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Luciana: “Eles (os jovens) querem saber sobre o que não é mostrado ou não é falado, e quando é, quase nunca é feito adequadamente”

Luciana: “Eles (os jovens) querem saber sobre o que não é  mostrado ou não é falado, e quando é, quase nunca é feito adequadamente”

Numa tarde de sexta-feira a reportagem da Carta foi até o Centro de Saúde Boa Vista registrar um encontro entre a equipe de saúde e os adolescentes ligados a uma ONG, Ação Forte, da região.

Quem nos recebeu foi a Luciana Oliveira dos Santos, Agente Comunitária de Saúde (ACS) que participa deste Acolhimento com olhar especial para as questões da juventude e da adolescência.

Os adolescentes são convidados a conhecer o Serviço, com explicações sobre o papel e o funcionamento de cada espaço do Centro de Saúde. Também são convidados a participar das reuniões do Conselho Local de Saúde e debater com a equipe problemas como a mobilização das comunidades para prevenção à dengue.

Eles perguntam, olham, riem e aceitam o convite para uma avaliação bucal. Na sequência, confira a integra da entrevista realizada com a Luciana para nos explicar essa abordagem.

Carta da Saúde – Você pode nos explicar como é este trabalho com adolescentes que o Centro de Saúde Boa Vista está desenvolvendo?

Luciana Oliveira dos Santos: É bem assim como você viu. Eles são convidados a passar um período dentro do Centro de Saúde. É como se fizessem uma visita e a equipe fala da realidade do Serviço, da sua cesta de ofertas e da importância do Controle Social. Tudo isso começou com um trabalho mais focado na prevenção das DST/Aids. Então organizamos o acolhimento a estes adolescentes por conta, do número de atendimentos demandados. Anteriormente a gente já vinha trabalhando com alguns adolescentes realizando as palestras focadas na prevenção e diagnóstico das doenças sexualmente transmissíveis. Mais adiante passamos a trabalhar melhor esta população no que diz respeito aos fatores de vulnerabilidade que eles apresentavam. Então, conforme a gente foi mostrando, eles foram levantando essas demandas dentro do Serviço e as pessoas responsáveis, por cada área, cada parte do Serviço, avaliaram que seria melhor que trabalhássemos isso tudo num contexto de vulnerabilidades. Nas exposições eles se colocam todo o tempo. Eles estão numa fase de aumentar o conhecimento, sobre tudo. E eles querem saber sobre o que não é mostrado ou não é falado, e quando é, quase nunca é feito adequadamente, e isso é fundamental para quem quer experimentar tudo.

Carta – Mas aqui vocês fizeram com um grupo de usuários que já tem ligação com outras instituições?

Luciana: Esse grupo, especificamente, ele é ligado a uma ONG, que se chama Ação Forte, que fica dentro do bairro Parque Via Norte, na área de cobertura do CS Boa Vista. Lá eles trabalham a formação profissional dos jovens e a ONG percebeu a vulnerabilidade na parte social e de saúde desses adolescentes. A organização fez um contrato com o CS para realizarmos essas oficinas específicas para orientação, falamos sobre tudo, desde o uso de álcool, saída para balada, até de cuidados com a saúde bucal, a mobilização de combate à dengue, que é um problema grave também no nosso município.

Carta – Vocês utilizam o conceito de Redução de Danos para usuários de drogas lícitas ou não?

Luciana: Isso. Ninguém está impedindo ninguém de fazer nada. E a nossa intenção é que, através da comunicação, eles saibam e possam fazer suas escolhas para se cuidar. Manter a auto estima elevada e não adoecer. Se ele vai beber, que ele saiba beber até um ponto que ele não se coloque em risco. E se ele não quer beber, ele não deve deixar que ninguém o obrigue ou induza a isso. Que ele saiba do seu corpo. Que ele saiba também que alguém pode, em algum momento da vida, usar o corpo dele e ele pode nem estar se dando conta disso, mas que um dia ele pode perceber e precisa ser protagonista, precisa ter pleno acesso à cidadania para poder fazer melhor as escolhas.

Carta – O que você tem percebido quando os vê aqui?

Luciana: Olha, o fato de eles nos reconhecerem como amigos, colegas e não repressores é muito importante, é uma conquista. Porque eles, em geral, já chegam nos vendo na idade de pais. E quase sempre vão achar que a gente quer mandar neles. Isso muda quando eles percebem que a gente é, na verdade, parceiro deles e passam nos tratar como tal e entender como nós trabalhamos. O vínculo sempre é fortalecido com isso. Melhora até o vínculo com as famílias posteriormente.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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