Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Humaniza Norô

Rubem, cordenador da Norô

A experiência do Distrito de Saúde Noroeste na Construção de Redes é a primeira de uma série publicada a partir desta edição da “Carta”. Rubinho, o médido sanitarista Rubem Borges Fialho Júnior, coordenador da Norô explica como esta articulação vem ocorrendo. As questões são as mesmas colocadas pela Comissão Organizadora do Fórum aos grupos que discutiram, na sexta-feira, 17 de setembro de 2010, iniciativas do SUS Campinas na construção de Redes. Confira:

1 – Quais ações estão sendo desenvolvidas para fortalecer o Cuidado em Rede nesse Distrito?

Acho importante caracterizar rapidamente o local de onde vamos falar. São 15 “espaços de atendimento” (12 centros de saúde, 1 Pronto Atendimento 24 horas, 1 Caps  24 horas,  a Casa das Oficinas e o Centro de Convivência Toninha), além, é claro, da sede do distrito onde temos a Vigilância em Saúde Noroeste e a equipe de gestão (apoio) distrital com a complementariedade das áreas meio. Nesta área de nossa responsabilidade moram aproximadamente 200 mil pessoas. Faz parte deste território ainda o Hospital Celso Pierro que também presta atendimento em grande parte à população desta região.

Sendo assim, o fortalecimento do “Cuidado em Rede” deverá ser pensado para todos estes serviços, na busca de estabelecer uma relação de solidariedade/responsabilidade/respeito entre serviços-profissionais e usuários. Em geral isto não é “liso”.

As ações para a efetivação deste fortalecimento do cuidado em rede são complexas e envolvem os profissionais dos nossos serviços (então a formação profissional é um momento importante) – temos participado das discussões com a academia (PUC-Campinas) em vários momentos em nosso distrito, muito facilitado pela proximidade territorial que temos, o que permite um contato bem próximo com os cursos de graduação e estágios das mais variadas áreas. Também temos investido no acolhimento dos profissionais que chegam e que não necessariamente são oriundos da academia; mas que precisam ser inseridos e “apresentados” à assistência. Importante ainda ações de responsabilização que envolvam também os serviços, sua organização interna e a relação estabelecida com as referências e outros níveis do sistema. Temos utilizado vários espaços e momentos para contato, trocas e conhecimento das ofertas que temos na rede. Temos uma potencia de serviços e ofertas que muitas vezes desconhecemos. Obviamente existem também muitos problemas e desencontros nesta relação entre serviços que precisam ser “azeitadas”. O colegiado de coordenadores (estes têm papel estratégico / motivador para dentro de suas equipes) é um destes espaços potentes, pois permite a discussão de temas que muitas vezes extrapolam a saúde e que devem ser “tecidos” juntamente com outros atores e até com outras secretarias. Fazer a aproximação e discussão de casos com a assistência social, Conselho Tutelar, educação, cultura e esporte… e mesmo com serviços da saúde que não estão no território mas que necessitam de maior parceria para ampliar o Cuidado em Rede como o Centro de Reabilitação, CRDST-Aids,  entre outros, são algumas iniciativas importantes. Para este movimento o olhar e o papel de nossas equipes de apoio são imprescindíveis. Quem buscar, e quando para “tecer” mais um pedaço desta rede.

Com a chegada do Pronto Atendimento do Campo Grande em 2008, tínhamos uma preocupação muito grande com a relação que seria estabelecida entre um novo Pronto Atendimento e os Centros de Saúde. Como poderíamos trabalhar de um jeito próximo, “quase complementar”? Desde então temos pautado as possíveis dificuldades e mesmo caminhos que deveríamos seguir para reduzir o abismo entre PA e CS. Desencadeamos oficinas para discutir e tentar clarear a missão dos serviços, discutimos (e temos discutido) no Colegiado de Coordenadores, nos Conselhos Locais de Saúde e no Conselho Distrital de Saúde. Ainda em 2008 realizamos uma primeira Oficina onde contamos com usuários, trabalhadores e gestores. Definimos algumas diretrizes para a valorização da linha de cuidado e mesmo do acompanhamento desta clientela que busca os serviços de saúde da norô. Temos buscado trabalhar com orientações e com educação em saúde no sentido de informar a respeito da busca por um ou outro serviço. Temos claro e tiramos como diretrizes de que clientela será atendida onde buscar tal atendimento e aí sim estaríamos (e estamos?) orientando a respeito do melhor local para seu atendimento e responsabilização. Onde está o seu prontuário? As informações a respeito de sua saúde… Mas buscando entender por que a busca neste ou no outro local.  Afinal o Usuário é Nosso! Este é o nome que temos utilizado para estes encontros. Na época montamos banners que ajudam na orientação dos serviços. A idéia é multiplicarmos a utilização destes. Na segunda oficina no mês de agosto deste ano, discutimos referência e contra-referência. Tivemos a preocupação e interesse de levarmos mais de 50 trabalhadores de saúde para uma tarde de trabalho dentro do PA. Isto foi simbólico, pois a possibilidade de termos médicos,  enfermeiros e outros profissionais dos centros de saúde dentro de um espaço de urgência permitiu aproximar a distância entre serviços. A preocupação foi muito na linha de aproximar e melhorar a comunicação entre serviços. A partir deste último encontro traçamos demandas que envolvem inclusive a “nova” equipe de comunicação da SMS, que esteve conosco neste encontro.

2. Comentários/ Propostas do Distrito para aprimorar o cuidado em rede no município.

Acho que as propostas e iniciativas para aprimorar o Cuidado em Rede, não necessariamente partem de algum distrito especificamente, mas da construção e apontamentos dentro da gestão da SMS, espaço onde os distritos também participam, buscando um envolvimento e construção dos três níveis: central, distrital e local. Vários movimentos neste sentido têm acontecido.

Iniciativas como os Fóruns de Humanização (de lembrança recente) que conseguiu envolver não somente os serviços próprios, mas prestadores e conveniados, são importantes espaços criados – “afinal”, nem sempre são somente os “serviços públicos municipais” que enfrentam certas dificuldades para efetivar e colocar em prática este cuidado em rede; Iniciativas como a Oficina da Atenção Básica, permitem a troca e momentos para discutirmos a “cara” de nossos serviços, o processo de trabalho, o acolhimento, a missão da rede. (Ressalto aqui que nesta rede de que estou falando não estão somente centros de saúde). Certo? Por isso é rede! Ou seja, a relação da atenção básica com PA, com o hospital, com o Caps, com a especialidade, com os centros de convivência… Com as pessoas. Com a “defesa da vida”.

Outra iniciativa importante foi o investimento na Educação Permanente, quando vários dos temas que foram trazidos à discussão, também trazem impacto nos processos de trabalho locais e conseqüentemente na oferta de nossos serviços.

Cabe citar ainda a necessidade de investirmos neste momento no Projeto de Gestão da Clínica / linha de Cuidado, outro “pilar” importante para a sustentação desta rede. Uma possibilidade de envolver equipes com impacto na resolutividade e que garanta a tão esperada longitudinalidade.

Cabe citar a iniciativa que tivemos aqui na norô com o movimento que denominamos o “Usuário é Nosso” (já citado anteriormente) e que têm trazido para nós, não resultados acima da expectativa ou receitas que tivessem resolvido e criado definitivamente o Cuidado em Rede, mas trouxeram sim melhor comunicação e solidariedade entre serviços e profissionais, exemplificados por várias situações e eventos sentinela que são trazidos pelos coordenadores nas reuniões semanais em nosso distrito. Ou seja o movimento foi criado.

Todos estes movimentos buscam a aproximação / comprometimento / envolvimento de equipes e serviços, fórmula que deveria ser eficiente para esta ampliação do cuidado em rede e impacto na saúde das pessoas. Para cada um de nós cabe respondermos ás seguintes perguntas: Tenho me envolvido nisso? Posso me envolver mais? Quero me envolver? 

3.O que pode ser feito para aprimorar; A comunicação entre os serviços? O contato entre os profissionais? O cuidado?  A relação solidária?

Talvez seja solidariedade o grande conceito a ser valorizado para fortalecermos o Cuidado em Rede. A aproximação entre os vários espaços da SMS, a possibilidade de respostas aos distritos em relação a pessoal, manutenção de estrutura física das unidades e equipamentos são determinantes para atingirmos estes objetivos e para a consolidação de um modelo de atenção à saúde que dê respostas à população que nos procura. Conseguimos por algum tempo manter o trabalho e a assistência com grupos reduzidos de pessoal e outras dificuldades no atendimento em determinados serviços, pois observamos muitas vezes um comprometimento muito grande das equipes, mas quando, nós da gestão, não conseguirmos dar estas respostas num tempo mais “curto” ou “próximo”, perde-se a legitimidade, “desabam” os projetos e a inércia é retomada. Estes cuidados, nós da gestão”, temos de ter o tempo todo. Discutir os caminhos, repriorizar as demandas, investir no que está dando certo. “Auscultar” a rede pode ser um movimento de construção importante para aproximar e trazer outros profissionais, novos serviços, novas idéias… vamos?

Rubem Borges Fialho Junior é Médico Sanitarista, Especialista em Medicina Social e Coordenador do Distrito de Saúde Noroeste – Campinas – São Paulo

e-mail: fialhojunior@superig.com.br

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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