Carta da Saúde

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Atenção básica

Equipe do CS Santa Mônica demonstra como pode ser realizada a destinação adequada de resíduos.

Resíduos. Quem não se sente incomodado com aquilo que não lhe serve mais e não pode ser encaminhado para qualquer lugar? Pode ser uma aparentemente inofensiva pilha descarregada, um resto de comida ou uma cartela de medicamentos cuja embalagem foi aberta. Uma mostra, de como a Rede SUS Campinas vem respondendo a estas questões, foi dada no final de dezembro pelos Serviços de Saúde do Distrito Norte.

Com participação de técnicos e gestores da Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde), as equipes dos Centros de Saúde e outras unidades do território foram premiadas pelo desenvolvimento de projetos que, em sintonia com a diretriz da Secretaria, conseguiram desenvolver parte de um amplo projeto de destinação adequada aos diferentes resíduos, materiais inservíveis e lixo.

“Parece que não, mas no cotidiano de um serviço, um detalhe como este acabava roubando tempo e energia da equipe e não só da gestão. As pessoas se questionavam e se desgastavam com isso. Agora as coisas estão mais leves”, disse Denise de Oliveira,  coordenadora do Centro de Saúde Santa Mônica. Confira na sequencia a íntegra desta entrevista em que, entre outras coisas, ela diz que o projeto trouxe mais leveza ao dia-a-dia da equipe.

O Centro de Saúde Santa Mônica foi um dos primeiros a iniciar este trabalho de descarte dos resíduos. Você poderia fazer um breve resgate histórico deste processo?

Denise de Oliveira Cornachioni: Este projeto  teve um início bem árduo. Nós fomos muito rigorosos. Primeiramente procuramos nos entender em equipe. Durante as reuniões de equipe, os trabalhadores, de cada setor do nosso quadro de pessoal, foram aderindo e ajudando. Quem começou mesmo foi uma das meninas da limpeza, da Única, até que ela veio a trabalhar como Agente Comunitária de Saúde e assumiu outros papéis junto à equipe e à nossa população. Mas, neste período, as pessoas já estavam se conscientizando da importância de trabalhar esses resíduos. A equipe definiu bem cada detalhe, como a questão da medicação, das pilhas. Uma outra fonte de preocupação são as lâmpadas fluorescentes. Nossos pacientes têm vindo nos perguntar, nos cobrar, de como descartar as lâmpadas. No momento em que as questões surgem, a equipe participa, cada um que se interessa traz a sua ideia. Nós já realizamos a separação dos resíduos e nos organizamos para que uma empresa venha retirar este material. Separamos e colocamos em sacos, um para cada coisa, não há necessidade dos baldes. O importante é que esteja tudo separadinho, copo, papel, lixo orgânico etc. A empresa passa toda semana para recolher. Agora estamos nos organizando para trabalhar a questão do óleo, que pode ser recolhido pelo menos uma vez por mês. Esta experiência tem sido boa para o nosso serviço. O tempo todo as pessoas estão se envolvendo, e principalmente no que diz respeito às medicações. Hoje, todos os trabalhadores, têm o entendimento de que, quando um paciente devolve uma medicação cuja embalagem está aberta, os remédios não podem estar sendo utilizados. Isso, de querer aproveitar medicação devolvida, era muito frequente em toda a Rede. Este material deve ser incinerado. Eu gostaria mesmo que toda a Rede se envolvesse. No Santa Mônica, temos hoje três pessoas, três meninas, que são as referências da equipe para esta questão dos resíduos.

Carta da Saúde – Você pode descrever esta Equipe de Referência?

Denise: É a Maria, que é Agente Comunitária de Saúde, a Virgínia, que é Auxiliar de Farmácia, e a outra é a Bete, que é da limpeza. Elas é que têm o papel, por exemplo, de nos representar enquanto serviço, por exemplo, em todas as reuniões deste assunto com a Rede. Neste ano novo nós vamos inserir alguém da enfermagem neste núcleo.

Carta da Saúde – Como eram tratadas essas questões anteriormente à adesão ao trabalho com resíduos feito em consonância com a Rede?

Denise: A gente sempre se preocupou com esta questão do lixo. Eu penso que o Centro de Saúde tem muito este papel, de ser coerente e de ser exemplo para a comunidade, que é onde estão as pessoas que nos enxergam como Estado. A questão das pilhas e dos medicamentos fizeram a gente pensar muito na separação que precisa ser feita do lixo como um todo. Sempre foi um incômodo, e uma incerteza: O que que fazer com isso? Não sabíamos o que fazer com aquele material todo. O que fazíamos era perguntar. Mas as respostas não eram satisfatórias. Houve uma época em que chegamos a estocar alguns desses materiais, como os resíduos de medicações. A gente tinha caixas e caixas. E a gente não sabia o que fazer com aquilo. Era medicação vencida, medicação que os usuários devolviam. E isso ocupa espaço, fica lá e às vezes alguém se sente tentado a usar. Parece que não, mas no cotidiano de um serviço, um detalhe como este acabava roubando tempo e energia da equipe, e não só da gestão. As pessoas se questionavam e se desgastavam com isso. Agora as coisas estão mais leves. Parece que a gente abriu a cabeça, os olhos, e descobriu outro mundo. E isso é uma construção e uma conquista da equipe. A equipe deu um salto de qualidade e eles ficam preocupados, mas em outro nível, com a manutenção e a ampliação do trabalho que temos. Toda a equipe é assim, mas especialmente as meninas da Comissão, elas são muito compromissadas. É impressionante. Mas tem muito diálogo. A gente se reúne, discute com a equipe, ouve sugestões, propõem, negocia.

Carta da Saúde – O que você sente que mudou na relação com os usuários do SUS?

Denise: É algo assim: Na medida que a gente realiza a ação e demonstra que é viável, que é real, não é demagogia e é sustentável, ou seja, é possível fazer e não é um encargo, a gente acaba influenciando nossos usuários. É como a questão da alimentação. De nada adianta eu difundir a idéia da alimentação saudável se eu fizer um evento e receber as pessoas oferecendo aquelas coisas gordurosas, cheias de açúcar. As pessoas reparam nessas coisas. Agora, nesta questão dos resíduos, eu percebo, é evidente, a questão das pilhas. Isso está sendo muito legal de constatar. As pessoas estão se conscientizando e estão sempre perguntando onde elas podem dispensar esses materiais inservíveis, que são as pilhas gastas, mas que não podem ser descartadas em qualquer lugar. Mas é preciso esclarecer que a gente trabalha assim, devagar mesmo, mas sempre. Um passo de cada vez … Trabalhamos primeiro a equipe e depois com os usuários. Este ano de 2011 trará o nosso grande desafio que é o de trabalhar sistematicamente com o usuário. Em fevereiro, devemos  começar a fazer uma campanha de estímulo a estes cuidados, pensamos em colocar cartazes, levar a campanha à comunidade mesmo. Vamos trabalhar na sala de espera. Estamos nos articulando para exibir vídeos, imagens, mensagens de estímulo, para destacar e possibilitar o entendimento da população para a importância desta ação. As pessoas vão sentir que aquilo tem importância para a realidade delas. Se conseguirmos isso, a população se mobiliza, porque vai notar que, o que está sendo feito, tem sentido para ela. Temos uma médica no Serviço que aderiu completamente e realiza essas ações no dia-a-dia dela, na casa dela. Ela está disposta a mostrar o exemplo dela, do que ela conseguiu quando tomou esta atitude e o quanto ela se sente beneficiada com isso. Este é só um aspecto. Nós trabalhamos esta questão dos resíduos o ano todo. Porém, é um desafio.

Carta da Saúde – O que você sugere aos Serviços que não aderiram ao projeto de controle dos resíduos?

Denise: Primeiro a Equipe! Não adianta nada chegar com o projeto sem trabalhar a equipe, sem significar aquilo para os trabalhadores. Todos os Serviços têm suas demandas, todo mundo tem muita coisa para fazer. Estes projetos precisam ser desenvolvidos dentro da realidade e com a equipe. Então o primeiro passo é falar com os trabalhadores. Se a equipe inteira não se envolver, o projeto não dá certo. Não se desenvolve. As pessoas querem saber das coisas, do que está acontecendo e os motivos. E aí, é diálogo e entendimento de que aquilo faz parte do processo de trabalho, é promoção de saúde, e menos adoecimento. Se essas questões não são tratadas assim, desta forma preventiva, elas vão desencadear muito mais trabalho lá na frente.

Opinie: comunica.smscampinas@gmail.com

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One thought on “Atenção básica

  1. Naoko Silveira on said:

    Muito bem e parabéns ao CS São Marcos, à Denize e equipe pela iniciativa e manutenção da destinação adequada de resíduos e desejo mesmo que se amplie, contaminando a comunidade!
    abraços
    Naoko Silveira – COVISA

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