Carta da Saúde

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Atividades de educação e comunicação marcam o período interepidêmico de Dengue no Distrito Noroeste

Denize, o ajudante de controle ambiental André Luís Mendes e Nivia

Na Visa Noroeste, coordenada pela enfermeira sanitarista Eloisa C. S. Costa, a equipe envolvida no controle da dengue está mobilizada e desenvolve ações de comunicação como ferramenta para estimular a população a eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti, causador da doença. A agenda de trabalho inclui, além de busca ativa, arrastão casa a casa, e outras atividades de educação em saúde.

Desde junho os Ajudantes de Controle Ambiental (ACAs), atendem a uma agenda de espetáculos. É isso mesmo! Cerca de 500 crianças já assistiram a peça “Prevenir é Conscientizar”. Na peça, o mosquito, ou, como diz a equipe, a “mosquita”, é apresentada como vilã e não como a mocinha. Afinal é ela que se alimenta do sangue humano para maturação de seus ovos.

A equipe de ACAS também construiu um conjunto de maquetes que reproduzem, com muita fidelidade, situações cotidianas vivenciadas no trabalho de campo (CLIQUE AQUI E CONFIRA O MATERIAL). Nas maquetes trabalharam com o conceito de certo e errado, onde metade da maquete demonstra situações reais  e metade o que se espera como ideal.

 Até o final do semestre pelo menos três unidades educacionais da região têm agendadas apresentações da peça de teatro voltada ao público de até seis anos de idade. Este esforço é de uma equipe de dezenove ACAS, cinco supervisores e a coordenadora do Programa de Dengue  da Vigilância em Saúde Noroeste. 

No dia 19 de outubro, uma terça-feira, uma demonstração desta mobilização está na “Caminhada Contra a Dengue”, que será realizada partindo do Centro de Saúde Pedro de Aquino (Balão do Laranja) até o núcleo do Sapucaí, conjunto habitacional localizado no Jd. Novo Campos Elíseos. A saída está marcada para as 9h, e logo após a caminhada será realizado um “arrastão” para retirada de criadouros. Para a equipe, o objetivo é alertar a população de que a dengue é um desafio de toda a sociedade e que manter qualquer ambiente livre de criadouros do mosquito transmissor da dengue é uma atitude para ser incorporada ao cotidiano. Essa atividade conta com a participação de toda a equipe do CS Pedro de Aquino, inclusive foram confeccionados cartazes informando aos moradores do bairro o número de casos de dengue daquela região. 

Os supervisores de controle ambiental da Noroeste  explicam que os Centros de Saúde, através de suas equipes, principalmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACSs), possuem forte vínculo junto às comunidades de seus territórios e desempenham papel fundamental no controle da dengue.

Todos os Centros da região estão agendando as ações de comunicação, como por exemplo, CS do Parque Valença (desenvolvendo a peça de teatro),  o CS Satélite Iris já tem uma apresentação marcada para o dia 01/10/10 na EMEI Satélite Iris,  o CS Floresta realizou uma exposição das maquetes em uma escola do bairro no último dia 26, sexta-feira. 

Confira na sequência a entrevista com três pessoas da equipe de Controle da Dengue da Visa Noroeste, Nivia (Coord. do Programa de Dengue), Denize (Supervisora Geral) e Jebson (Supervisor de Campo).

Carta da Saúde – Como surgiu a idéia de trabalhar estas ações de comunicação?  

Denize Rodrigues de Souza: Surgiu da necessidade de termos material para trabalhar a parte educativa, de informação e conscientização. Nós precisávamos, mas não tínhamos, então surgiu a idéia de criar o nosso próprio material. Nós lançamos a idéia para os Ajudantes de Controle Ambiental (ACAs) e eles a abraçaram com bastante entusiasmo. Fizeram tudo bem rapidamente e com uma qualidade impressionante. O material ficou melhor do que esperávamos. Eles fizeram a peça teatral e as maquetes.

Carta – Como o trabalho se desenvolve?

Denize: Estamos fazendo agendamento nas creches e escolas de educação infantil. Além das unidades que já receberam nossa equipe, estamos com três agendadas e confirmadas (06/10 na Nave Mãe do Res. Cosmos, 08/10 E. E. Padre Santos e 15/10 na Nave Mãe do Jd. Sta. Clara). A gente vai às escolas, procura o coordenador pedagógico ou o próprio diretor ou diretora e faz esta conversa. A partir da data definida, a equipe ensaia a peça teatral, se prepara para aquela apresentação e verifica os detalhes para instalação das maquetes no local.   

Carta – Como que este trabalho pode ser compartilhado com os outros  serviços?

 Denize: Os setores da sociedade (ex: escolas, empresas entre outros) já nos procuram com certa freqüência, pedindo palestras e ou materiais. Essa solicitação deve ser feita com antecedência para podermos nos programar e não haver prejuízo das outras atividades.

Nivia Simone Paula Ramos Gomes: Com relação às empresas, algumas já têm esta preocupação com o que está acontecendo  em relação à dengue, neste caso podem nos solicitar que acolheremos as demandas de acordo com nossas possibilidades.

Além disso, damos apoio às UBSs para que as mesmas criem e realizem suas próprias peças e maquetes. Além da parte técnica, passamos nossa experiência na confecção das maquetes e criação do teatro, o que encontramos de dificuldade, o que funcionou e o que não funcionou. Damos apoio a eles no que precisarem e no que pudermos ajudar.

Carta: O foco deste trabalho é o público infanto-juvenil?

Denize: O teatro é, mas as maquetes servem praticamente a qualquer público. A peça foca as crianças de aproximadamente até seus seis anos de idade. A gente pretende também adaptar algumas falas para um público um pouco mais velho. A próxima população com quem vamos trabalhar é a de adolescentes, inclusive futuramente pensamos em desenvolver uma peça esse público. Mas é importante explicar que a peça que temos hoje é voltada às crianças.

Nivia: Para as maquetes não há idade definida. É interessante para qualquer idade.

Carta – Para que vocês usam as maquetes?

Nivia: Nós sentimos a necessidade de demonstrar. As pessoas, talvez, precisem se ver no contexto da comunidade. Então a gente coloca ali tanto os ambientes livres de criadouros da dengue como os que têm criadouros. E alguns lugares foram fielmente reproduzidos pelos ACAs. Eles copiaram alguns núcleos residenciais e mostram ali exatamente como estão esses lugares. As próprias crianças olham e podem identificar. Uma fala para a outra: ‘Olha, aqui na minha rua tem’. Acreditamos também que a cobrança das crianças junto aos pais é uma forma de mobilizar essa população.

Jebson: Infelizmente ainda existem bairros em que as pessoas jogam o lixo em qualquer lugar e a gente vê que mesmo tendo em algumas ruas, um lugar apropriado para as pessoas depositarem o lixo lá, que dali vai ser coletado, elas preferem, por comodismo, jogar no córrego, no terreno ao lado. Não sei o motivo, não sei responder se é um problema de autoestima. Isso acontece e esse lixo, depois que acumula água, vira criadouro. E aí não é só a dengue, mas também outras doenças transmitidas por insetos que vivem nesse ambiente. Além disso, ainda existem as recusas, principalmente em bairros onde há um melhor padrão de vida, nos quais a população não aceita a entrada das equipes de controle da dengue para orientar e verificar a existência ou não de criadouros, nesses bairros o maior problema são as caixas d´água mal vedadas que por não serem limpas periodicamente, os donos não sabem as condições em que se encontram.

Denize: Por isso as maquetes também mostram o interior de uma residência, onde pode haver criadouro do mosquito. Na caixa d´água, no trilho onde corre a porta do box do banheiro, a bandeja para recolher a água de descongelamento atrás da geladeira, no pratinho do vaso de planta, no vaso de planta aquática entre outros.

Nivia: Ainda existe muita gente que despreza a possibilidade de ter dengue e suas consequências. Há algum tempo dizia-se que “a dengue pode matar”. Hoje nós dizemos que “a dengue mata”. Em alguns lugares onde uma grande parte da população já teve dengue e a possibilidade de ter dengue hemorrágica ou dengue com complicações é maior, essa falsa impressão de que a dengue é inofensiva já não existe mais.

Dê a sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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2 thoughts on “Atividades de educação e comunicação marcam o período interepidêmico de Dengue no Distrito Noroeste

  1. eloisa costa on said:

    Pessoal do Núcleo !!!
    Agradeço muito a oportunidade e espaço concedidos na Carta. É muito bacana divulgarmos ações que qualificam nosso trabalho . Fiquei orgulhosa também na matéria Humaniza Norô.
    Obrigada,
    Eloisa Costa
    Coordenadora Visa Noroeste

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