Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Dia Mundial de Luta Contra a Aids

 

Dia Mundial de Luta Contra a Aids: Combate ao preconceito e ao estigma.

Carta da Saúde – Quais os objetivos do Programa Municipal de DST/Aids de Campinas ao envolver diferentes Serviços e equipamentos públicos na produção da colcha de retalhos apresentada no Primeiro de Dezembro? 

Cláudia Barros Bernardi: Neste ano, além de promover a prevenção no Primeiro de Dezembro, que é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, resolvemos  resgatar  a mensagem de solidariedade. É  importante a visibilidade e a prevenção nesse dia, mas prevenção fazemos o ano todo. Neste dia especial, resolvemos resgatar o motivo inicial de ter sido criado o Primeiro de Dezembro, que era fazer com que a sociedade estendesse sua solidariedade às pessoas vivendo com HIV/Aids. Claro, que no início da epidemia, isso remetia muito às pessoas que a gente perdia com HIV/Aids pela falta de tratamento disponível naquele momento, mas conforme foi mudando a epidemia, fomos  nos distanciando  deste sentido de solidariedade. Por isso neste ano quisemos marcar a solidariedade com muita força. As pessoas que vivem com HIV ou que têm Aids não estão morrendo como antigamente, mas sofrem com os efeitos colaterais da medicação, e ainda, menos do que anteriormente, mas ainda sofrem o preconceito de várias formas e ainda têm o estigma de morte, de culpa por ter adquirido o vírus. Entendemos então que, não só o Programa de Aids, que já vive isso no seu dia a dia, mas que a rede SUS Campinas,a rede de parceiros, de organizações não-governamentais, de outros serviços que atendem Aids aqui no município, todos, deveriam estar nessa mesma sintonia e então descentralizamos as oficinas para fazer esta colcha de retalhos. O objetivo era  que cada um pusesse ali, naquele pedacinho de tecido, o seu sentimento em relação a uma pessoa que conheceu ou que conhece ou que vive com HIV/Aids, o que significa para ela ter ou conviver com a doença, ou então uma mensagem de prevenção se a pessoa desejasse. Cada um colocou ali o sentimento que queria e depois reunimos os retalhos numa grande colcha feita por todos nós.

Carta – Qual o papel do Programa e da Rede SUS Campinas no estímulo e incentivo à prevenção não só à Aids, mas às outras doenças sexualmente transmissíveis como as hepatites virais?

Cláudia: O Programa Municipal de DST/Aids é o grande puxador. Não só com relação à AIDS, mas às outras DSTs também, inclusive as hepatites virais. Temos marcado bastante a questão das hepatites virais estarem no Programa de DST/Aids atualmente. Ocorreu primeiramente em âmbito nacional, no antigo Programa Nacional de DST/Aids que hoje é Departamento Nacional de DST, HIV, Aids e Hepatites Virais, e estamos fazendo isso no município também, puxando a criação de um Programa de Hepatites Virais em parceria com a COVISA, incorporando as hepatites às ações de prevenção e tratamento. O  Programa Municipal de DST/Aids é responsável por pautar as Políticas Públicas nas instâncias governamentais e não-governamentais,  no Conselho Municipal de Saúde. É ele que organiza as ações de prevenção, produz um Plano de Ações e Metas junto com toda a sociedade civil, a Rede e outros setores governamentais e depois vai, por exemplo, matriciar a Atenção Básica nas ações de prevenção. Entendemos que o Programa pauta e realiza ações através de seus técnicos, mas sem seus parceiros governamentais ou da sociedade civil, não obteria sucesso. A Aids é hoje uma doença bastante democrática. O tema do Primeiro de Dezembro proposto pelo Ministério da Saúde é “A Aids não tem preconceito, você também não deve ter”. E esta frase tem duplo sentido, tanto para que não tenhamos preconceito em relação às pessoas que vivem com Aids, quanto para não ter preconceito na hora de pensar na prevenção. Evitar pensar daquela forma antiga e que muito nos custou, que eram os tais grupos de risco. A Aids está aí, em todas as classes sociais, em todas as etnias, distribuída em todas as faixas de escolaridade, em todas as faixas etárias. Não tem faixa etária em que a gente não tenha casos de Aids. Hoje, após anos de esforço de técnicos e parceiros, diminuímos muito a transmissão vertical. É entre as crianças, a faixa etária em que temos menos casos novos de AIDS. Mas no restante, de adolescentes a idosos, encontramos casos novos em todas as faixas etárias. Então ninguém mais pode falar: ‘Ai, eu não sou isso, eu não sou aquilo, então eu estou imune, eu to livre da Aids’. Isso é um grande equívoco.  Todo mundo está exposto se tiver vida sexual ativa sem uso correto e frequente da camisinha. Então, assim como a Aids é democrática, em nosso trabalho a gente tem que alcançar o maior número de pessoas, em seus contextos sociais e territórios,  e para conseguirmos isso, a Rede é essencial.

Carta – Qual o impacto desejado não só com este período mas durante o ano todo com estas ações de visibilidade da Política Pública?

Cláudia: Nós esperamos que esta Política Pública esteja incorporada no dia a dia das pessoas. Porque toda vez que damos visibilidade a um assunto, despertamos nas pessoas a vontade de saber mais sobre isso, de buscar informação e conhecimento, e também de trabalhar conosco. Muitas vezes as campanhas, mesmo que elas não mudem individualmente a atitude de uma pessoa em relação a usar ou não preservativo, elas despertam o assunto    para algumas famílias, comunidades, na rede de saúde, em um Centro de Saúde. Esta é uma maneira de pautar sempre um assunto junto às pessoas. Isto cria espaços para ofertarmos parcerias e trabalhar o ano todo.  Eu gostaria de deixar uma mensagem à nossa Rede: o que nós estamos obtendo com a parceria com a Rede nestes trabalhos conjuntos, muito além do número de exames que vamos fazer, lembrando que o diagnóstico é importante sim,porem, o mais  importante, é acessar as pessoas. O que está sendo mais importante com estas ações, o que está sendo muito valioso e muito prazeroso para nós,  é conseguir trabalhar com a rede nos territórios, na realidade da rede, fazendo com que entendamos a realidade deles e eles entendam a nossa. Não estamos só fazendo discurso, estamos lá, juntos. Estamos montando as barracas juntos, colhendo exames e entregando resultados juntos, e isso qualifica o trabalho dos dois, tanto do Programa quanto da rede. O que eu queria deixar para a rede, sejam as Unidades ou os Distritos, é um agradecimento. Muito obrigada pela acolhida que nos deram neste período, pela empolgação das equipes, coordenadores e apoiadores  que nos receberam de forma deliciosa em seus territórios. Vocês tornaram as campanhas de Primeiro de Dezembro e Fique Sabendo de 2010 inesquecíveis para todos do Programa de Aids.

Clique aqui para ver o álbum de fotos da Colcha de Retalhos no Primeiro de Dezembro.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

 

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