Carta da Saúde

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Programa de Aids e Rede tecem Colcha de Retalhos

 Programa de Aids lança vídeo “Colcha de Retalhos

Em 2010, o Programa Municipal de DST/Aids de Campinas e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+ Núcleo Campinas) promoveram, no dia 1° de Dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, um evento alusivo à data na Praça Rui Barbosa (Convívio), com ampla participação popular.

Neste dia foi aberta a Colcha de Retalhos produzida pelo Projeto Nomes, pensado pela RNP+ e pelo Programa de DST/Aids, e executado com Parceiros e Centros de Saúde (CSs) do Município, em oficinas que celebraram a vida e promoveram inclusão, convívio e sentimentos múltiplos.

Foram momentos únicos, embalados pela solidariedade e pelos princípios do SUS e para que não ficassem somente na memória dos que estavam presentes, a RNP+ registrou em vídeo que foi apresentado pela primeira vez à toda população no dia 26 de abril de 2011, às 19 hs, no Espaço de Convivência do Centro de Referência em DST/Aids de Campinas, nua Regente Feijó, 637, Centro (PARA ASSISTIR AO VÍDEO, CLIQUE AQUI).

Toda a Rede SUS Campinas foi convidada a participar e partilhar estas emoções. O vídeo está disponível no Centro de Referência em DST/Aids, onde é material de trabalho, como explica Cláudia Barros, coordenadora do Programa. “Fomos fazer uma oferta do que temos no Programa de Aids à Rede. Não fomos apresentar uma demanda a eles, fomos oferecer matriciamento, oferecer parceria”, disse. Confira entrevista:

Carta da Saúde – O vídeo que agora está disponível para Parceiros do Centro de Referência em DST/Aids, mostra a participação de outros serviços na construção de uma Colcha de Retalhos. Quais são esses serviços?

Claudia Barros Bernardi: O Centro de Saúde do DIC I participou ativamente. Escolheram um local, um Centro de Convivência, chamaram parceiros do CS, o CRAS daquela região, desenvolvendo a intersetorialidade e realizaram as oficinas. O Centro Corsini também participou, foi muito parceiro, realizou várias oficinas e também estiveram no Centro de Referência para costurar a Colcha. O Centro de Saúde Campo Belo, que já é nosso parceiro, realizou oficinas ótimas com jovens de seu território. O CS Campo Belo havia mudado para um prédio novo e nós utilizamos ainda o imóvel antigo para fazer as oficinas. O CS Itatinga fez atividade durante uma tarde inteira e isso também está no vídeo. O CS Santa Lúcia também participou e realizou oficina. Toda a Rede foi convidada a participar. Estes Centros de Saúde se destacaram porque abraçaram o projeto conosco. A proposta inicial foi da RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids), que viabilizou o material para realizarmos o projeto, através do convênio que mantinha com a SMS. Duas Casas de Apoio estiveram conosco. Quando os usuários do serviço vinham aqui para fazer alguma outra coisa, eles eram convidados a participar das oficinas. Esse movimento todo mexeu com todo mundo. Trabalhamos com adolescentes e com os grafiteiros que deram o start às frases e desenhos que compõem a colcha.

Carta – O Centro de Saúde do Jardim Nova América está desenvolvendo um trabalho bem interessante com o comércio local na prevenção da Aids…

Cláudia: Ah, sim. No ano de 2010 nós fomos novamente a todos os Distritos de Saúde de Campinas. Fomos fazer uma oferta à rede do que temos no Programa de Aids. Não fomos apresentar uma demanda a eles, fomos oferecer matriciamento, oferecer parceria, e cada Distrito identificou as áreas que tinham mais necessidade e que tinham desejo de fazer este trabalho. Então, por exemplo: do mesmo jeito que entramos no Nova América, o Centro de Saúde da Vila Padre Anchieta está multiplicando agora, o que o pessoal chama de máquina de preservativos, que é na verdade um dispenser de preservativos que são deixados em locais estratégicos, de fluxo de pessoas. Nós tivemos duas linhas de trabalho com estes dispensers. Por um lado a RNP+ que foi aos bares do Centro, por exemplo, aos lugares em que eles têm conhecimento como Movimento Social, e por outro lado nós do Programa de Aids fomos aos Distritos e captamos, por exemplo, que o Centro de Saúde Nova América tinha  o desejo e uma necessidade porque havia identificado em seu território uma vulnerabilidade específica e propôs fazer parte do Projeto.

Fizemos ações com a equipe do CS, realizamos o matriciamento e o Centro de Saúde Nova América fez o contato com supermercados, bares, enfim, com o comércio local de sua área de abrangência. Fomos lá para a instalação dos dispensers, planejamos o trabalho junto com a equipe do Centro de Saúde. Nós hoje mantemos conversa para acompanhar o projeto, monitoramos. Eles periodicamente nos abastecem de informações sobre o andamento deste trabalho. Da mesma forma que a RNP+ nos dá este retorno, mantém conosco esta comunicação. E agora o Centro de Saúde da Vila Padre Anchieta está dando início ao seu projeto também. O Centro de Saúde faz contato com sua comunidade, são eles que conhecem o território em que atuam. E nós sabemos que não é somente deixar o dispenser lá no Centro de Saúde. Estamos fazendo juntos. Nesta assessoria que nós damos ao Centro de Saúde surgem muitas outras questões. Trabalhamos o Aconselhamento, que as pessoas acabam procurando.  Ao mesmo tempo, em outra região da cidade, temos uma equipe neste momento junto com o Centro de Saúde de Souzas e uma organização não-governamental da região, já trabalhando outro projeto. Tudo o que temos recebido de demanda da cidade, temos procurado não fazer sozinhos, sempre envolver as equipes de saúde do território. Além disso, desde as oficinas de nosso Plano de Ação e Metas (PAM) retomamos o trabalho com o Distrito Sudoeste junto aos Centros de Convivência, para onde estamos levando as nossas “bandeiras” junto com eles. Tem sido fundamental o trabalho em parceria com os Distritos, não só na identificação das áreas de vulnerabilidade em seus territórios.

Carta – Pelo resultado do vídeo podemos constatar que é possível trabalhar em Rede, é isso?

Cláudia: Exatamente. Vai ver o resultado de um resgate, e isso pode ser sentido principalmente na fala da Solange (Morais) que é gestora da RNP+. Mas eu digo isso, não só como coordenadora de um serviço, de um Programa, mas como uma pessoa que vive uma militância que já tem quinze anos, que é o tempo que trabalho com a Aids. Foi um resgate de sentimentos. O Primeiro de Dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids acabou sendo marcado por ações de prevenção junto à população em geral e optamos por resgatar outra história, a da solidariedade. Temos sentido, e isso não é só em Campinas, sobre isso conversamos também com outros Programas de Aids de outras cidades e estados, uma certa banalização da epidemia de Aids. Então quisemos resgatar o olhar sobre esta questão. A fala da Solange é muito bonita. Ela fala como alguém que vive e viveu diferentes momentos da resposta à esta epidemia.  Uma lutadora. E ela aparece ali representando seus outros colegas de RNP+. O que este vídeo tem é isso. São histórias de vida, lembradas, sentidas e comemoradas. E sentimos que a Rede SUS Campinas chegou mais perto de nós. Quando a Rede, principalmente a Atenção Básica, que sempre trabalha conosco a prevenção, se aproxima dos serviços onde as pessoas que vivem com HIV/Aids fazem tratamento, que recebem a assistência, como o Centro de Referência ou o Centro Corsini, e conhecem as histórias de vida das pessoas que viveram outras épocas, elas agregam ao discurso da prevenção o discurso da qualidade de vida. Entendemos que as pessoas que vivem com HIV precisam ter uma atenção especializada, sim. Isto está provado em trabalhos publicados e pesquisas. O que a gente discute é que para além disso, a pessoa que vive com HIV/aids é uma pessoa comum como qualquer outra que continua levando a vida em seu bairro e tem direito ao uso dos demais serviços, que vai envelhecer, que como outros pode ser vulnerável a outros agravos de saúde e que não deve ter a sua vida reduzida a um gueto. Ela pode frequentar o Centro de Saúde do seu bairro, e isso não significa nos desresponsabilizar do tratamento. Significa que essas pessoas e suas famílias, têm o direito de acessar os Grupos de Hipertensos, por exemplo, os Grupos de Convívio dos Centros de Saúde. Este projeto da colcha também permitiu que o Centro Corsini se tornasse melhor conhecido pela Rede, já que eles acompanham pessoas com AIDS e nossa Rede conhece pouco aquele serviço. Para estas ações nós convidamos os quatro Serviços da cidade que acompanham pessoas com HIV para tratamento. As universidades, Pucc e Unicamp, tiveram mais dificuldade de participar. Mas o DIC I foi conhecer o Corsini. Não foi apenas a costura de uma Colcha de Retalhos, mas entender porque que tem que existir um Centro de Referência, porque tem que existir um serviço de assistência especializada e porque apesar disso a Rede SUS toda é importante para o sucesso das ações de assistência e prevenção.

Carta – Você poderia nos contar mais sobre essa “banalização” da epidemia de aids?

Cláudia: A epidemia não acabou. Ela está aí, nos últimos quatro anos estável, o que está longe de ser um ganho, desejamos sempre melhora. As pessoas com Aids continuam brigando para viver. A diferença  é que no começo da epidemia não haviam medicações eficientes. Hoje existem e estão disponíveis, mas já houve alguns desabastecimentos e preocupações, além dos muitos efeitos colaterais das medicações e do preconceito. Nós temos que continuar vigilantes da política pública, do espaço de protagonismo, brigando pela integralidade e pela qualidade. Temos que brigar para que a Academia funcione nos mostrando caminhos para novas tecnologias de prevenção e tratamento, brigar por uma série de questões que podem estar invisíveis num contexto que não é tranquilo. Pode parecer que está tudo resolvido, que é só dar camisinha e remédio e pronto. Em alguns momentos as pessoas que estavam chegando para este trabalho nos questionavam: O que isso tem a ver comigo? E a costura da colcha, nos lugares, transformou. Nos dias anteriores ao Primeiro de Dezembro nós realizamos a campanha “Fique Sabendo” com  o CTA Itinerante nos Distritos, o que nos possibilitou dar uma mostra de tudo o que é envolvido, as questões éticas e morais. E as equipes envolvidas foram conosco à Praça no dia Primeiro de Dezembro. Conosco eles abriram a Colcha de Retalhos. Acreditamos que este é um vídeo educativo, um vídeo de trabalho, um vídeo sobre o trabalho. Usaremos para trabalhar com as equipes, para as salas de espera. A mensagem é de vida e não de morte. Depois de ser montada na Praça, ela está aqui, no Centro de Referência para voltar às ruas. Quando um Centro de Saúde solicitar nós vamos colocá-la em exposição para o seu Conselho Local, para os seus usuários, a gente leva o vídeo e pode levar a colcha ao local. O Centro Corsini fez um evento e abriu a colcha lá, levou inclusive ao Espaço Cultural CPFL, onde é gravado o programa Café Filosófico, da TV Cultura. Ela foi vista por pessoas da sociedade que são colaboradores do Corsini, houve repercussão na mídia, com a cobertura, por exemplo, da TV Bandeirantes, onde a Dra Sílvia Belucci explicou como a Colcha foi construída. A Colcha é a prova material de que é possível trabalhar em Rede.

CLIQUE AQUI E CONFIRA ESTE VÍDEO

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