Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Controle da tuberculose

TB um grande desafio: Conheça o esforço e a dedicação dos trabalhadores do SUS para cuidar dos pacientes e monitorar a doença no município.

A “Carta”, neste mês de março, em que mundialmente chamou-se a atenção para a Luta Contra a Tuberculose, entrevistou Maria Alice, Luciene e Brigina, buscando divulgar os esforços do município para o controle da doença.

Divulga três casos de sucesso no tratamento, em que nossos profissionais narram seus esforços para cuidar de pacientes vivendo em condições de grande vulnerabilidade individual e social.

A “Carta” traz ainda as estratégias de trabalho propostas pela COVISA, VISAS, Programa de Aids e Núcleo de Comunicação para o ano de 2011 e por fim divulga o último Boletim Epidemiológico da Tuberculose de Campinas que recebeu recentemente um prêmio do CVE do Estado de São Paulo.

Carta da Saúde – Maria Alice, a Secretaria da Saúde está intensificando as ações para controle da Tuberculose no município? Você pode nos situar com relação a este agravo de saúde em Campinas?

Maria Alice Sato: A tuberculose continua sendo um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Em Campinas apesar de termos diminuído a incidência dessa doença, ou seja, o número de casos novos vem caindo ano a ano, há necessidade de incrementarmos a investigação dos casos suspeitos para alcançarmos um melhor resultado. Por isso, as unidades de saúde são incentivadas a buscar formas de investigar e acompanhar os casos, atingindo assim resultados satisfatórios para o controle da tuberculose.

Há indicadores importantes a serem monitorados como as pessoas que tossem há mais de três semanas (sintomático respiratório), a cura, o abandono e o tratamento diretamente observado (as tomadas dos medicamentos são diretamente observadas). As Unidades de Saúde são monitoradas periodicamente para averiguarmos as coberturas atingidas, discutindo-se também as dificuldades encontradas no acompanhamento dos pacientes.

No primeiro trimestre de 2010 pudemos observar uma diminuição do abandono, um aumento de pacientes em tratamento diretamente observado e a melhora de outros indicadores que contribuem para o controle da tuberculose no município. Temos ainda grandes desafios como, por exemplo, o tratamento e acompanhamento de pessoas sem residência fixa.

Carta – Quanto tempo demora para tratar a tuberculose?

Maria Alice: O tratamento é feito em seis meses e quando a pessoa toma os antibióticos corretamente há cura. Quando a pessoa abandona o tratamento, principalmente se isto ocorrer mais de uma vez, existe a possibilidade do bacilo da tuberculose ficar resistente aos medicamentos. Nestes casos o tratamento pode demorar mais tempo, e se não for feito de maneira adequada, haverá a transmissão de um bacilo resistente.

Carta – Quais ações foram desenvolvidas na Praça Rui Barbosa, no dia 24 de março?

Maria Alice: Foi realizada uma abordagem das pessoas que passarem pela praça, orientando sobre os sintomas da tuberculose e os locais onde o exame e tratamentos são realizados, e distribuídos material educativo. Também houveram ações no terminal de ônibus Campo Grande.

O maior objetivo deste trabalho é dar visibilidade para uma doença que ainda existe e tem cura, informando a população quem deve procurar o serviço de saúde, qual exame deve fazer, como é realizado o tratamento e a importância de completar o mesmo.

Carta – Como que a Rede SUS Campinas pode participar deste conjunto de ações e qual o impacto esperado?

Maria Alice: Os Serviços de Saúde podem participar divulgando as informações sobre tuberculose, realizando a busca ativa de sintomáticos respiratórios, buscando parcerias de outras instituições na sua área de abrangência, não somente neste dia, mas durante todo o ano.

O impacto esperado é uma maior informação e esclarecimento da população sobre tuberculose, contribuindo assim na diminuição da transmissão da mesma através do diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Entrevistas realizadas na Praça Ruy Barbosa, durante os trabalhos do “Dia mundial de Combate à Tuberculose”:

Carta – Qual foi a estratégia definida pela Secretaria da Saúde, com a adoção de uma meta de baciloscopias para cada Serviço?

Brigina Kemp (Vigilância Epidemiológica): É o que a gente chama de busca pelos sintomáticos respiratórios. Tem uma meta de setenta por cento de uma faixa da população que deve ser pesquisada sobre tuberculose. Então todas as pessoas que chegam aos Serviços de Saúde com relato de tosse há mais de três semanas eu devo considerá-la como um caso de sintomático-respiratório e colher o exame de escarro para fazer a baciloscopia e saber se isso é devido à tuberculose ou não. É um exame barato, simples e o melhor método para diagnóstico de casos de tuberculose pulmonar, forma que mantem a transmissão da doença. Nós temos um monitoramento realizado como rotina pela Rede SUS Campinas para acompanhar esta ação de busca de sintomáticos respiratórios.

A respeito deste indicador, eu quero deixar claro que estima-se um por cento da população seja de sintomáticos respiratórios. Destes, devo examinar pelo menos setenta por cento deles com exame de BK.

Carta da Saúde – Hoje, 24 de março de 2011, a Rede SUS Campinas está sendo premiada em sua atuação de luta contra a tuberculose. Você poderia me explicar que premiação é esta?

Luciene Medeiros (Centro de Referência em DSTs e Aids): O CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica, órgão da Secretaria Estadual da Saúde), todos os anos, no Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose, que é hoje, 24 de março, realiza um Fórum na Capital e lá são premiados os serviços de saúde com destaque no Estado de São Paulo. O objetivo principal é melhorar os indicadores de cura, principalmente a diminuição do abandono dos tratamentos. Neste ano foi inaugurada uma nova modalidade de premiação que é a do Boletim Epidemiológico. Nós elaboramos o Boletim Epidemiológico com os dados do município, enviamos ao CVE e ganhamos o prêmio. Estamos muito felizes porque é a segunda vez que Campinas ganha um prêmio neste fórum. A primeira foi há uns dois anos, quando o Laboratório Municipal ganhou o prêmio por ter superado a meta na realização de exames de escarro. O Boletim Epidemiológico é super importante porque é também uma forma de divulgar o que a gente vem fazendo. Então é bom para nós enquanto município, é importante para o Estado, que sabe como estão os dados em Campinas. Através do Boletim é dada uma devolutiva para a Rede sobre o trabalho que está sendo feito por todos. A tuberculose é uma doença que para ser enfrentada precisa de uma Rede de Apoio. Se não a gente não consegue atingir as metas do programa, que são curar o paciente e quebrar a cadeia de transmissão da doença.

Experiências de tratamento da tuberculose

Nossos trabalhadores demonstram aqui, o quanto de compromisso ético com a vida individual e coletiva, persistência e determinação são necessárias para “curar o paciente e quebrar a cadeia de transmissão da doença”. Observamos também a necessidade de uma rede intersetorial bem articulada para apoiar os usuários e trabalhadores da saúde a obterem sucesso nos tratamentos.”

Centro de Saúde Santa Bárbara

Ivonete Pereira das Chagas – Auxiliar de enfermagem

Sandra Pessoa de Lima – Enfermeira

“MGS, 32 anos, descobriu que estava com tuberculose em janeiro de 2010. Fazia uso de álcool e outras drogas, estava deprimida e acabara de perder a guarda dos filhos. Morava num porão em péssimas condições, ao lado de um córrego. O esposo também era etilista e usava outro tipo de droga, realizou tratamento para tuberculose em 2008. A relação do casal era conturbada com relato de espancamento.

A paciente faltou às consultas e doses supervisionadas agendadas diversas vezes. A equipe realizava visita domiciliar, conversávamos e orientávamos sobre a doença e a necessidade de aderir ao tratamento; negociávamos benefícios como a cesta básica e café da manhã. Muitas vezes MGS comparecia na UBS em dias não agendados, alcoolizada e deprimida, querendo simplesmente “ser ouvida”.

Investimos tempo, dedicação e persistimos e, apesar de todos os entraves, a paciente terminou o tratamento com cura em julho de 2010, sendo ainda acompanhada pelo serviço.

Centro de Saúde São Domingos

COORDENADORA: NICOLE

EQUIPE VERDE:

MÉDICO: HENRIQUE

ENFERMEIRA: LUCIANA

AUXILIARES DE ENFERMAGEM: MARIA e CLAUDIA

AGENTE DE SAÚDE: JANAÍNA

“Feitos que deram certo:

Jorge (nome fictício) é um jovem de 29 anos, procurou a Unidade de Saúde em 2010 quando foi diagnosticada a tuberculose pulmonar. Morava sozinho e estava desempregado. Iniciou-se então seu tratamento. Achamos que seria um caso muito simples, uma agente de saúde iria supervisionar o seu tratamento como combinado, e ele já estava orientado sobre a doença e as medicações.

Porém, o que impactou esse paciente, o que o chocou, foi a grande perda de peso que havia tido por conta da doença. Esse fato foi usado a favor do seu tratamento, pois ele não queria “vir” a Unidade para “consultar sempre” com médico, mas queria saber como estava seu peso (sua aparência era de um homem de uns 40 anos).

Uma enfermeira ficou de referência para atendê-lo todo mês, e essa foi a ponte para tratá-lo. Cada vez que comparecia à Unidade era feita uma consulta e seu estado de saúde era avaliado e acompanhado, estimulando-o a voltar e a tomar as medicações, pois sua melhora era visível. Ganhou 9 quilos durante o tratamento. Assim, ele evoluiu para cura conquistando sua alta no tratamento. Agora está trabalhando como servente. Nossa experiência foi um feito em equipe que deu certo.”

Experiência Exitosa – CR DST/Aids

Deosdineia Auxiliadora da Mata (Neia) e equipe do DOT do CR DST/Aids

“A paciente ANS, sexo feminino, 35 anos, residente na região do CS Ipaussurama, ex presidiária, estava no 6º tratamento de tuberculose, em   seguimento de HIV/Aids, quando  a Covisa e Centro de Saúde solicitaram apoio na condução do caso. Era dependente química de drogas, com muita dificuldade de adesão ao tratamento.

A paciente só foi encontrada no domicílio na 4 ª visita realizada, pois “residia” em três endereços diferentes, nas casas do pai, da filha e do companheiro (dependente químico também).

Na primeira visita a paciente estava bastante debilitada, em situação precária de moradia (chovia dentro da casa) e de alimentação (sem gás de cozinha). Referia que se sentia muito sozinha e que não tinha a quem pedir ajuda. Foi oferecida a possibilidade de acompanhamento ambulatorial pelo nosso serviço, incluindo o tratamento diretamente observado (DOT) diário da TB. A paciente aceitou a proposta e o vínculo foi estabelecido.

No decorrer do tratamento surgiram outros problemas.  O projeto terapêutico para a paciente envolveu o Serviço Social (passe de ônibus), a Saúde Mental (dependência química de drogas), parceria com o CS Ipaussurama e ajuda do pai. Muitas vezes a paciente não era encontrada para o tratamento, pois “circulava” entre as três residências. Foi feito um novo acordo, em que a paciente na visita vigente avisaria onde estaria no dia seguinte. No decorrer do tratamento ela fixou residência na casa do companheiro. Novas dificuldades foram surgindo, mas com muita dedicação e esforço diário dos envolvidos, a paciente evoluiu para a cura da TB.

Ela relata que no início foi muito difícil, pois se sentia sem apoio, vivia na madrugada fazendo uso de drogas, não se alimentava adequadamente e que na primeira visita que recebeu do nosso serviço percebeu algo diferente, viu a atenção que estava recebendo e sentiu-se acolhida.

Atualmente ANS vive outra vida, resgatou a auto-estima e a saúde, não faz mais uso de drogas, tem um novo companheiro, obteve a guarda do filho e está grávida. Faz seguimento regular no CR.

QUAL O SEGREDO DESSE TRABALHO? Tratar o paciente com humanidade, olhá-lo como uma pessoa inteira e não fragmentada, ver além…ele tem medos, angustias, dificuldades e sonhos como qualquer um de nós. Devemos saber ouvir, nos colocarmos no lugar do outro, sem julgamentos, sem preconceitos…oferecer “ferramentas” e informações para ele seguir em frente,  e ter consciência de que ele tem o livre arbítrio de fazer suas escolhas e o mais importante, e que é crucial em qualquer relação, “amor”…uma palavra, um sorriso, um abraço, um aperto de mão, ouvir quando necessário, ser dura às vezes, mas nunca perder a ternura…oferecer o nosso melhor atendimento, valorizar individualmente cada paciente e principalmente valorizar a vida… isto se chama acolhimento.

Campinas, janeiro/2011”

CLIQUE AQUI E VEJA O ALBUM DE FOTOS DO EVENTO REALIZADO NA PRAÇA RUI BARBOSA, CENTRO DE CAMPINAS

Dê sua opinião:

 

TB um grande desafio: Conheça o esforço e a dedicação dos trabalhadores do SUS para cuidar dos pacientes e monitorar a doença no município.
A Carta, neste mês de março, em que mundialmente chamou-se a atenção para a Luta Contra a Tuberculose, entrevistou Maria Alice …., Luciene… e Brigina ….buscando divulgar os esforços do município para o controle da doença.
Divulga três casos de sucesso no tratamento, em que nossos profissionais narram seus esforços para cuidar de pacientes vivendo em condições de grande vulnerabilidade individual e social.
A Carta traz ainda as estratégias de trabalho propostas pela COVISA, VISAS, Programa de Aids e Núcleo de Comunicação para o ano de 2011 e por fim divulga o último Boletim Epidemiológico da Tuberculose de Campinas que recebeu recentemente um prêmio do CVE do Estado de São Paulo.
Carta da Saúde – Maria Alice, a Secretaria da Saúde está intensificando as ações para controle da Tuberculose no município? Você pode nos situar com relação a este agravo de saúde em Campinas?
Maria Alice Sato: A tuberculose continua sendo um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Em Campinas apesar de termos diminuído a incidência dessa doença, ou seja, o número de casos novos vem caindo ano a ano, há necessidade de incrementarmos a investigação dos casos suspeitos para alcançarmos um melhor resultado. Por isso, as unidades de saúde são incentivadas a buscar formas de investigar e acompanhar os casos, atingindo assim resultados satisfatórios para o controle da tuberculose.
Há indicadores importantes a serem monitorados como as pessoas que tossem há mais de três semanas (sintomático respiratório), a cura, o abandono e o tratamento diretamente observado (as tomadas dos medicamentos são diretamente observadas). As Unidades de Saúde são monitoradas periodicamente para averiguarmos as coberturas atingidas, discutindo-se também as dificuldades encontradas no acompanhamento dos pacientes.
No primeiro trimestre de 2010 pudemos observar uma diminuição do abandono, um aumento de pacientes em tratamento diretamente observado e a melhora de outros indicadores que contribuem para o controle da tuberculose no município. Temos ainda grandes desafios como, por exemplo, o tratamento e acompanhamento de pessoas sem residência fixa.
Carta – Quanto tempo demora para tratar a tuberculose?
Maria Alice: O tratamento é feito em seis meses e quando a pessoa toma os antibióticos corretamente há cura. Quando a pessoa abandona o tratamento, principalmente se isto ocorrer mais de uma vez, existe a possibilidade do bacilo da tuberculose ficar resistente aos medicamentos. Nestes casos o tratamento pode demorar mais tempo, e se não for feito de maneira adequada, haverá a transmissão de um bacilo resistente.
Carta – Quais ações foram desenvolvidas na Praça Rui Barbosa, no dia 24 de março?
Maria Alice: Foi realizada uma abordagem das pessoas que passarem pela praça, orientando sobre os sintomas da tuberculose e os locais onde o exame e tratamentos são realizados, e distribuídos material educativo. Também houveram ações no terminal de ônibus Campo Grande.
O maior objetivo deste trabalho é dar visibilidade para uma doença que ainda existe e tem cura, informando a população quem deve procurar o serviço de saúde, qual exame deve fazer, como é realizado o tratamento e a importância de completar o mesmo.
Carta – Como que a Rede SUS Campinas pode participar deste conjunto de ações e qual o impacto esperado?
Maria Alice – Os Serviços de Saúde podem participar divulgando as informações sobre tuberculose, realizando a busca ativa de sintomáticos respiratórios, buscando parcerias de outras instituições na sua área de abrangência, não somente neste dia, mas durante todo o ano.
O impacto esperado é uma maior informação e esclarecimento da população sobre tuberculose, contribuindo assim na diminuição da transmissão da mesma através do diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Entrevistas realizadas na Praça Ruy Barbosa, durante os trabalhos do “Dia mundial de Combate à Tuberculose”:
Carta – Qual foi a estratégia definida pela Secretaria da Saúde, com a adoção de uma meta de baciloscopias para cada Serviço?
Brigina Kemp (Vigilância Epidemiológica): É o que a gente chama de busca pelos sintomáticos respiratórios. Tem uma meta de setenta por cento de uma faixa da população que deve ser pesquisada sobre tuberculose. Então todas as pessoas que chegam aos Serviços de Saúde com relato de tosse há mais de três semanas eu devo considerá-la como um caso de sintomático-respiratório e colher o exame de escarro para fazer a baciloscopia e saber se isso é devido à tuberculose ou não. É um exame barato, simples e o melhor método para diagnóstico de casos de tuberculose pulmonar, forma que mantem a transmissão da doença. Nós temos um monitoramento realizado como rotina pela Rede SUS Campinas para acompanhar esta ação de busca de sintomáticos respiratórios.
A respeito deste indicador, eu quero deixar claro que estima-se um por cento da população seja de sintomáticos respiratórios. Destes, devo examinar pelo menos setenta por cento deles com exame de BK.
Carta da Saúde – Hoje, 24 de março de 2011, a Rede SUS Campinas está sendo premiada em sua atuação de luta contra a tuberculose. Você poderia me explicar que premiação é esta?
Luciene Medeiros (Centro de Referência em DSTs e Aids): O CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica, órgão da Secretaria Estadual da Saúde), todos os anos, no Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose, que é hoje, 24 de março, realiza um Fórum na Capital e lá são premiados os serviços de saúde com destaque no Estado de São Paulo. O objetivo principal é melhorar os indicadores de cura, principalmente a diminuição do abandono dos tratamentos. Neste ano foi inaugurada uma nova modalidade de premiação que é a do Boletim Epidemiológico. Nós elaboramos o Boletim Epidemiológico com os dados do município, enviamos ao CVE e ganhamos o prêmio. Estamos muito felizes porque é a segunda vez que Campinas ganha um prêmio neste fórum. A primeira foi há uns dois anos, quando o Laboratório Municipal ganhou o prêmio por ter superado a meta na realização de exames de escarro. O Boletim Epidemiológico é super importante porque é também uma forma de divulgar o que a gente vem fazendo. Então é bom para nós enquanto município, é importante para o Estado, que sabe como estão os dados em Campinas. Através do Boletim é dada uma devolutiva para a Rede sobre o trabalho que está sendo feito por todos. A tuberculose é uma doença que para ser enfrentada precisa de uma Rede de Apoio. Se não a gente não consegue atingir as metas do programa, que são curar o paciente e quebrar a cadeia de transmissão da doença.
Experiências de tratamento da tuberculose
Nossos trabalhadores demonstram aqui, o quanto de compromisso ético com a vida individual e coletiva, persistência e determinação são necessárias para “curar o paciente e quebrar a cadeia de transmissão da doença” . Observamos também a necessidade de uma rede intersetorial bem articulada para apoiar os usuários e trabalhadores da saúde a obterem sucesso nos tratamentos.
Centro de Saúde Santa Bárbara
Ivonete Pereira das Chagas – Auxiliar de enfermagem
Sandra Pessoa de Lima – Enfermeira
MGS, 32 anos, descobriu que estava com tuberculose em janeiro de 2010. Fazia uso de álcool e outras drogas, estava deprimida e acabara de perder a guarda dos filhos. Morava num porão em péssimas condições, ao lado de um córrego. O esposo também era etilista e usava outro tipo de droga, realizou tratamento para tuberculose em 2008. A relação do casal era conturbada com relato de espancamento.
A paciente faltou às consultas e doses supervisionadas agendadas diversas vezes. A equipe realizava visita domiciliar, conversávamos e orientávamos sobre a doença e a necessidade de aderir ao tratamento; negociávamos benefícios como a cesta básica e café da manhã. Muitas vezes MGS comparecia na UBS em dias não agendados, alcoolizada e deprimida, querendo simplesmente “ser ouvida”.
Investimos tempo, dedicação e persistimos e, apesar de todos os entraves, a paciente terminou o tratamento com cura em julho de 2010, sendo ainda acompanhada pelo serviço.
Ivonete Pereira das Chagas – Auxiliar de enfermagem
Sandra Pessoa de Lima – Enfermeira
Centro de Saúde São Domingos
COORDENADORA: NICOLE
EQUIPE VERDE:
MÉDICO: HENRIQUE
ENFERMEIRA: LUCIANA
AUXILIARES DE ENFERMAGEM: MARIA e CLAUDIA
AGENTE DE SAÚDE: JANAÍNA
“Feitos que deram certo”
Jorge (nome fictício) é um jovem de 29 anos, procurou a Unidade de Saúde em 2010 quando foi diagnosticada a tuberculose pulmonar. Morava sozinho e estava desempregado. Iniciou-se então seu tratamento. Achamos que seria um caso muito simples, uma agente de saúde iria supervisionar o seu tratamento como combinado, e ele já estava orientado sobre a doença e as medicações.
Porém, o que impactou esse paciente, o que o chocou, foi a grande perda de peso que havia tido por conta da doença. Esse fato foi usado a favor do seu tratamento, pois ele não queria “vir” a Unidade para “consultar sempre” com médico, mas queria saber como estava seu peso (sua aparência era de um homem de uns 40 anos).
Uma enfermeira ficou de referência para atendê-lo todo mês, e essa foi a ponte para tratá-lo. Cada vez que comparecia à Unidade era feita uma consulta e seu estado de saúde era avaliado e acompanhado, estimulando-o a voltar e a tomar as medicações, pois sua melhora era visível. Ganhou 9 quilos durante o tratamento.     Assim, ele evoluiu para cura conquistando sua alta no tratamento. Agora está trabalhando como servente. Nossa experiência foi um feito em equipe que deu certo.
Experiência Exitosa – CR DST/Aids
Deosdineia Auxiliadora da Mata (Neia) e equipe do DOT do CR DST/Aids
A paciente ANS, sexo feminino, 35 anos, residente na região do CS Ipaussurama, ex presidiária, estava no 6º tratamento de tuberculose, em   seguimento de HIV/Aids, quando  a Covisa e Centro de Saúde solicitaram apoio na condução do caso. Era dependente química de drogas, com muita dificuldade de adesão ao tratamento.
A paciente só foi encontrada no domicílio na 4 ª visita realizada, pois “residia” em três endereços diferentes, nas casas do pai, da filha e do companheiro (dependente químico também).
Na primeira visita a paciente estava bastante debilitada, em situação precária de moradia (chovia dentro da casa) e de alimentação (sem gás de cozinha). Referia que se sentia muito sozinha e que não tinha a quem pedir ajuda. Foi oferecida a possibilidade de acompanhamento ambulatorial pelo nosso serviço, incluindo o tratamento diretamente observado (DOT) diário da TB. A paciente aceitou a proposta e o vínculo foi estabelecido.
No decorrer do tratamento surgiram outros problemas.  O projeto terapêutico para a paciente envolveu o Serviço Social (passe de ônibus), a Saúde Mental (dependência química de drogas), parceria com o CS Ipaussurama e ajuda do pai. Muitas vezes a paciente não era encontrada para o tratamento, pois “circulava” entre as três residências. Foi feito um novo acordo, em que a paciente na visita vigente avisaria onde estaria no dia seguinte. No decorrer do tratamento ela fixou residência na casa do companheiro. Novas dificuldades foram surgindo, mas com muita dedicação e esforço diário dos envolvidos, a paciente evoluiu para a cura da TB.
Ela relata que no início foi muito difícil, pois se sentia sem apoio, vivia na madrugada fazendo uso de drogas, não se alimentava adequadamente e que na primeira visita que recebeu do nosso serviço percebeu algo diferente, viu a atenção que estava recebendo e sentiu-se acolhida.
Atualmente ANS vive outra vida, resgatou a auto-estima e a saúde, não faz mais uso de drogas, tem um novo companheiro, obteve a guarda do filho e está grávida. Faz seguimento regular no CR.
QUAL O SEGREDO DESSE TRABALHO: tratar o paciente com humanidade, olhá-lo como uma pessoa inteira e não fragmentada, ver além…ele tem medos, angustias, dificuldades e sonhos como qualquer um de nós. Devemos saber ouvir, nos colocarmos no lugar do outro, sem julgamentos, sem preconceitos…oferecer “ferramentas” e informações para ele seguir em frente,  e ter consciência de que ele tem o livre arbítrio de fazer suas escolhas e o mais importante, e que é crucial em qualquer relação, “amor”…uma palavra, um sorriso, um abraço, um aperto de mão, ouvir quando necessário, ser dura às vezes, mas nunca perder a ternura…oferecer o nosso melhor atendimento, valorizar individualmente cada paciente e principalmente valorizar a vida… isto se chama acolhimento.
Campinas, janeiro/2011

Single Post Navigation

2 thoughts on “Controle da tuberculose

  1. Pingback: Editorial « Carta da Saúde

  2. Pingback: Jurema Werneck: “A tuberculose é a outra face da ausência de direitos à saúde” « Carta da Saúde

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: