Carta da Saúde

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SUDOESTE

No Distrito de Saúde Sudoeste, as unidades de saúde e o Complexo Hospitalar Ouro Verde, uniram-se para efetivar as ações do projeto “Gestão do Cuidado em Redes”.

A discussão sobre a Linha do Cuidado, referência e contra-referência envolve questões de qualificação da Rede SUS Campinas. No Distrito de Saúde Sudoeste, as Unidades de Saúde deste território e o Complexo Hospitalar Ouro Verde, uniram-se para efetivar as ações do projeto “Gestão do Cuidado em Redes”.

E é sobre este esforço permanente de qualificação da Linha do Cuidado que a reportagem da “Carta da Saúde” conversou com Marcelo Sartori, médico e apoiador da Sudoeste. Confira a entrevista na sequencia:

Carta da Saúde – O que é o Projeto Linha de Cuidado em Redes que está sendo implementado no Complexo Hospitalar Ouro Verde em conjunto com o  Distrito de Saúde Sudoeste?

Marcelo Sartori: Este projeto vem justamente a partir de um diagnóstico do Ministério da Saúde de que as portas de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), as unidades de atenção primária se multiplicaram em progressão geométrica por todo o território nacional, porém verificou-se que esta multiplicação não ocorreu no que diz respeito à qualificação. Isto significa que as portas abertas de atendimento, de acolhimento do Sistema Único de Saúde não estavam dando resolubilidade nas questões de saúde da população. Avalia-se que não era a resolubilidade que se esperava da Atenção Primária. Esse diagnóstico foi realizado a partir de um levantamento feito na Atenção Especializada, de que tem muito paciente descompensando nas doenças crônicas, tem muito paciente na fila de espera da Atenção Especializada com queixas que demonstram, estar a Atenção Primária, a Atenção Básica, um pouco aquém do que poderia fazer mais dentro de sua capacidade de atendimento. Diante da constatada falta de qualificação, este projeto tem por objetivo qualificar, mas, em uma linha de Rede. Ou seja: Você qualifica a Atenção Primária e oferece toda uma retaguarda necessária, oferece os especialistas, uma retaguarda de internação, de exames. Então, não é jogar toda a responsabilidade nas mãos da Atenção Primária. É dar capacidade e retaguarda. Ou seja, oferecer também o especialista e toda a Linha do Cuidado à trajetória clínica do paciente. Se a pessoa precisa fazer exames mais específicos, não é na Atenção Básica que o usuário vai realizá-los. Vai precisar de um bom laboratório. Se precisa de uma internação para compensar a situação dele, precisa haver condições também para que depois ele possa ser acompanhado pela atenção primária. Essa Linha de Cuidado, esse Cuidado em Redes, é cada um cuidando de seu pedaço e a Rede cuidando do todo. É o que se preconiza neste projeto. Com qualidade. E como prevê uma mudança de hábitos, é uma nova forma de trabalhar, e este trabalho é com portadores de doenças crônicas. A idéia é que, a partir do momento que você tem uma doença crônica controlada, o paciente não descompensa, a doença não se torna aguda, você pode reduzir o sofrimento do paciente com deslocamentos desnecessários e também elimina internações desnecessárias. Neste campo das doenças crônicas é um projeto que vai trabalhar todas essas questões de relação entre os diferentes níveis de complexidade da Atenção à Saúde. Como não possuímos este hábito desenvolvido fortemente, resolvemos iniciar este exercício com as doenças crônicas. E dentre elas, escolhemos uma que, embora não tenha um número exorbitante de pacientes, não deixa de ser necessário resolver e iniciar este trabalho com ela. Nós escolhemos trabalhar com a insuficiência cardíaca.  A insuficiência cardíaca é uma doença crônica, o acometimento cardíaco desencadeia uma série de outras complicações, está muita atrelada à hipertensão arterial, muito atrelada ao diabetes, então nós escolhemos trabalhar com esta patologia porque a gente precisa começar com um número menor de pacientes para, depois de ganhar o apoio e a prática desse novo desenvolvimento, expandir para diabetes e para outras patologias. Mas vamos trabalhando com pacientes crônicos. Em Campinas nós já fizemos esta capacitação para um grupo de profissionais distribuídos nos territórios dos cinco Distritos de Saúde em que a nossa Rede está organizada. Cada um atuando em suas unidades básicas e fazendo a relação com as unidades especializadas. Inclusive é disso que nós estamos falando aqui no Ouro Verde. Estamos fechando essa Linha de Cuidado, detalhando laboratório, internação, e retaguarda especializada, ou seja as coisas que nós preconizamos nesta Linha de Cuidado que é mais integral ao paciente.

Carta – Como está organizada hoje esta Linha de Cuidado na Sudoeste? Cada Distrito se organizou de uma forma, não é?

Sartori: O projeto traz toda uma nova nomenclatura para colaboradores e protagonistas deste processo. E a partir do momento que você fala em capacitar, você tem que oferecer esse processo para o médico e toda equipe da Unidade Básica. Este projeto prevê a figura do facilitador, que são médicos,  que buscamos em nosso quadro de profissionais, com o melhor perfil de liderança, pessoas mais desenvoltas e mais fáceis de trabalhar, por conta da agilidade necessária. Na Sudoeste temos hoje três médicos facilitadores e eles atuam, cada um, em duas Unidades Básicas de Saúde. Das doze unidades do Distrito Sudoeste hoje, nós já conseguimos cobrir sete unidades. Numa delas, inclusive, nós já temos um médico que é o médico multiplicador. O médico multiplicador nada mais é que o médico da unidade que já aprendeu como se realiza esse processo, e dá continuidade ao projeto dentro de sua própria unidade, sem precisar da participação de um facilitador. Para dentro da unidade ele faz o que o facilitador faria. Ele é a referência dentro da própria unidade de saúde. São quatro profissionais trabalhando dentro da assistência à essa capacitação. Além desses facilitadores temos os coordenadores de território, que são um médico ou um enfermeiro responsável por este olhar para o Distrito no intuito de desenvolver o projeto em todas as unidades. Para isso, precisamos fazer com que a unidade esteja andando bem, como é o caso do CS Aeroporto, onde nós temos um multiplicador que é uma referência para a unidade e ainda responsável por toda a retaguarda necessária. Já estamos com este projeto em mais da metade das unidades do Distrito de Saúde Sudoeste de Campinas. Quando as outras unidades que estão relacionadas aos facilitadores estiverem mais avançadas nesse processo, elas os liberam para outras unidades, ficando ali o multiplicador.

Carta – Este processo vem desde o ano de 2009?

Sartori: Sim, por isso é um processo. Como tudo que é novidade, é um processo lento e com todos os momentos muito bem estruturados. A gente optou por não chegar com uma coisa pronta e dizer: “Faça-se”. Não é assim. É preciso antes construir tudo, principalmente a parceria com os serviços. É preciso que haja aceitação da equipe. Se você construir junto, fica uma coisa muito mais efetiva. Não é uma coisa vertical. E principalmente mais eficiente.

Carta – Qual o impacto percebido?

Sartori: Posso dizer que o número de casos atendidos é muito grande. O retorno que já temos é ver o paciente atendido voltar para um procedimento de rotina, registrar sua satisfação. É quando o paciente vem nos procurar para dizer que ele está se sentindo melhor, que alcançou maior autonomia. Este é o resultado prático e efetivo que a gente já consegue ver. Os profissionais, principalmente a Enfermagem, tem relatado que a ocorrência de chegada dos pacientes descompensados tem sido menor, mas não porque eles perderam o vínculo com o serviço e sim porque eles não têm descompensado na mesma proporção que anteriormente. Considero que este é um impacto importante, porque indica que o usuário está descompensando menos. Quando o paciente crônico não está procurando o acolhimento com tanta frequência, isto indica uma melhora. A médio prazo isto também indica uma melhoria do fluxo nas unidades, uma contenção daquela situação de tumulto. E como eu disse, na sequência nós trataremos a questão do diabetes. Aí serão as duas patologias, que juntas, são responsáveis por vinte a trinta por cento dos atendimentos nas unidades. Eu acredito que com a qualificação deste percentual, nós já estaremos com um impacto muito importante no Acolhimento das unidades, o que permite a qualificação de todas as outras ações.

Opine: comunica.smscampinas@gmail.com

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One thought on “SUDOESTE

  1. Wellington de Almeida on said:

    Gostaria de cumprimentar a dupla Marcelo e Marcele pela brilhante liderança desse projeto no Distrito Sudoeste. Tenho acompanhado, principalmente através das reuniões da equipe de Apoio Distrital, o desenvolvimento e a implantação desse projeto no Distrito. Diferente de uma série de capacitações implementadas na rede, esse projeto tem conseguido garantir espaços importantes de reflexão, aliados a mudanças de fato nos processos de trabalho das equipes, facilitando a aproximação e a integralidade da atenção dos profissionais da Unidade Básica e dos demais serviços da rede. Nas Unidades que desenvolvem o projeto, há um grande envolvimento dos profissionais, uma avaliação positiva por parte dos gestores e um desejo interessante de continuidade no processo. Sem falar no ganho para os usuários, o efeito que o projeto tem gerado nos trabalhadores e gestores é contagiante. Para nós do DGTES, entendemos que o projeto também pode facilitar ou favorecer a fixação de médicos na região sudoeste, que é a região onde se percebe a maior dificuldade de fixação desses profissionais. Parabéns a todos, com a certeza de que em 2011 o projeto se consolidará ainda mais no território do Distrito, aliado aos demais projetos de qualificação da assistência e da gestão, desenvolvidos pela Secretaria.

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