Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Ambulatório do SUS na Ceasa implanta Programa de Tabagismo na unidade

Valéria e Cristina do Ambulatório Ceasa

A reportagem da “Carta da Saúde” foi ao Ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS) na Ceasa (Centrais de Abastecimento S.A.) de Campinas para conferir a implantação do Programa Municipal de Tabagismo neste serviço. A reportagem foi recebida no local pela Cristina e pela Valéria. Confira:

Carta da Saúde – Como que o Ambulatório SUS Ceasa começa seu trabalho com o Programa de Tabagismo?

Maria Cristina Prini: A partir da Lei Estadual 13.541 – aprovada em 7 de maio de 2009 – Lei Antifumo,  nós tivemos  aumento da demanda de usuários do nosso serviço (SUS) relatando o desejo de parar de fumar. Inicialmente uma equipe mínima de 4 pessoas do ambulatório foi capacitada  na Unicamp para atender a esta demanda e a segunda fase foi a definição de como e quando iniciaríamos este atendimento, pois o nosso usuário tem horário de trabalho (das 4 da manhã até quem trabalha à noite), tipo de atividade e disponibilidade de tempo bastante diversificado, o que dificulta a participação dele nos grupos. Então durante a nossa 3ª Feira de Saúde, que é realizada  anualmente pelo Ambulatório, lançamos a campanha e realizamos uma pesquisa para conhecer as pessoas com vontade de parar de fumar,  qual seria o melhor dia e o melhor horário para participarem do grupo de tabagismo. Agora já temos 24 pessoas cadastradas e iniciaremos este mês o primeiro grupo. Este grupo é aberto para entrada de novos interessados. Nossa expectativa é que os primeiros participantes façam a divulgação e com isso possamos ajudar também outras pessoas.

Valéria Cristina Yoshida: Mas a gente, quando monta um grupo como este, já sabe que  algumas pessoas talvez não apareçam no primeiro encontro. Há pessoas que podem não estar mesmo na fase de aderir ao tratamento, ainda estão pensando. E mesmo quando chegam para o grupo motivacional, ainda estão naquela ambivalência. Por isso nós esperamos ter mesmo um grupo com dez pessoas.

Carta da Saúde – Além do tabagismo quais os assuntos relacionados à Feira de Saúde do Ambulatório neste ano?

Maria Cristina: O tema da Feira da Saúde foi a “Saúde integral do homem”. A predominância dos nossos usuários  é masculina. No dia a dia, de oitenta a 85% dos atendimentos no Ambulatório são homens. A grande maioria dos caminhoneiros que são atendidos no Ambulatório, referem que esta é a sua Unidade Básica de Saúde, pois nas suas cidades de residência eles não ficam por muito tempo, eles “pegam a carga e trazem para a CEASA” e aqui permanecem por um ou dois dias para descarregar e pegar outra carga para a volta. Eles ficam mais tempo parado aqui do que na cidade deles.

Valéria: Às vezes eles trazem cargas tão grandes que levam até dois dias para terminar o trabalho.

Maria Cristina: Aqui eles aproveitam para fazer exames, passam por consulta médica e fazem o acompanhamento, principalmente da hipertensão e diabetes. A gente já tem um vínculo com estes profissionais iniciado através do projeto de prevenção e diagnóstico de  DST/Aids. Ampliamos para a hipertensão, diabetes e dislipidemia. Aproveitamos para falar sobre tabagismo, tentamos sempre abordar vários temas para poder acolhe-los nas suas necessidades, pois a oportunidade pode ser única. Um resultado prático da Feira de Saúde deste ano foi a criação deste grupo de tabagismo. Era de extrema importância para a equipe fazer esta busca ativa. A gente realiza a Feira, com o objetivo de divulgar o que o Ambulatório oferece enquanto unidade de saúde e, ao mesmo tempo, colhe as informações sobre as necessidades relatadas por esta população. Com  estes dados podemos planejar novas ações e disponibilizar outros tipos de assistência. Esta estratégia é também utilizada em várias atividades itinerantes que realizamos dentro do território da CEASA durante todo o ano.

Valéria: O tabagismo é um problema de Saúde Pública e nós temos este papel de trabalhar as questões relacionadas aos agravos dos quais ele é fator de risco. Assim como a hipertensão e o diabetes, temos que pensar o tabagismo e o etilismo como problemas de saúde pública, porque afeta a população em grande número. O tabagismo é fator de risco para  as doenças cardiovasculares, é um dos principais fatores de risco, principalmente de insuficiência coronariana, infarto e AVC, também para vários tipos de neoplasias, entre outras.

Cristina: Esta demanda vai entrar pelo Ambulatório, pelas Unidades Básicas, mas envolvem todo o Sistema de Saúde, pois também precisam das equipes das unidades de referência e dos outros níveis de atenção. O nosso objetivo é que as pessoas não procurem os serviços de saúde já com as doenças crônicas ou em momentos de descompensação da hipertensão e diabetes. O que a gente quer fazer? A gente quer fazer a prevenção. A partir do momento que você estimula e oferece uma condição para que a pessoa cuide melhor da sua saúde como parar de fumar, o risco dela desenvolver uma doença cardiovascular diminui muito. Logicamente que ela pode desenvolver as doenças crônicas no decorrer de sua vida, pois existem outros fatores predisponentes. Elas precisam ter informação sobre o que fazer para prevenir algumas doenças. E nós, até então, não tínhamos desenvolvido nenhuma atividade em grupos aqui no Ambulatório. Então, está sendo um desafio, principalmente pelos relatos dos usuários de “não terem tempo para ficarem parados”. Agora, pela necessidade e vontade deles de parar de fumar, nós teremos de nos adaptar às suas necessidades, priorizando o tempo disponível deles.

Valéria: Eles vão passar por avaliação e por acompanhamento. Nos casos de dependência maior é indicado o uso de fármacos, que são os adesivos de nicotina e as drogas por via oral, como a bupropiona. Mas, por exemplo, o adesivo de nicotina não pode ser utilizado por qualquer pessoa. Pessoas que já tiveram eventos cardiovasculares, como infarto, que têm problemas cardíacos, têm de ser avaliados, pois geralmente eles não podem. É para diminuir o sintoma de abstinência, mas é a nicotina que está entrando no organismo. Assim como a bupropiona tem algumas contra-indicações. Por isso que cada situação será avaliada individualmente. E se for o caso a gente vai usar os fármacos para ajudar o paciente. É importante dizer que os grupos também servem para isso, para dar apoio.

Maria Cristina: Caso algum usuário não possa participar dos grupos, mas tenha interesse em parar de fumar, nós não vamos negar assistência a ele e sim prestar assistência individualizada. Se depender da nossa equipe, ninguém ficará de fora deste projeto.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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