Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Viva Mais promove cuidado e qualidade de vida ao idoso e interação com toda sociedade

Olga, no Parque das Águas

Primeiro de Outubro é o Dia Mundial do Idoso, reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1999. No entanto, Campinas, vem celebrando esta data durante o mês de setembro, com a realização dos Fóruns Regionais do Idoso e, em outubro, quando acontece o Seminário Municipal do Idoso. Nele serão apresentadas as propostas e metas, que são os resultados dos fóruns regionais, cujo tema foi “Garantindo Direitos, Conquistando Qualidade de Vida”.

A “Carta da Saúde”, destacou, dentre as políticas públicas que beneficiam esta população o “Viva Mais”. O programa Viva Mais visa a integração da população idosa do município de forma inter-geracional. Atende simultaneamente diversas faixas etárias num mesmo espaço físico, nas cinco macrorregiões da cidade e agora também no Parque Linear do Capivari. Definido como um conjunto de ações intersetoriais, o Viva Mais foi desenvolvido pelas Secretarias Municipais de Cidadania, Assistência e Inclusão Social; Saúde; Esporte e Lazer; Cultura; Educação; Comércio, Indústria, Serviços e Turismo; Transportes e Meio Ambiente, acompanhado pela Coordenadoria Especial do Idoso, órgão interlocutor e avaliador das atividades propostas.

São oferecidas várias atividades nos Polos de Referência, durante o expediente público, tanto nas áreas de Esporte e Lazer, Cultura, Turismo e Meio Ambiente como com as políticas de Assistência Social, Educação, Transporte e Saúde. Cada espaço conta com uma programação para os usuários, como academias para a terceira idade, palestras, dança circular da saúde, inclusão digital via Programa Jovem. São ofertados cursos profissionalizantes, de artesanato, alfabetização para adultos, contação de histórias, roteiros turísticos, dança de salão, entre outras.

Os Polos de Referência da Região Norte são o Clube Municipal “João Carlos de Oliveira” e o Centro de Convivência da Vila Padre Anchieta. Na Região Leste o Polo fica no Centro de Vivência do Idoso e Museu Dinâmico de Ciências de Campinas (Taquaral). Na região Sudoeste as atividades são na Praça de Esportes Tancredo Neves e, na região Noroeste, o programa acontece no Centro Esportivo dos Trabalhadores “Brasil de Oliveira”.

Na Sul, com uma frequência de mais de cem usuários por semana, a programação acontece no Parque das Águas, onde a reportagem da “Carta da Saúde” foi entrevistar a Olga, que é profissional da Saúde, atua neste Polo e ainda participa de atividades em uma quadra do Corpo de Bombeiros (Vila Marieta) e num centro comunitário (Jardim Amazonas). “Aquela pessoa idosa, toda feliz, porque quando era moça, dançava muito. E mesmo agora, numa cadeira de rodas, ela fica feliz da vida, olhando… A gente empurra a cadeira e leva no meio do salão. Então, essa interação social é o que é muito bom”. Olga se refere ao Dance Mais, voltado aos usuários do Viva Mais. Confira a entrevista:

Carta da Saúde Como é que as unidades do SUS Campinas podem participar do Projeto Viva Mais?

Olga Aremi Fokuda de Oliveira: De alguma forma os Polos estão sempre abertos e a qualquer momento as unidades podem contatar o Viva Mais. Este trabalho de atenção aos idosos está divulgado em todos os serviços de saúde . Quando a unidade é distante a gente pode programar o transporte e viabilizar a locomoção das pessoas.  Apesar de que, alguns grupos que participam, já são independentes. Eles mesmos programam a locomoção, cada um por sua própria conta, para  participar das atividades aqui do Polo. Também conhecem o Parque, sua programação geral, mas ficam atentos aos dias que tem Baile. Os bailes são realizados pelo menos uma vez ao mês. Os trabalhadores e usuários dos Centros de Saúde que ficam mais próximos ao parque participam com  maior frequência de atividades como ginástica, fazem uso da academia, participam da dança de salão, das aulas de artesanato.  Mas para alguns casos a gente tem o transporte que é uma perua, com motorista, e com capacidade para oito pessoas. Os usuários do Centro de Saúde do Parque da Figueira, por exemplo, já são frequentadores assíduos. A condução começa circular às sete e quinze da manhã! Faz três viagens. Eles usam a academia, fazem alongamento e são acompanhados pelos estagiários de Educação Física. Alguns  chegam acompanhados dos estagiários de fisioterapia e de enfermagem que já estão nos Centros de Saúde e acompanham os usuários, que são idosos, e vêm aqui duas vezes por semana. Esta é uma programação. Nos outros dias  procuramos atender os pacientes de outra região: Vila Ipê, por exemplo. E ainda, temos outros grupos, do Centro de Saúde Santa Odila, que está concentrado na região da Vila Marieta, Jardim dos Oliveiras, e do próprio Parque Jambeiro. Mesmo ficando distante para algumas pessoas, como por exemplo, para as que  moram lá no alto do Jambeiro e que apresentam problemas para se locomover até aqui, a gente tenta trabalhar e resolver a questão. Temos casos de pessoas que já são usuários do Centro de Referência do Idoso, que tiveram AVC (Acidente Vascular Cerebral), fizeram acompanhamento durante algum período e foram encaminhados para cá e inseridos nas ações. Para estes casos programamos o transporte para ir até a pessoa. Pelo menos duas ou três vezes por semana essas pessoas são trazidas de suas casas para que  participem de alguma atividade por aqui.

Carta Algumas atividades são realizadas em conjunto por todos os Polos?

Olga – Cada Polo realiza o baile pelo menos uma vez por mês. Usamos até ônibus para o transporte dos usuários. Neste ano realizamos uma Festa Junina no Clube Andorinhas. Vieram pessoas de vários lugares, de Campinas inteira. No dia Sete de Setembro o Viva Mais desceu a avenida durante o Desfile da Independência, com participação de vários grupos dos Centros de Saúde de toda a cidade. Nestas ocasiões nos encontramos com pessoas de outros Polos, de outras regiões e isso é muito interessante. O dia primeiro de outubro é o Dia Mundial do Idoso e nesta data todos os Polos estarão mobilizando e integrando as pessoas através do Viva Mais. E no final do ano nós desenvolveremos uma programação geral. Temos o programa das visitas natalinas aos pontos turísticos de Campinas, que o idoso nem sempre tem oportunidade de conhecer. Ano passado, mesmo com toda a chuva, os dois ônibus saíram para o passeio, daqui. São oportunidades como essas que nós oferecemos aos idosos. Cada Centro de Saúde já recebeu o fôlder, nas reuniões de Coordenadores, nas reuniões Distritais, eles conhecem o Viva Mais e sabem que podem ligar solicitando, que a gente organiza esta rede. Vamos  programando as participações nas atividades dentro das possibilidades.  Porque, em cada  lugar que tem um grupo, nos Centros de Saúde, eles estão ligados ao Viva Mais. Essas pessoas estão trabalhando por uma boa qualidade de vida. São grupos de alongamento, Lian Gong, de venda de artesanatos, são grupos dos nossos serviços. Por enquanto são seis Polos onde as atividades acontecem. O último foi aberto no Parque Linear do Capivari. Mas o projeto é  levar este espaço o mais próximo possível das casas das pessoas.

Carta: Qual é a vantagem dos Centro de Saúde trazerem seus grupos para realizar atividades no Polo?

Olga: Para os grupos que vêm aqui, proporciona a mudança  de ambiente. A oportunidade de fazer um passeio. Eu considero que aqui no Parque tem essa vantagem. É um parque temático, onde você pode aproveitar de várias maneiras, o espaço é gostoso e permite uma interação social. No Baile, pessoas de diferentes regiões acabam se conhecendo e isso é muito importante, porque a gente se interage. O baile é uma atividade muito aberta. Participam, tanto as pessoas do Rosa dos Ventos, que são tratadas na Saúde Mental, como as idosas da Casa de Repouso, que chegam de cadeira de rodas. Há duas casas de repouso cujos idosos frequentam o Baile de alguma forma, que é o Lar da Amizade, no Parque Itália, e o Lar São Vicente de Paulo. Durante os encontros, existe muito contato entre pessoas diferentes e com as pessoas mais jovens que frequentam a ginástica. No baile acontece muita interação porque um ajuda o outro. Aquela pessoa idosa, toda feliz, porque ela, quando era moça, dançava muito. E mesmo agora, numa cadeira de rodas, fica feliz da vida, olhando … A gente empurra a cadeira e leva no meio do salão. Nos Centros de Saúde, existem as atividades, mas cada um com a sua. Porque os profissionais ficam estressados? Porque ficam muito restritos ao seu trabalho. Não conseguem mais enxergar para fora. Eu acho que a nossa abertura … A minha vida foi essa. Abrir o espaço, abrir a mente, conhecer outros grupos, fazer interação com outros grupos. Com gente que entra e gente que sai, e com gente que tem sua frequência. É assim que trabalhamos. Além disso, realizamos visitas, contato por telefone com os centros de saúde: ‘Olha, estamos ainda no começo, no início, estou no Polo, vocês me conhecem, estamos disponíveis para qualquer momento que queiram vir, eu vou receber, venha, traga lanche, venha fazer piquenique, venha realizar as suas atividades’. Essa interação toda é muito importante, eu acho que cada Centro de Saúde está repleto de atividades, de seu trabalho, mas cada um não pode ficar fechado no seu mundo. Eu acho que é um momento de encontrar, da gente se encontrar aqui, isso é muito importante.

Carta: O que você vê nas pessoas que participam de atividades aqui?

Olga: Eu tenho uma pessoa aqui que veio encaminhada de um Centro de Referência e ela sempre me diz assim: ‘Olha Olga, o fato de eu poder vir aqui e ficar olhando e dançando com meu corpo …’ Tem gente que vem ao Baile e se alegra só de ficar sentado e olhando. ‘Olga eu não danço, não. Eu gosto de ficar vendo, de ficar olhando’. Tem um senhor de cento e quatro anos que adora vir à aula de dança de salão. Mas não é que ele vem dançar. É o mais velho! Este ano nós comemoramos o aniversário dele aqui. O aniversário foi no dia quinze de agosto, e no dia treze de agosto, no último baile, nós fizemos uma grande festa. Tem uma ONG aqui na Vila Ipê que é o Centro Assistencial Romília Maria, ele é vizinho, e é frequentador assíduo, práticamente o único homem… E com ele veio todo o grupo. Eles trouxeram bolo, a família interagiu, outros grupos que não sabiam ficaram olhando isso e viram ali a alegria. Você vê um mundo de beleza. Um mundo em que a gente pode fazer muita coisa. Seja em que idade for, e o jovem, principalmente, vai ver. Tenho jovens de vinte e poucos anos fazendo ginástica com pessoas de mais de oitenta anos. Os grupos não são fechados na Terceira Idade. Não são restritos. Eles são abertos. Se a pessoa não preparar o corpo, a qualidade de vida não virá quando a pessoa ficar velha, se ela nunca se cuidar. A gente tem que trabalhar isso sempre. Então assim há interação dos grupos e das idades, da sociedade. E o jovem acaba ajudando o mais idoso que tem alguma dificuldade. A gente aqui sempre pede esse respeito. O espaço, a divisão e a ocupação do espaço. Há um respeito mútuo. Não consigo trabalhar só com idosos. É importante interagir.

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2 thoughts on “Viva Mais promove cuidado e qualidade de vida ao idoso e interação com toda sociedade

  1. yara o. correa on said:

    olga, estou com saudade e encantada com o trabalho que vem realizando no parque das águas. um abraço
    yara

  2. MARIA ELIDIA DE SOUZA MATHIAS on said:

    OLGA,
    A Rosilene e a Vilma representaram nossa equipe do Centro de Saúde Boa Esperança, e estiveram no Parque das Águas neste mês de novembro/2011 juntamente com algumas pessoas dos grupos de nossa unidade. Disseram que foi tudo maravilhoso. Adoraram! Um grande abraço.
    Elídia (ACS)

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