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Editorial

EDITORIAL

A discussão sobre a saúde e os processos de adoecimento dos trabalhadores do SUS Campinas, está conquistando a cada dia, ainda que muito timidamente, o espaço devido na Secretaria. A área de trabalho “Cuidando do Cuidador” do Departamento de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (DGTES) vem desenvolvendo um esforço de compreensão das causas do adoecimento e organizando propostas de cuidado, baseadas em conceitos de prevenção e promoção à saúde. Em parceria com vários serviços de nossa rede, passou a oferecer aos trabalhadores, ações de saúde integrativa. Foi tema de debate na última Plenária, a quarta, Rumo à IX Conferência, e recentemente o Cerest (Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador),  ofertou um ‘espaço de escuta e reflexão dos aspectos relacionados a saúde mental e ao trabalho, aberto aos profissionais de saúde com sofrimento mental, que trabalham na rede pública de Campinas’.

Segundo o Wellington de Almeida, do projeto “Cuidando do Cuidador”, as doenças que mais afetam os trabalhadores da Secretaria de Saúde de Campinas, podem ser divididas em três grandes grupos: “Doenças relacionadas ao sofrimento mental, osteo musculares, e doenças crônicas” (CLIQUE AQUI E CONFIRA ENTREVISTA AO BLOGUE DO SUS CAMPINAS). São doenças que também ocorrem na população em geral, sendo que um estudo melhor detalhado, ajudaria a compreender como estas doenças adquirem, entre nós, um “perfil patológico diferenciado”. Demandam, portanto, uma análise coletiva envolvendo os trabalhadores na identificação dos problemas, relacionando-os às categorias ofertadas por estudiosos da área. Entre as questões a serem analisadas estão o modo como se define o planejamento e organização dos processos de trabalho, a qualidade da ambiência, definida como “o espaço, arquitetonicamente organizado e animado, que constitui um meio físico e, ao mesmo tempo, meio estético, ou psicológico, especialmente preparado para o exercício de atividades humanas; ambiente em que este trabalho é desenvolvido”, duração da jornada, número de profissionais, modos de incorporação de novas tecnologias (leve/leve-dura/dura), salários, como são estabelecidas as relações de poder (participação nos processos decisórios, nas definições de diretrizes e metas), entre outras.

Adoecemos quando o que realizamos deixa de fazer sentido para nós, quando não há espaço para o trabalho em equipe, para as rodas, quando os laços de solidariedade vão se afrouxando, quando não há espaço para a gentileza e para a amizade. Quando impera o senso comum, a mesmice, o pensamento “funcionário”, e não sobra tempo nem lugar para inventar, criar, discutir e compreender as propostas e ações a serem desenvolvidas, quando só há lugar para a reprodução e para a conservação.

Não há nada mais adoecedor que o trabalho alienado, que não faça sentido para quem o executa. Não há nada mais adoecedor que o ambiente de trabalho competitivo, normatizado, normalizado, pobre em agenciamentos criativos, burocratizado, emburrecedor. Não há nada mais adoecedor do que ser subalternizado, violentado com ‘argumentos de autoridade’, assediado moralmente.  Os medos e as paranoias vão se instalando, medo de ser perseguido, ridicularizado, discriminado, transferido, de perder o cargo, o espaço, de ser colocado em algum limbo, por expor opiniões, pensamentos e sentimentos não consensuais. Não há proposta de protagonismo social que resista às formas deliberadas de produção de pessoas assujeitadas, ressentidas, que passam a se  perceber como vítimas.

Sobre a amizade: “ A igualação na amizade não significa, naturalmente, que os amigos se tornem os mesmos, ou sejam iguais entre si, mas antes, que se tornem parceiros iguais em um mundo comum – que, juntos, constituam uma comunidade [… ]. O elemento político, na amizade, reside no fato de que, no verdadeiro diálogo, cada um dos amigos pode compreender a verdade inerente à opinião do outro. Mais do que o seu amigo como pessoa, um amigo compreende como e em que articulação específica o mundo comum aparece para o outro que, como pessoa, será sempre desigual ou diferente, esse tipo de compreensão – em que se vê o mundo (como se diz hoje um tanto trivialmente) do ponto de vista do outro – é o tipo de insight político por excelência”. Hannah Arendt.

Boa leitura!

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One thought on “Editorial

  1. Carla Ap. A. S. Machado on said:

    Bete, gostaria de parabenizar por este trabalho que a equipe do nucleo de comunicação tem feito….é muito rico e importante a comunicação na rede e vcs estão contribuindo muito para mostrar a potência dessa rede em saúde!!!!
    PARABÉNS Á TODOS!!
    beijos
    Carla – Norô

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