Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Tele Saúde: Clinicos e especialistas, através da informatização, estão dialogando para melhorar o atendimento aos usuários do SUS

Valéria e Gulla na Policlínica III

O Projeto Tele Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Campinas já é realidade. A reportagem da “Carta da Saúde”  foi in loco conferir este trabalho nas unidades envolvidas, como o Centro de Saúde do Jardim São Vicente e a Policlínica III, além de manter contato com a Área de Especialidades que atua nesta iniciativa. Na Poli III a “Carta” entrevistou a  Valéria, coordenadora da unidade,  e o Gulla, médico deste serviço de referência. Confira a entrevista:

Carta da Saúde – O que é o Tele Saúde?

Antonio Cezar Gulla: O Tele Saúde é um sistema informatizado de comunicação onde o profissional da área, da especialidade, no caso a cardiologia, localizado aqui na Policlínica III, se comunica via internet, via skype, que é uma das ferramentas da internet, com os médicos dos Centros de Saúde da Rede Pública de Campinas. Atualmente este trabalho vem sendo realizado com dois centros de saúde: O São José e o São Vicente.

Valéria Cristina Jodajahn Figueiredo: Esse projeto foi iniciado em abril, quando, no Distrito Sul, nós selecionamos duas unidades que apresentavam os requisitos mínimos para poder participar e que seria pelo menos um computador, a conexão com a internet, câmera e microfone. Desde então o Tele Saúde está em teste. Semanalmente realizamos os encontros virtuais com as equipes dos Centros de Saúde, e para novembro está previsto um trabalho de avaliação deste período em que ele esteve em utilização. Em seguida vamos pensar nas próximas etapas e em sua ampliação no município.

Carta – Qual a vantagem de utilização desta tecnologia?

Gulla: A vantagem é você poder discutir casos clínicos, discutir estratégias terapêuticas, discutir novas drogas, condutas, com os médicos dos centros de saúde. Isso pode ser feito diariamente. A vantagem é que muitas vezes o paciente é acompanhado aqui na Policlínica e no centro de saúde. E as condutas podem ser tomadas ou mudadas através deste contato. Alguns pacientes podem não necessitar de ser encaminhados aos centros de especialidades porque você consegue, através desta ferramenta, discutir o caso e o colega, lá na Atenção Básica, tomar as condutas que o paciente venha a necessitar. Outras vantagens são a melhor qualificação dos colegas no sentido de uma atualização na área de cardiologia, que é a minha, uma capacitação que muitas vezes eles procuram fazer em palestras, em grupos de profissionais. Quando você faz individualmente ou em grupos pequenos de colegas o aprendizado é maior. Isto é a discussão de casos reais. A gente trabalha em cima disso. Discussão de casos, discussão de artigos, discussão de condutas, discussão das drogas que a gente tem na Rede Pública, o que pode ser usado, o que não pode ser usado. Esta é uma das grandes vantagens.

Carta – Quando o usuário do SUS vem ao especialista, ele pode, desta forma, vir com coisas adiantadas…

Gulla: Sim. Você pode, através desse sistema, orientar o que você já quer deste paciente. O colega pode passar o caso e nos exames complementares você pode sugerir algum outro. Então quando a pessoa chega ao Centro de Especialidade não há necessidade de ele voltar uma segunda vez com exames, o que faz com que a gente acabe perdendo tempo. Desta forma, com os exames já, que a gente gostaria de ter, você pode tomar logo a conduta ou as condutas mais intervencionistas. Com isso você economiza, principalmente, tempo na conduta terapêutica do paciente. O mais favorecido é o paciente. Imagine ele passar por consulta com um clínico, o clínico identifica que ele tem um aumento do coração, num Raio-X. O que é feito? Um ecocardiograma. Se ele vem com esse exame em mãos, você pode tomar determinadas condutas, de imediato. Se ele não vem com esses exames o especialista ainda tem que solicitar este exame, então ele ainda vai agendar esse exame, e retornar uma segunda vez, ao passo que se ele vem com exame em mãos você acaba, já, definindo, às vezes, condutas. Condutas terapêuticas ou intervencionistas. Ou você terá de investigar mais.

Valéria: Também considero muito interessante que reduz o deslocamento do paciente. Muitas vezes, sendo o caso discutido entre o especialista e o clínico, isso evita muitas vezes que esse paciente chegue aqui. A conduta pode ser tomada lá no centro de saúde, reduzindo o deslocamento deste usuário. E os profissionais que participam estão cada vez mais motivados a participar, tanto o especialista, que está aqui, como o clínico que está lá na outra ponta, no centro de saúde. É muito interessante. Parece um dia de festa. Eles ficam felizes esperando a terça-feira chegar para poder fazer a discussão de casos. Essa motivação, dentro da nossa Rede, colabora bastante para o bom andamento de tudo.

Carta – Está prevista a expansão deste projeto?

Gulla: Sim. Existe um trabalho na Secretaria, nos centros de especialidades e nos centros de saúde. Eu mesmo, recentemente, manifestei meu interesse junto ao próprio secretário municipal da Saúde, José Francisco Kerr Saraiva, quando estávamos no último Congresso Brasileiro de Cardiologia. Eu adiantei a ele o meu interesse em expandir os centros de saúde para esse trabalho que é muito, muito proveitoso. A minha visão, dentro da Rede Pública, é que o paciente que é acompanhado no centro de saúde, ou aqui na Poli, ele nunca é exclusivo de um ou de outro serviço. Ele é um paciente em comum e tem de ser tratado tanto pelo centro de saúde como pela unidade de sua especialidades. Então eu luto para essa mentalidade de acompanhamento conjunto do paciente. Se eu tenho o meu paciente que é acompanhado nesses dois centros de saúde, quando eu discuto alguns casos que são de pacientes comuns a gente toma condutas juntas: ‘Olha, vamos aumentar a medicação, vamos tirar essa medicacão’. O clínico, médico do centro de saúde começa ter uma noção: ‘Qual é a minha conduta diante de determinada situação?’. Se esse paciente, hoje, stá em um centro de saúde, o colega daquela unidade pode alterar a medicação do paciente sem que seja preciso o paciente vir até a Policlínica. Lá no território dele mesmo ele pode fazer isso, discutindo com o especialista daqui, e trazendo benefício ao paciente.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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