Carta da Saúde

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Saúde desenvolve há sete anos Programa de Tabagismo que hoje está em 21 Unidades

Mario Becker, do Programa de Tabagismo

Há sete anos Campinas possui um Programa Municipal de Tabagismo. Os objetivos deste Programa da Secretaria de Saúde incluem reduzir a prevalência de fumantes passivos e ativos, diminuindo as consequências, entre outros, em doenças, mortes, sequelas desde fetos a idosos, além de aposentadorias precoces e uso significativamente aumentado dos serviços de saúde.

Estes objetivos são alcançados por: ações de prevenção da iniciação ao tabagismo, principalmente entre jovens; estímulo à cessação de fumar; proteção da população da exposição à fumaça ambiental do tabaco; redução dos danos individuais e sociais causados pelos produtos derivados do tabaco.

Além das ações em unidades de saúde, ambientes de trabalho e escolas, o município vem se empenhando na ampliação da estratégia de abordagem e tratamento do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) e já conta com profissionais aptos no atendimento em 21 unidades de saúde. O coordenador do Programa Municipal de Tabagismo, Mario Becker, deu entrevista à “Carta da Saúde” sobre este trabalho. Confira:

Carta da Saúde – O que uma Unidade de Saúde, em Campinas, precisa ter para que possa participar do Programa de Tabagismo da Secretaria de Saúde?

Mario Becker: Ela precisa ter recursos humanos e técnicos. Os recursos humanos consistem em uma equipe de colegas da Unidade capacitados, constituída no mínimo por quatro pessoas. A maioria das capacitações continua a ser feita pelo ASPA (Ambulatório de Substâncias Psicoativas) Tabagismo da Unicamp. E ainda pelo Caps AD Reviver e pelo Programa Estadual de Tabagismo nós temos também algumas pessoas capacitadas. Pelo menos uma dessas quatro pessoas precisa ser médica, as outras três podem ter qualquer uma função clínica ou comunitária dentro da Unidade. E às vezes até o pessoal da Recepção, que são geralmente administrativos, também se interessam. Os recursos humanos são, basicamente, estes. Os recursos materiais são essencialmente fármacos auxiliares no tratamento que, quando indicados e disponibilizados pelo Programa Federal de Tabagismo, os transfere ao Programa Estadual de Tabagismo e a Unidades dotadas de Equipes capacitadas. O recebimento desses medicamentos é bastante imprevisível. Agora, eu acredito que o fator mais importante para nós chegarmos ao sucesso medido por abstinência crescente de tabagistas ativos é a Equipe capacitada da Unidade estar motivada. Nós temos vários exemplos de Equipes muito motivadas e que conseguem, nas reuniões semanais que nós temos de atendimento, transmitir esse sucesso, esse entusiasmo, para os usuários.  Temos 21 Unidades capacitadas nos cinco Distritos de Saúde.  

Carta da Saúde – O Programa de Tabagismo da Secretaria de Saúde de Campinas realiza avaliações?

Mario Becker: Sim. Consta de seis itens que são avaliados mensalmente. O primeiro é o número de pessoas tabagistas passivas ou ativas que se inscreveram para receberem atendimento em tabagismo. Seguem-se: número de diferentes usuários uma ou mais vezes presentes nos atendimentos; número desses usuários em abstinência por mais de seis meses; número total de usuários presentes nos atendimentos; número de usuários em abstinência por qualquer período, com uso e sem uso de fármaco para tabagismo; modificação da procura para atendimento em tabagismo comparada ao mesmo mês do ano anterior.

Carta da Saúde – E o que se tem percebido?

Mario: Bem, o nosso Programa de Tabagismo já existia seis anos antes de inciar a vigorar, em agosto do ano passado, a Lei Estadual dos Ambientes Livres de Tabaco (ALTs). Os atendimentos iniciaram em 2003 com duas unidades, o Caps AD Reviver e o CS do Jardim Aurélia. Foram capacitados colegas e começaram a atender. Mais adiante consolidamos o Programa de Tabagismo e hoje estamos em 21 Unidades, distribuídos nos cinco Distritos de Saúde. Logo depois de vigorar a Lei dos ALTs houve um aumento da procura. E muitas pessoas relataram ter procurado os Serviços porque elas precisavam parar e não porque elas queriam. Elas não poderiam fumar no trabalho; caso fumassem, elas perderiam o trabalho. Essa leva inicial foi absorvida mais ou menos entre agosto e dezembro. Depois houve uma queda no início deste ano, mas por volta de abril-maio começou haver uma tendência de aumento. Acreditamos que esteja relacionado à disponibilidade de alguns fármacos para tabagismo, que começou a ocorrer nas Unidades com colegas capacitados. Essa informação se espalhou: ‘Olha, tem remédio!’. A maioria é o adesivo de nicotina em três diferentes dosagens: 7, 14 e 21mg, que disponibilizamos nestas Unidades. Item importante na avaliação, o percentual de participantes no tratamento que entraram em abstinência, tem revelado tendências variadas entre as Unidades, sugerindo que motivação e estabilidade na composição das Equipes relacionam-se com maiores taxas de abstinência. Estes dados, por serem iniciais, merecem o contínuo seguimento mensal para o benefício destes dados alcançar todas as Unidades.

Carta da Saúde – Resumidamente, como são feitos o acolhimento e o tratamento?

Mario: O método que nós utilizamos é a abordagem cognitivo-comportamental e ela permite a entrada de qualquer pessoa num grupo de atendimento. Temos dois tipos de grupos: o motivacional e o de tratamento. No motivacional a pessoa vem quando quer. Quando, neste grupo, a pessoa marca a data em que pretende parar de fumar – ela é que resolve isso e não nós, os profissionais -, a gente pede que ela avise nossa Equipe na Unidade com antecedência de 4 semanas. Isto nos permite fazer com ela uma triagem, que é uma entrevista individual. Nós abordamos a história clínica atual e passada da pessoa, como problemas cardíacos, respiratórios, neurológicos, emocionais. Também abordamos aspectos como seu ambiente familiar e profissional, tentativas anteriores de interromper o uso do tabaco, indutores destas tentativas e da volta ao uso destes produtos. Aí a gente aplica um teste que em questão de três minutos dá uma idéia do grau de dependência à nicotina, com seis perguntas. Em resumo, o grupo motivacional serve para a gente ouvir as pessoas e observar sua trajetória em direção a marcação da data do início da abstinência dos produtos do tabaco. E a gente acompanha semanalmente as quatro semanas anteriores à abstinência, pois a pessoa precisa comprometer-se a participar do tratamento neste período. A Equipe da Unidade precisa ter pelo menos um médico, além de mais três integrantes, entre psicólogos, enfermeiros, auxiliares, nutricionistas, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, agentes comunitários. O agente comunitário é muito importante. Ele é o capilar do sistema. É ele que vê a “dona Joana”, em casa, grávida de quatro meses e o esposo dela lá fumando do lado.

O outro componente do tratamento é o grupo terapêutico, em que a pessoa se compromete a participar semanalmente pelos primeiros dois a três meses de abstinência e, após, mensalmente até completar um ano sem usar produtos do tabaco. Este grupo é oferecido quando a pessoa participou pelo menos quatro vezes seguidas no grupo motivacional e anunciou, com quatro semanas de antecedência, a data do primeiro dia sem fumar, fez a triagem e é avaliada a maturidade da decisão pela Equipe. Na triagem conseguimos perceber, entre outros dados, como a pessoa já conseguiu ficar sem fumar e como voltou a usar produtos do tabaco. Este mapeamento também norteia o tratamento. Uma coisa que é muito importante lembrar é que, na média, as pessoas fazem três ou quatro tentativas para conseguir chegar a pelo menos cinco anos de abstinência. E é de grande importância lembrarmos que, alcançando a abstinência, o benefício abrange, de fetos a idosos fumantes passivos, todos que estão em contato com o fumante ativo em locais como sua casa, trabalho, locais de estudo e lazer.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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