Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Editorial

Paisagem da Vila Industrial, em foto feita nas dependências do Distrito de Saúde Sul, em 2010, durante intervisão

Praticar a comunicação, (…), é reconhecer a existência de sujeitos em ação. É admitir que, antes e acima de qualquer outra definição, comunicação é o mesmo que ação em comum. É deixar claro para o leitor, ouvinte e/ou espectador o lugar onde está e o que efetivamente pretende aquele que escreve, fala, e/ou aparece. Vale dizer: ao contrário do que pretende e faz a informação, que elege os fins para compor os meios, a comunicação dedica especial atenção aos meios, tendo em vista seu principal objetivo: promover a coexistência e correspondência de sujeitos em ação“.  Donizete Soares.

Editorial

A “Carta da Saúde” Edição Treze, primeira de 2011, sai do forno em meio a uma dura paisagem de começo de ano. Assolado por enchentes o país está de luto oficial pelo fim de tantas vidas humanas, a maioria  delas evitáveis, não fosse a ganância da especulação imobiliária, associada à conivência, ao despreparo e descaso dos agentes políticos, que assumem irresponsavelmente a gestão pública. Fato comentado em rede nacional pelo próprio governador do Rio de Janeiro. Especialistas em geociências, ecologia, urbanismos e afins, são unânimes em afirmar através da TV, dos jornais, da internet, que as mortes foram anunciadas. Quantas vidas poderiam ter sido poupadas se as análises de impacto socioambiental fossem respeitadas, se as cidades pautassem seu crescimento em planos diretores, inclusivos, associados a uma política de habitação que garantisse moradia digna para os mais pobres, aqueles que a miséria e a falta de oportunidades sempre empurram para as áreas mais insalubres  e perigosas, nas encostas dos morros, nos lixões, às margens dos rios e córregos transformados em esgotos a céu aberto.

Por outro lado, começamos o ano cheio de esperanças, o que só aumenta nossa potência produtiva e autoestima, com a expectativa de um Brasil próspero, governado por uma mulher ‘Presidenta’, que convida para o Ministério da Saúde um ministro com formação sanitarista, formado pela UNICAMP, celeiro dos mais influentes sanitaristas do país.  O ministro por sua vez vem compondo o ministério com um quadro técnico/político da melhor qualidade, gente com experiência na formulação e gestão do SUS que queremos, em suas diferentes instâncias.

Entretanto, assistimos recentemente, estarrecidos, ao recrudescimento coletivo de forças reativas, encarnadas nas ameaças públicas sofridas, através das redes sociais, pelos cidadãos nordestinos, durante o período eleitoral, como também a agressão aos rapazes na Av. Paulista e em seguida no Rio, movidos por reações homofóbicas, como exemplos recentes. Ataques movidos por ódio, preconceito e discriminação. E isto não é um fenômeno local. Nos EUA, temos o caso recente da deputada democrata moderada, Gabrielle Giffords, que recebeu um tiro a queima-roupa na nuca, depois de, no mês de março, ter a porta de seu escritório despedaçada por um tiro de espingarda, logo após ter votado a favor da reforma da saúde.

Nós, profissionais da Saúde, sabemos bem o que significa a naturalização da violência em relação às mulheres, crianças, homossexuais, em relação às diferentes etnias, o que pode o preconceito religioso ou a violência justificada em nome da religião. Sabemos no corpo doente e na alma humilhada daqueles que recebem nossos cuidados e de nós mesmos. Somos permanentemente convocados a praticar o amor e a solidariedade. “Sim todo amor é sagrado e o fruto do trabalho é mais que sagrado meu amor…”. ” É preciso estar atento e forte”, manter o olhar informado e um coração inteligente.

Guattari, em seu livro “As Três Ecologias” – meio ambiente, relações sociais e subjetividade humana – nos chama a atenção para o risco de “ não haver mais história humana se a humanidade não reassumir a si mesma radicalmente(…), trata-se de se reapropriar de Universos de valor no seio dos quais processos de singularização poderão reencontrar consistência. Novas práticas sociais, novas práticas estéticas, novas práticas de si na relação com o outro, com o estrangeiro, com o estranho: todo um programa que parecerá bem distante das urgências do momento! E, no entanto, é exatamente na articulação: da subjetividade em estado nascente, do socius em estado mutante, do meio ambiente no ponto em que pode ser reinventado, que estará em jogo a saída das crises maiores de nossa época(…)  A subjetividade, através de chaves transversais, se instaura ao mesmo tempo no mundo do meio ambiente, dos grandes agenciamentos sociais e institucionais e simetricamente, no seio das paisagens e dos fantasmas que habitam as mais intimas esferas do indivíduo. A reconquista de um grau de autonomia criativa num campo particular invoca outras reconquistas em outros campos. Assim, toda uma catálise de retomada de confiança em si mesma está para ser forjada passo a passo, e às vezes, a partir dos meios os mais minúsculos”.

Esta edição traz várias experiências em que as palavras-chaves parecem ser aquelas citadas pela Rô Villar do SADA: “O que eu posso fazer para ser feliz, dando o melhor de mim e deixando meio  de lado as minhas dificuldades? Se todos têm dificuldades, porque que eu vou focar só nas minhas dificuldades? A gente tem uma frase marcante para nosso trabalho(…) não focar nas fraquezas,e sim nas forças. E isso tem feito a gente colher frutos saborosos com nossos usuários”.

E nesta Primeira Edição de 2011, um presente para seu coração (CLIQUE AQUI E CONFIRA, exceto se o acesso ao Youtube estiver bloqueado).

… e muito boa leitura!

QUEM SOMOS:

NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO

Adri Piano

Bete Zuza

Ciça Veiga

Eli Fernandes

Fernanda Borges

Marcos Botelho

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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One thought on “Editorial

  1. Wellington de Almeida on said:

    Queridos, queria cumprimentá-los, parabenizá-los, dizer que vocês estão, e não poderiam deixar de ser, cada vez mais fiéis a vocês. Vocês têm conseguido ser nas diversas edições, provocativos, instigantes, inteligentes e deixado cada um de nós desse enorme SUS CAMPINAS, muito orgulhosos, com a auto estima enoooorme e com mais gás para nossas grandes lidas diárias. Essa contribuição de vocês, esse espaço tão sonhado por tantos dessa Secretaria, vocês estão ocupando plenos e absolutos (como vocês são) continuem arrasando! a gente agradece! Um beijão! Obrigado, tenham a certeza de que vocês estão CUIDANDO DOS CUIDADORES!

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