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Centro de Referência em Reabilitação: Parcerias proporcionam a realização de desfile de moda inclusiva

Em vez de modelos convencionais, dezoito pessoas que vivem com algum tipo de deficiência física colocaram seu talento em prática para vencer a passarela e apresentar coleções criadas exclusivamente para elas por oito estilistas brasileiros.

Em destaque, os usuários do Centro de Referência em Reabilitação (CRR) “Jorge Rafful Kanawaty. O evento reuniu trabalhadores e usuários do CRR e contou com apoio da Prefeitura e médicos da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Ao final contou com uma apresentação do cantor e compositor Eduardo Dussek. A seguir, confira a entrevista com  a coordenadora do CRR, Maria Rodrigues Naves:

Carta da Saúde – Qual o impacto esperado com esta participação dos usuários do CRR em um desfile de moda?

Maria Rodrigues Naves: Esperamos que este desfile contribua com o avanço da nossa compreensão de acessibilidade para campos inexplorados ainda, como a moda, as vestimentas. Atualmente, penso eu, há um segmento de consumidores que não encontra vestimentas adequadas às suas necessidades e demandas práticas e estéticas. Uma pessoa com hemiplegia, ou tetraplegia, ou uma amputação etc, deve ter dificuldades em encontrar roupas que ela possa usar com o máximo de autonomia no seu dia-a-dia, e que lhe ofereça a possibilidade de compor esteticamente sua auto-imagem, de expressar-se através de um vestuário, uma das funções da moda. Além disso, para todos nós, cidadãos, contribui com a desejável construção de um olhar social onde a diversidade humana seja cada vez mais natural e cada vez mais respeitada. O engajamento dos usuários do Centro de Reabilitação “Jorge Rafful Kanawaty”, o nosso CRR-Sousas, vem torná-los claramente, protagonistas de uma nova atitude também e para nós, profissionais do Serviço, símbolos de um jeito de se fazer reabilitação, de um modelo para pensar a nossa tarefa para muito além das nossas intervenções clínicas cotidianas, encontrando novas formas e espaços de ação onde a saúde de fato se traduza em integridade e criatividade humana. Devemos mencionar e agradecer a parceria com a agência de marketing Conee,organizadores do evento e a família Rafful, da Vert Eventos, que, através do Rafael nos proporcionou estarmos juntos neste novo desafio.

Carta da Saúde – Observamos que as parcerias têm sido importantes na história deste Serviço?

Maria: Esta sua observação nos permite revalorizar e fazer jus, pois a história do CRR foi construída a muitas mãos. Reforçando, uma parceria importante foi com a própria família do Sr. Jorge Rafful Kanawaty, quando iniciamos a construção do prédio e depois o seu término com a Secretaria Municipal de Saúde. Um outro segmento que fortemente participou deste processo são os próprios usuários, pessoas com deficiência que há anos vêm ativamente se envolvendo, defendendo, e co-construindo o nosso modelo de Reabilitação, que envolve e se mistura com a luta pela cidadania e participação deste segmento. Um exemplo disso é o transporte publico acessível, que permite às pessoas com deficiência o ir e vir e é fruto do alinhamento da Política de Transportes, Saúde etc, com os interesses dos usuários.

Carta da Saúde – Quais outras ações o CRR desenvolve ou participa, quebrando eventuais isolamentos dos usuários?

Maria: A gente entende que a reabilitação não se resume nos atendimentos no CRR, mas principalmente em ajudar o paciente a explorar seu território, a sair de casa a se incluir na sociedade. Então no começo a gente faz junto, estimula a pessoa, provoca mesmo, vai junto para enfrentar as barreiras. Cinema, passeio na linha de Joaquim, pastel na feira, evento ecológico na Praça Beira Rio, passeio no bosque, piquenique, ou mesmo atividade de AVP (TO), o treino da prótese ao pegar um ônibus de linha, enfrentar esse desafio junto com o paciente para que ele possa seguir sozinho. A gente lembra que o principal é o paciente ir se apropriando disso, que a vida tá lá fora, que ele é o autor de seu projeto de vida. Nós utilizamos a arte no Centro de Referência para estimular o contato do usuário consigo mesmo, com suas potencialidades, explorá-las, experimentar a partir de seus sentidos e buscar novos sentidos para sua vida que é nova. É o luto, a morte para algumas coisas, que possibilita outras, outras descobertas, mesmo que isso seja um processo inicialmente doloroso. O desfile inclusivo é uma forma de fazer essa provocação, um olhar de novo para si mesmo, de outro ponto de vista, do ponto de vista da capacidade, da potencialidade, da capacidade de expressão, de se expor, de se incluir.

Clique aqui para ver imagens, feitas antes do desfile.

Clique aqui para ver imagens feitas um pouquinho antes do desfile.

E clique aqui para ver algumas imagens feitas durante o desfile.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

 

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One thought on “Reabilitação

  1. Claudia Carezzato on said:

    Que trabalho maravilhoso!!!!
    Maria, sou muito sua fã!!! Parabéns!
    Grande beijo,Claudia Carezzato

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