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Equipe do CS Joaquim Egídio se mobiliza para conhecer a situação das mulheres de sua área de cobertura em relação à violência doméstica

Equipe do CS Joaquim Egídio se mobiliza para conhecer a situação das mulheres de sua área de cobertura em relação à violência doméstica

No mês de março, em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher, o Centro de Saúde Joaquim  Egídio iniciou um trabalho de consulta e  diagnóstico em relação à violência contra as mulheres que são de sua área de cobertura. O Trabalho é desenvolvido em caráter experimental e o projeto surge de demandas detectadas em ações de vivência com a população.

Confira na entrevista com André Cunha Ribeiro, coordenador, o trabalho desenvolvido pela Equipe SUS do Centro de Saúde Joaquim Egídio, em especial com as moradoras da área rural do Distrito.

Carta da Saúde – Conte-nos sobre o trabalho desenvolvido com a população da área rural do distrito de Joaquim Egídio. Como chegaram a esta proposta de detecção de violência doméstica entre as usuárias?

André Cunha Ribeiro: Esta proposta de trabalho veio de um coletivo. Essa ideia surgiu no Santa Maria, local que frequentamos todas as terças-feiras para levar ofertas na área de saúde. O Centro Comunitário Multifuncional de Santa Maria, está localizado em  numa fazenda de mesmo nome, distante 10 km do centro de Joaquim Egídio. O espaço que utilizamos é municipal, construído com dinheiro do Orçamento Participativo em 2002, que contou com a participação da Associação de Moradores do Santa Maria, que é uma entidade jurídica e que foi importante na conquista do espaço.  A região da  Fazenda Santa Maria é uma referência importante para nós porque ela é uma das regiões mais  densamente povoadas da nossa área rural. O trabalho da equipe do Centro de Saúde no território acontecia muito antes da construção do prédio atual, e utilizávamos espaços cedidos pela comunidade e uma antiga escola rural que foi desativada. Este trabalho na região acontece há aproximadamente 15 anos e foi iniciado por um grupo de funcionários, entre eles, a Márcia Cristina Ramos, Maria Helena Cavallaro Martins, Magali Aparecida Leopoldino Reolon. O distanciamento geográfico e a própria dinâmica do trabalho rural propicia muito o isolamento dos sujeitos, o trabalho com esta comunidade começou com ofertas de educação em saúde e espaços de convivência para cidadãos, na sua maioria mulheres que nos intervalos entre as épocas de colheita sofriam de muita ociosidade o que desencadeava muitos casos  de depressão e violência familiar de todos os tipos.

Destas ações de vivência e de convivência outras ações começaram ser incorporadas como levar a assistência médica e de enfermagem ao local. Durante muito tempo contávamos com um médico generalista que prestava assistência médica, porém estamos há muito tempo sem este profissional, e para não deixar a população desassistida fizemos  um recontrato  com a equipe e resolvemos  que a pediatra e a ginecologista iriam uma vez por mês para a realização de consultas de rotina, coleta de papanicolau, educação em saúde, vacinas e prevenção, o que facilita a vida das pessoas que moram lá e evitam um deslocamento de 10km para procedimentos de rotina. Estamos tentando o tempo todo melhorar a oferta de serviços para a população de nosso território. Há cerca de três meses recebemos uma doação de dois teares por parte da “ Casa dos Sonhos”  com quem temos uma excelente parceria. A coordenadora, Gal de Sordi, nos propôs a participação de uma funcionária para nos ensinar as técnicas de tear e outras ofertas de artesanato. Esta funcionária é a Beth, Terapeuta Ocupacional da rede que passou a ir conosco todas as terças-feiras para compor com seus saberes. Houve uma grande melhora no fluxo de usuários ao local e uma melhora significativa da qualidade das ofertas no grupo de vivencia.

Carta – Como surgiu a proposta desta forma de consulta às mulheres?

André: Quando a gente conversou sobre propostas para a Saúde da Mulher, a equipe trouxe essa idéia. “Vamos fazer um questionário sobre este tipo de violência? Vamos. Como vamos fazer?”. Sabemos que a Mulher é alvo de violência doméstica e de forma geral. Fizemos contato com o  Ceamo, a proposta foi bem acolhida no grupo, as pessoas acharam a ideia muito boa, discutiu-se mais em reunião de equipe e todos acharam muito interessante, pois sabemos que isso acontece, mesmo  não sendo escancarada como em uma área totalmente urbanizada, de alta densidade demográfica, mas sabemos que está presente. Precisávamos tentar qualificar e quantificar o problema. A Equipe acolheu prontamente a proposta de fazer uma coisa diferente que não confrontasse o perfil educacional da população. Optamos por um questionário sucinto e anônimo sobre violência que seria depositado em urnas no centro de saúde.

Carta – E como chegaram na colocação da urna propriamente dita?

André: São duas urnas. Uma fica no corredor de acesso ao consultório de GO, e outra urna dentro do banheiro das mulheres. Uma das coisas em que pensamos foi: “O questionário é anônimo mas a população se conhece bem portanto precisamos garantir privacidade. Providenciamos materiais de comunicação como cartazes sobre violência, informações sobre órgãos e instituições que cuidam  desta questão etc. E estimulando a procurar a Saúde porque nós temos know-how pra isso. Acredito que estimulamos a contar o que elas estão vivendo e a notificar a violência e pra conhecermos melhor a realidade das pessoas com que estamos trabalhando. O primeiro passo foi falar com pessoas que lidam com este trabalho. Por isso ligamos para o Ceamo  pedindo orientação e conversamos a respeito do que gostaríamos de  fazer. Estamos tentando  agregar conhecimentos aqui para estas situações que a população descreve. Temos que pensar que é um assunto extremamente complicado e se você não souber abordar e achar que sabe, acaba é perdendo a paciente. Não é um assunto simples precisamos buscar capacitação para lidar com o problema, para ter melhor capacidade de argumentação ao fazer esta abordagem. Com não tínhamos muito tempo, pedimos material informativo e essa abordagem não envolveu só o acolhimento geral, mas também foi direcionado, para o caso das mulheres que chegam à procura de um determinado tipo de exame. De toda forma estamos dizendo sobre os cuidados em geral com a saúde e sempre falando do questionário e lembrando que ele é anônimo, que a urna é discreta. E quando a mulher vem para o exame, neste momento dos exames a equipe fala da questão da violência. Toda mulher será abordada, por exemplo, sobre o auto-exame dos seios para prevenção do câncer de mama, mas também nesta conversa vai sendo falado sobre a realização do questionário e de forma que ela sinta-se a vontade em  responder ou não. A iniciativa despertou muita curiosidade por parte das usuárias de forma geral,  nossa  intenção é, com isso, aprender a trabalhar melhor esse problema e acolher melhor a população.

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