Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Vigilância realiza campanha de hanseníase entre 18 e 22 de outubro

Maria Alice, da Covisa

Todas as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde têm sido adotadas para a detecção precoce e o tratamento da Hanseníase em Campinas. A doença apresenta tendência de estabilização dos coeficientes de detecção no Brasil, mas ainda tem patamares muito altos em algumas regiões. Cerca de 47.000 casos novos são detectados a cada ano, sendo 8% deles em menores de 15 anos.

A hanseníase é uma doença infecciosa, crônica, de grande importância para a saúde pública devido à sua magnitude e seu alto poder incapacitante, atingindo principalmente as pessoas em faixa etária economicamente ativa, comprometendo seu desenvolvimento profissional e/ou social. Este é parte do conteúdo de uma mensagem que a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) tem distribuído às instituições do setor público e privado sobre a hanseníase e esta campanha de saúde pública.

O comunicado ainda esclarece que a transmissão se dá entre pessoas. Uma pessoa doente que apresenta a forma infectante da doença (multibacilar – MB), estando sem tratamento, elimina o bacilo pelas vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros), podendo assim transmiti-lo para outras pessoas suscetíveis. O contato direto e prolongado com a pessoa doente em ambiente fechado, com pouca ventilação e ausência de luz solar, aumenta a chance da pessoa se infectar.

Os sinais e sintomas mais frequentes da hanseníase são manchas e áreas da pele com diminuição de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar em qualquer parte do corpo, principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas.

O tratamento específico é encontrado nos serviços públicos de saúde e a regularidade do mesmo e o início precoce levam à cura da hanseníase. Assim que a pessoa doente começa o tratamento deixa de transmitir a doença. Ela não precisa ser afastada do trabalho, nem do convívio familiar e pode manter relações sexuais com seu parceiro ou parceira. No período de 18 a 22 de outubro de 2010, o município de Campinas realizará a Campanha contra a Hanseníase, portanto, gostaríamos de contar com vosso apoio na disseminação dessas informações para os funcionários e seus familiares.

Quem fala mais sobre esta campanha é Maria Alice Satto, técnica da Covisa. Confira a entrevista:

“Carta da Saúde” – Maria Alice, com o que os serviços que compõem a Rede SUS Campinas podem participar e, mais que isso, colaborar com esta campanha?

Maria Alice Satto: A campanha de hanseníase que vai acontecer aqui no município de Campinas de dezoito a 22 de outubro  visa principalmente sensibilizar os profissionais da Saúde para uma doença que, apesar de estar controlada, no Estado de São Paulo e em Campinas, ainda há casos que ocorrem em nossa região. Os Serviços podem colaborar divulgando para a população os sinais e sintomas da hanseníase, orientando sobre o diagnóstico e principalmente que a hanseníase é uma doença que tem cura. O tratamento, desde que a pessoa tome as doses recomendadas para o tipo de doença que apresentar, leva à cura.

“Carta” – A abordagem pelos profissionais da Saúde pode ser feita em qualquer momento, da recepção ao consultório?

Maria Alice: No dia a dia, na rotina das unidades de saúde, as pessoas precisam pensar em hanseníase, pois observamos que quando a ocorrência de uma doença é baixa, as pessoas param de pensar a respeito. Isso dá uma falsa impressão de que, já que a doença está controlada, as medidas preventivas podem ser relaxadas. Porém, ainda temos pessoas que  apresentam incapacidade no momento do diagnóstico, e este é um indicador importante. Aqui em Campinas a proporção de casos com incapacidade de grau “2” no momento de diagnóstico ainda é considerada alta pelos indicadores da Organização Mundial da Saúde. Um dos fatores pode ser a detecção tardia desses casos. Não podemos esquecer também que nós recebemos casos de outras cidades e de outros estados brasileiros, de regiões onde os coeficientes de detecção ainda são muito altos. Mas nós ainda temos casos que chegam aos nossos serviços e já passaram por outros e não foram diagnosticados a tempo.

“Carta” – Alguns estados do Norte e do Nordeste brasileiros têm divulgado aumento de notificação de hanseníase. Isto ocorre porque a transmissão da doença está aumentando ou porque está aumentando a capacidade de notificar essa doença?

Maria Alice: Em relação às medidas de controle da hanseníase, existem algumas metas apontadas pelo Ministério da Saúde.  É preciso ter altas taxas de cura, investigação adequada dos contatos intra-domiciliares, uma Vigilância Epidemiológica adequada, enfim, vários fatores a serem considerados para o controle desta doença. Nos estados do Norte e do Nordeste, o Ministério da Saúde aponta iniquidades sociais que colaboram para que a doença continue em altos índices. É lógico que nos últimos anos houve um decréscimo de casos nestas regiões, mas as taxas ainda são muito altas.

Carta – Porque Campinas tem número considerados ainda altos do tipo “2” de incapacidade gerada pela doença?

Maria Alice: Existem parâmetros do Ministério da Saúde que indicam quando esta taxa está alta ou quando está baixa. Quando você encontra mais que 10% de pessoas com avaliação de capacidade “2”… Estes níveis de incapacidade são o seguinte: O bacilo tem uma preferência por células da pele e por nervos periféricos. Quando os nervos são afetados, principalmente os de face, membros superiores e membros inferiores, eles podem levar à incapacidade física. Dependendo do grau de incapacidade, a gente classifica de “0”, “1” e “2”. O “2” é quando a incapacidade física já está instalada e aí as pessoas têm sintomas mais exacerbados. Por exemplo: nas mãos, uma característica é o que se denomina “mãos em garra” porque o nervo já foi afetado e isso faz com que a pessoa perca a mobilidade.

“Carta” – Essas pessoas chegam a esta situação porque não tiveram o diagnóstico precoce?

Maria Alice: Este foi um exemplo que eu dei. Pode ter alguns outros sintomas que indicam o grau dois. Não é todo mundo que está chegando assim. Mas no último ano, em 2009, essa taxa  ficou em 12%. Ou seja: É alto e isso a gente precisa investigar porque pode ser que nós não estejamos detectando precocemente esses casos. Então eu considero a existência de diferentes fatores para a gente avaliar. Primeiro de pessoas que passam por serviços que não estão atentos, e aí podem ser tanto os serviços públicos, como os particulares. Outro fator são as pessoas que chegam de outros estados onde os níveis de detecção são muito altos, passam a residir aqui e demoram a procurar os serviços de saúde e quando chegam já estão com grau de incapacidade “2” instalada. Mas não importa quais são os motivos. O que esse indicador demonstra é que nós precisamos ter ações de investigação  precoce, para evitar que a pessoa chegue neste ponto. Logicamente, dependendo do grau de incapacidade, existem orientações e cuidados que podem ser feitos nas Unidades de Saúde ou, dependendo do grau, precisam ser encaminhados  para o Centro de Referência em Reabilitação ou outro serviço.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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