Carta da Saúde

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Caminho da fé

“O Caminho da Fé é o caminho que você traça enquanto sujeito inserido no mundo”.

Na edição passada, a Carta  trouxe a primeira de três entrevistas  sobre um conjunto de ações desenvolvidas na Academia Espaço CR do Programa Municipal de DST/Aids. Nesta edição Nacle Nabak, nutricionista e responsável técnico pela academia e Frederico Romano, educador físico, nos conta sobre o Caminho da Fé, realizado em trechos nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Confira a segunda parte desta entrevista:

Carta da Saúde – Como surgiu a ideia de fazer o Caminho da Fé?

Nacle Nabak: Ao propor projetos de Qualidade de Vida, pensamos também  neste domínio da religiosidade e da espiritualidade, como um componente importante a ser trabalhado. Diante das conversas que o grupo de caminhada ia  desenvolvendo durante as caminhadas pelas trilhas em Sousas, Joaquim Egídio, Pedreira, é que pensamos sobre esta possibilidade de fazer o caminho da fé brasileiro. Existe o caminho da fé de Santiago de Compostela, na Espanha, e a gente tem a nossa versão brasileira, que sai de Águas da Prata, em São Paulo, e vai até Aparecida do Norte. Foi um desejo e uma demanda do grupo e, começamos a viabilizar esse Caminho, inicialmente sonhado, mas que com o apoio do Programa Municipal de DST/Aids de Campinas foi possível fazer a primeira edição, em 2008. Nela, a gente fez a primeira etapa, que foi de Águas da Prata até Andradas. Foram cinquenta quilometros com um grupo de 20 pessoas, sendo 15 pacientes usuários e cinco técnicos (médico, nutricionista, auxiliar de Enfermagem e o professor de Educação Física). Em 2010 a gente pleiteou e conseguimos viabilizar através do Plano de Ação e Metas (PAM). No primeiro ano a gente realizou o percurso com recursos obtidos com o prêmio.

Carta – Você pode contar um pouco da história deste Prêmio?

Nacle: O prêmio (“Prêmio Aids de Responsabilidade Social Saúde Brasil”, realizado à época em sua quarta edição) foi um reconhecimento ao grupo terapêutico. O Grupo de Caminhada teve início em 2005, foi uma sugestão de um usuário do Centro de Referência do Programa Municipal de DST/Aids, surgiu da vontade de ter um grupo que realizasse atividades físicas. Nós recebemos um prêmio de dez mil reais e essa primeira etapa foi custeada com este dinheiro. Ele nos foi concedido pela qualidade do nosso trabalho enquanto grupo terapêutico. Nós nos inscrevemos e fomos selecionados entre cerca de noventa trabalhos. Fomos reconhecidos na modalidade Serviço Público. Nós recebemos a premiação e o grupo começou a pensar em qual seria o destino desse dinheiro e parte dele custeou o Caminho da Fé. Em 2010 fizemos uma  programação para dez anos, caminhando em média cerca de cinquenta quilômetros por ano. Realizamos a etapa de 2010 que foi de Andradas, passando por Ouro Fino, até Inconfidentes.  E foi novamente com 20 pessoas, desta vez foram quatro profissionais e dezesseis usuários. Nós ficamos em pousadas durante o caminho, existe todo um planejamento desta atividade, e neste momento também a gente trabalha esta questão da religiosidade. A gente tem atividades noturnas de harmonização do grupo em frente à igreja da cidade, onde a gente discute a questão de viver com o HIV, a prevenção  da perspectiva de vida e de trabalho. A gente faz uma reflexão sobre o momento atual de cada um e projeta o futuro que, neste trabalho, a ideia é continuar trabalhando até cumprir o final do nosso propósito que é chegar a Aparecida do Norte, o que dá mais ou menos uns 300 quilômetros. Agora em 2011 nós vamos planejar a nova etapa.

Carta – Porque é importante que estes usuários do SUS possam participar de uma atividade como percorrer o Caminho da Fé?

Frederico Romano: É extremamente importante, porque faz pensar na vida que cada um leva e nas oportunidades que desfrutamos. Isso envolve a adesão ao tratamento, a condição física e o estado de espírito de cada um. O fato novo para nós, extremamente positivo, foi realizar pela segunda vez, com quem já  havia participado e com a  inclusão de pessoas que não fizeram o primeiro.  O grupo ganha cara nova com isso. Nós trabalhamos a tolerância e o respeito com os novos, e aos diferentes.

Carta – Mas o que é desenvolvido, o que é trabalhado nesta ação?

Frederico: Que podemos ser tolerantes, pacientes, solidários. Que podemos ter companhia, sermos companhia. O Caminho da Fé, é o caminho da vida, de cada sujeito que participa. Seja percorrendo uma etapa ou o caminho todo, seja vindo à Academia, para fazer musculação, para fazer ginástica, para fazer Movimento Vital Expressivo, seja participando do Grupo de Caminhada, seja indo se tratar no Centro de Referência. Esse é o Caminho da Fé. O Caminho da Fé é o caminho que você traça enquanto sujeito inserido no mundo. Este caminho começa com a caminhada. E aí vem a reflexão depois da caminhada.

Dê sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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2 thoughts on “Caminho da fé

  1. M. Luiza-reabilitação on said:

    Parabéns,Nacle e Frederico,
    Esperamos que as ações da academia possam ser ampliadas e ofertadas para outros segmentos de nossa secretaria!Sem dúvida,uma área como a reabilitação,ganharia muito se tivesse esta oportunidade.
    M. Luiza A Brollo

  2. Fátima Seixas on said:

    Parabéns, Nacle e Frederico
    É um orgulho para nós trabalhadores do SUS, termos colegas com essa garra, desenvolvendo um trabalho maravilhoso, precisamos divulgar e ampliar, assim como a Maria Luiza, também acredito que a aréa de reabilitação só teria a ganhar com a oferta de um trabalho como esse.
    Continuem na Luta, Parabéns para vcs.
    Fátima Seixas

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