consultar doc: Ações Estratégicas Para O Enfrentamento Das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil).

No final do ano teremos um Seminário de Vigilância à Saúde  com ênfase na Epidemiológica para discussão desse novo perfil epidemiológico da nossa população e das demandas que as unidades recebem para pensar em novas alternativas de abordagem. Já desenvolvemos em várias unidades ações anti-tabagistas, controle da obesidade infantil em parceria com as escolas, práticas de saúde integrativa, temos uma academia montada, (Academia CR) que precisa de recursos para ser plenamente utilizada. Estamos realizando um processo de Educação Permanente para todos os nossos gestores conduzido por profissionais do nosso próprio quadro técnico, que ao longo dos anos acumulou experiência teórico/prática e competência institucional/organizacional para assumir a responsabilidade.

Temos rumo e temos experiências bem sucedidas. Temos tecnologias e saberes acumulados na prática. Nos falta, entretanto, no momento, maior autonomia estratégica e financeira, necessárias para operar adequadamente a gestão do SUS Campinas à altura dos desafios que se apresentam e da capacidade já acumulada para tanto. Mais do que nunca, está colocada a necessidade do protagonismo dos gestores, trabalhadores e usuários organizados nos conselhos e nos movimentos sociais, em favor de fortalecer a Secretaria de Saúde e o Conselho Municipal de Saúde como definidores das prioridades do que é relevante para o Município e a Secretaria de Saúde como a gestora das verbas públicas orçada e dimensionada para o SUS.

Temos boas chances de avançar no SUS Campinas em relação a nossos arranjos organizacionais e  a uma prestação de serviços humanizada e de amplo acesso à população como todos sonhamos, considerando o que  sabemos, o que podemos e o ouvimos dos gestores federais.

Boa Leitura!

Nesta Edição:

. Editorial

. Artigo

. Carta no Ar: SUS Campinas ganha novo programa semanal de rádio

. Equipe do Centro de Saúde Joaquim Egídio se mobiliza para conhecer a situação das mulheres de sua área de cobertura em relação à violência doméstica

. Luciana: “Eles (os jovens) querem saber sobre o que não é mostrado ou não é falado, e quando é, quase nunca é feito adequadamente”

. Emerson Merhy: “Nós estamos vivendo todo esse processo de 20 anos de um esforço gigantesco de construção do SUS em condições desfavoráveis, tendo a Lei 8080 mutilada e tendo a Lei de Responsabilidade Fiscal que favorece a privatização”

. Mônica Sampaio: “É importante, também como desafio para o SUS olhar também para essas responsabilidades sanitárias entre os entes federativos na perspectiva de construir um modelo focado nas necessidades de saúde dos usuários”

. Hêider, coordenador da Atenção Básica no MS: “É mais um momento para Campinas dar um dos saltos que caracterizam a sua história”

. Pedro Tourinho: “Os conselhos são uma proposta de aprofundamento e de consolidação de uma modalidade de democracia que é participativa”

. Tida: “A grande preocupação é trabalhar a questão do racismo institucional que é um grande entrave para a efetivação da Política Integral da Saúde da População Negra”

. População em situação de rua em Campinas: Reivindicação por Humanização no atendimento em Prontos-Socorros, PAs e Centros de Saúde

. Helvécio Miranda: “O Ministério da Saúde estará presente em cada discussão e encaminhamentos da montagem das redes regionais, respeitando a autonomia dos dois outros entes federados”

. Documento

. Agenda

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Para ver o conteúdo de edições anteriores da “Carta da Saúde” <CLIQUE AQUI>

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4 thoughts on “Editorial

  1. Mírian De Crescenzo on said:

    PESSOAL ,

    ADOREI !!! DEMAIS…..
    PARABÉNS!!!
    E OBRIGADA POR COMPARTILHAR ” BOAS NOTÍCIAS ” EM MOMENTOS TÃO ÁRDUO !!!

  2. Maria Rodrigues Naves. on said:

    À equipe da Carta da Saúde,muito bom esta ediçao, a Carta tem nos dado este sentido de um projeto comum, de união; a diversidade de temas, o valor do cuidado desde uma unidade de saude até as açoes atraves da macropolitica.Muito bom! Parabens e obrigada por nos proporcionarem isto. Maria. CRR-Sousas.

    • Maria, quem proporciona isto são justamente as pessoas que fazem o SUS Campinas. E nós estamos falando de um SUS muito especial. Sem as equipes, sem seus projetos, produções, investimentos, sem essas pessoas este “material” jornalístico não existiria.
      Grande abraço!

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