Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Centro de Saúde e Conselho Local se unem para melhorar as condições de saúde da comunidade

Parte da equipe do CS Boa Esperança

O Centro de Saúde da Vila Boa Esperança, na região do Distrito de Saúde Leste, desenvolveu uma relação de parceria com seu Conselho Local de Saúde e criou uma Rede de Cuidados que envolve a atuação direta junto à comunidade. Esta experiência da Atenção Básica no SUS Campinas foi apresentada no II Fórum Municipal de Humanização “Na Construção de Redes Solidárias”.

Ana Paula, coordenadora da unidade e parte da equipe do CS Boa Esperança falou à “Carta da Saúde” sobre esta experiência. Também contaram que a  informação e a integração da equipe SUS com a comunidade estão fazendo a diferença no dia a dia desta equipe. “A comunidade se aproximou muito da equipe e a equipe da comunidade. Eles passaram a participar do nosso serviço”, disse a coordenadora. Confira parte da conversa com a equipe SUS do Boa Esperança:

Carta da Saúde – Por meio do Conselho Local a equipe SUS do Centro de Saúde Boa Esperança constitui uma Rede de Cuidados à população do território?

Ana Paula Martins Freitas Tafner: A ideia é que os conselheiros sejam os agentes de divulgação de informações, multiplicadores mesmo, do que a gente tem discutido no coletivo. Eles são os representantes legítimos da comunidade, foram escolhidos em eleição, num processo que foi amplamente divulgado, e têm uma liderança muito forte dentro da comunidade. Além do curso que a gente promoveu para os conselheiros sobre pragas urbanas, a gente fez uma parceria com o DLU (Departamento de Limpeza Urbana). Eles vieram uma vez aqui, nós conversamos sobre coleta seletiva, sobre a possibilidade de constituir as lixeiras coletivas, e a comunidade ficou de verificar onde seriam os pontos de risco, onde eles acham que deveriam ser colocadas essas lixeiras.

Vilma Mariusso (Agente Comunitária de Saúde): A visita chama-se “Lixo Tour” foi em agosto. E além dos conselheiros, também convidamos os usuários do Centro de Saúde para terem noção de como é importante a gente separar os diferentes tipos de lixo e, nós conseguimos um pessoal muito bom para visitar a cooperativa que trabalha com a reciclagem, eles nos ensinaram como se recicla e visitamos outras áreas do tratamento que é dado ao lixo urbano.

Ana Paula: A gente está começando. Agora terminamos este trabalho que diz muito com relação à dengue e às pragas urbanas. Nós estamos nos organizando para trabalhar outros tipos de cuidado, por etapas. A idéia é que a gente consiga trazer informações, para o conselho e comunidade, de toda a instituição Prefeitura Municipal de Campinas,   de quem cuida de cada coisa do cotidiano. E como eles podem estar acessando os diversos serviços disponíveis. A gente fez uma reunião, para citar um exemplo entre todas essas iniciativas, em que a gente discutiu como que trabalha o Cofit (Coordenadoria de Fiscalização de Terrenos), como se faz um pedido de fiscalização da Prefeitura a um terreno privado, de maneira correta. Isto viabiliza um maior controle de problemas que vão desaguar depois nos Centros de Saúde e acho que em toda a Rede Pública Municipal. A gente, com isso, está estimulando o controle não só da dengue, mas de outros insetos, de escorpiões, da leptospirose transmitida ao ser humano por meio da urina do rato. Também tem a questão ocupacional das pessoas que trabalham com recicláveis. Na hora de manejar eles podem se cortar, então tem a hepatite, tem o tétano, é uma orientação sobre o cuidado com a própria saúde.

Jeovani Alves dos Santos (Supervisor de Controle Ambiental): A ausência desses cuidados gera um aumento de trabalho para a equipe de saúde. Ou seja: o aumento das demandas acaba comprometendo muitos profissionais com um tipo de coisa que poderia ser evitada. Estes profissionais vão ficando cada vez mais atarefados com esses problemas, evitáveis, e deixam de cuidar de outras questões importantes, de outras áreas, outras atividades.

Carta – Como foi tomada a decisão de promover vigilância à saúde com esta forma de organização?

Rosângela Pereira da Silva (auxiliar de enfermagem): A gente foi vendo a necessidade da população. Identificamos quais eram os principais pedidos de orientação e a maior parte de suas queixas.  Esses problemas gerados por acúmulo de lixo, rato, barata,  acontece, muitas vezes, por pura falta de orientação, pela pouca orientação que uma parte da população tem. As maiores vítimas são as crianças e os idosos. A gente já percebe que tem uma conscientização se formando na comunidade. Eu sinto que o fluxo melhora muito. Eles estão mais conscientes. Às vezes eles encontram um escorpião e trazem aqui para a gente em vidro e dizem: ‘Olha, foi encontrado no terreno baldio tal’. Ou: ‘Foi encontrado em minha casa porque tem um terreno com matagal do lado’. Em seguida vem a necessidade de fazer a denúncia, nós orientamos qual é o órgão competente para aquele problema. Não adianta, por exemplo, que eles liguem no Serviço 156 da Prefeitura, pois a demanda vai voltar para a unidade fazer esse trabalho  e assim já vamos antecipando. A denúncia, agora, vai direto ao Cofit, que é a instituição certa.

Ana Paula: A comunidade se aproximou muito da equipe e a equipe da comunidade. Eles passaram a participar do nosso serviço.

Rosângela: Eles nos enxergam com outros olhos. Acabou aquele negócio de que o Centro de Saúde é onde as coisas não acontecem, que não resolve nada, que é só um lugar para pegar remédio. Eles têm outra imagem do Centro de Saúde. Eles nos olham com respeito. E esse respeito é fruto do nosso trabalho.

Carta da Saúde – Como você sente na comunidade o impacto destas iniciativas?

Rosilene Soares Amorim Marques (Agente Comunitária de Saúde): Sinto que as coisas melhoraram bastante. Estamos no começo e é difícil a gente convencer as pessoas.  Ainda tem gente que está aprendendo ou se adaptando. As mudanças de comportamento não acontecem de uma hora para a outra. Mas é muito fácil ver, principalmente no caso do lixo. Anteriormente havia muito lixo espalhado, muito material inservível. Ficava tudo jogado pela rua, em qualquer lugar. Isso já mudou bastante. A maioria das pessoas, quando lembra do Centro de Saúde, quando a gente fala com eles sobre o nosso trabalho aqui, demonstra que gosta. Eles estão percebendo que a gente trabalha para resolver.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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