Carta da Saúde

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Contaminações de postos de combustíveis são ameaça à saúde dos trabalhadores e da comunidade

SUS realiza em Campinas encontro nacional sobre Vigilância em postos de combustíveis

Em hotel no Jardim do Trevo, em Campinas, técnicos e gestores do SUS de todo o País e participantes de outras áreas

Semana passada, dias 25 e 26 de agosto, o SUS Campinas foi anfitrião do II Encontro Nacional de Vigilância em Postos de Combustíveis. Pessoas de todo o Brasil se uniram aos técnicos e gestores que atuam no SUS para tratar deste assunto. Também participaram da reunião o Ministério do Trabalho, através da Gerência Regional do Trabalho, Fundacentro e representantes do Sindicato dos Frentistas e outras instituições.

Para explicar a importância de Campinas ter sediado este encontro nacional, Andréa Tavares, coordenadora do Centro de Referência à Saúde do Trabalhador (Cerest), recebeu a reportagem da “Carta da Saúde” em um intervalo do encontro, na quarta-feira. Confira a entrevista completa:

Carta da Saúde – Qual o impacto da realização, em Campinas, do Encontro Nacional de Vigilância em Postos de Combustíveis?

Andréa – Fortalece o que o SUS Campinas é e representa em nível nacional. Porque existe um grande empenho em se articular as ações de Saúde. Temos feito trabalhos integrados entre Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, entre eles está o projeto dos frentistas e hoje podemos compartilhar com os outros municípios esse nossa experiência. É também importante para a Rede SUS Campinas, poder acolher as experiências de outros estados e municípios que aqui estão.

Carta da Saúde – Você quer dizer que, além de ser cidade-sede deste encontro, também existe aqui um reconhecimento à vanguarda da cidade nesta área?

Andréa – Penso que sim, pois temos profissionais envolvidos e comprometidos com a saúde pública. É também uma oportunidade de valorizar as ações intra e intersetoriais, envolvendo a Secretaria de Saúde e outras áreas, inclusive interinstitucionais. Essas parcerias são fundamentais para impulsionar as diversas políticas públicas. E a participação do controle social nesse processo  é sem dúvida o fio condutor para o bom desenvolvimento desse projeto, para isso contamos com a participação do sindicato dos frentistas.

Carta da Saúde – Como que os trabalhadores da Saúde podem participar deste conjunto de ações?

Andréa – Esperamos sensibilizar os profissionais de saúde quanto aos riscos à saúde que a população atendida pode estar exposta, incluindo a exposição no ambiente de trabalho e nas áreas de moradia que podem estar em áreas contaminadas. Para que seja valorizada a informação sobre a exposição química e considerado os prejuízos para a saúde. E que eles saibam que podem contar com a retaguarda de profissionais e serviços para diagnóstico e conduta. Solicitando auxílio dos serviços de referência , como o CEREST , além de toda retaguarda da vigilância, VISAs e COVISA, entre outros, contando com todo aparato que o SUS de Campinas pode oferecer.

Carta da Saúde – Há um trabalho educativo que o SUS Campinas desenvolve junto às unidades nesta questão da contaminação por produtos químicos já há alguns anos. Quem não acompanhou este processo desde o início e está num Centro de Saúde, num Pronto-Socorro, ou numa unidade de referência e deseja saber mais, como fazer isso de forma organizada?

Andréa – A pelo menos uns dez anos, o SUS Campinas vem desenvolvendo de forma mais intensa ações para estruturar um acompanhamento a trabalhadores e populações expostas as áreas contaminadas. Incluindo a elaboração de protocolos e fluxos de encaminhamentos. Os profissionais da Saúde que necessitarem dessas informações podem entrar em contato com as Visas Distritais, com a Covisa, ou mesmo com o Cerest, por e-mail ou telefone. Por exemplo, diante de uma suspeita de área contaminada ou agravos decorrentes dessa exposição, necessidade de discussão de caso ou denúncia de alguma irregularidade … E assim juntos poderemos compartilhar nossos aprendizados.

Carta da Saúde – Para encerrar nossa entrevista, gostaria que você falasse mais dessa parceria da Vigilância Ambiental com a Saúde do Trabalhador.

Andréa – Saúde ambiental e saúde do trabalhador são áreas que se interagem, estão ligadas. É uma forma de fortalecer as ações. Porque o trabalhador e a questão ambiental, pela nossa sociedade, ainda são muito discriminados. São temas deixados de lado, como se não fossem importantes, ainda tratados com muito preconceito. E quando essas duas áreas se articulam, elas potencializam essa discussão. O grande desafio é colocar em pauta esse tema, poderemos avançar muito mais se investirmos em prevenção. Dependendo  do caminho a ser percorrido, ele pode trazer reflexos positivos ou negativos ao sistema de saúde, ao sistema previdenciário e para a economia do País. De fato não é uma discussão fácil, pois não é apenas técnica, ela envolve questões éticas e políticas que refletem as relações de poder na sociedade.

Dê sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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One thought on “Contaminações de postos de combustíveis são ameaça à saúde dos trabalhadores e da comunidade

  1. Li a resportagem e a matéria da carta,
    além de ser parte deste projeto e me sentir contemplada pelo espaço oferecido pelo grupo de comunicação e ao aconteudo abordado neste tem tão novo que é a vigilãncia em postos de cmbustiveis, estou orgulhosa de fazer parte deste projeto, e poder contribuir com esta proposta. Parabéns ao grupo e ao CEREST pela delicadeza da abordagem,

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