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Caps Integração e CS Campo Belo já funcionam em novos endereços

A Secretaria de Saúde de Campinas inaugurou no dia 28,quarta-feira, o Centro de Saúde do Jardim Campo Belo (Sul) e no dia 29, quinta feira, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Integração, na Vila Castelo Branco (Noroeste), a Carta da Saúde estava lá para conferir e compartilhar da festa. Estiveram presentes o prefeito, Hélio de Oliveira Santos, o Secretario José Francisco Kerr Saraiva, trabalhadores, gestores, usuários, associação de moradores, conselheiros locais e municipais de saúde.

No Campo Belo, na quarta, o prefeito destacou um elemento simbólico: “Que é o fato de que este novo prédio reafirma a condição de que ninguém mais vai sair daqui”. Ele se referia ao fato de que até 2005 a comunidade vivia  com a perspectiva da desapropriação. Saraiva ressaltou a ampliação e a qualificação do atendimento aos pacientes, além das melhores condições de trabalho à equipe. Patrícia Sordi Rigo, coordenadora da unidade, assim como Valéria Romero, coordenadora do Distrito de Saúde Sul, comemoraram a conquista para usuários e trabalhadores.

Na quinta, o prefeito destacou Campinas como município pioneiro em implementar as diretrizes da reforma psiquiátrica no Brasil. Saraiva explicou que o SUS Campinas tem dez Caps, seis deles com leitos 24 horas, além de enfatizar que hoje a Secretaria de Saúde interna 350 pacientes por ano contra  1.300 internações em 2001. Sônia Falcão de Sousa Bianchin, terapeuta ocupacional coordenadora do Caps destaca ainda o acesso facilitado à rede de saúde da região: CS Integração, Centro de Convivência e Cooperativa (Ceco) Toninha, Casa das Oficinas e Praça dos Trabalhadores.

Campo Belo

Patrícia, festejou, a conquista do novo espaço para o Centro de Saúde. “Para os funcionários é de grande importância que gente tenha, agora, um lugar adequado para trabalhar com uma ambiência muito melhor. A equipe está muito contente em estar vindo para um lugar em que a gente consegue organizar o processo de trabalho, melhorando o atendimento e  melhorando o acolhimento para a população aqui dentro da unidade”, afirmou.

Ela recebeu a “Carta da Saúde” para entrevista minutos após a entrega oficial do prédio à população do Campo Belo. “Para o usuário tem um ganho muito importante. É uma mudança total, o local, o acesso. Ao sairem de um espaço totalmente inadequado eles  vão se sentir melhor no ambiente, ao entrar,  olhar, e ser acolhido aqui dentro”.

“Durante cinco anos nós funcionamos naquelas instalações. Embora fosse um Módulo de Saúde nós vínhamos, nos últimos dois anos, realizando as atividades de um Centro de Saúde. Mesmo sem espaço, trabalhando em salas emprestadas estávamos fazendo os grupos de prevenção, os atendimentos individuais à população, os acolhimentos, triagem de risco, imunização, campanhas de vacina, a gente já realizava tudo isso naquele espaço menor”, lembra.

Usuários

Neusa Pantaleão Lucas, moradora do Campo Belo, dona de casa, considera uma conquista “maravilhosa”. “… Aqui no Campo Belo nós estávamos esquecidos. Por causa da conversa da desapropriação, nós não temos muitas coisas, mas temos muitos problemas. Então, estamos torcendo a favor, estamos ajudando, eu ajudo aqui na Associação de Bairro. E vou dizer a verdade, daqui do Centro de Saúde eu gostei de tudo, mesmo”. Ela usa o Centro de Saúde há cerca de um ano, já fez exames e teve encaminhamento para cirurgias através do Centro de Saúde Campo Belo.

Edna da Cruz, moradora e dona de casa, foi ao local na quarta para a festa e também para o atendimento na unidade de saúde. “Aqui é melhor que o outro lá. Tem mais espaço”. Ela disse que não se sentia bem no local em que CS funcionava anteriormente. Raimundo Nonato Bezerra, ajudante geral, morador do Campo Belo, achou melhor o espaço do Centro de Saúde e espera que a qualidade da estrutura física do prédio  continue igual ao esforço dos trabalhadores e gestores em não deixar a população desassistida. “Não adiantaria ter uma bela estrutura sem um bom atendimento”, afirma.

Valéria Romero, coordenadora do Distrito de Saúde Sul: “É uma grande conquista, não só dos trabalhadores, mas dessa população e dos gestores que estão até hoje. Essa unidade foi inaugurada como Módulo de Saúde em 2004, no dia 21 de agosto,  começamos com um médico de saúde da família, cinco auxiliares de enfermagem e uma enfermeira. Hoje essa enfermeira coordena o Módulo do Jardim Fernanda, que vai se tornar um Centro de Saúde e  conseguimos de fato, a coordenação desta unidade aqui, em 2007”, contou.

“Ter um espaço como esse, onde posso oferecer condições de humanização, condições de trabalho e condições de atender a essa população com trabalhadores qualificados é tudo que a gente precisava . É uma população que durante mais de 30 anos ficou excluída. E o primeiro serviço que chega é esse módulo. Começa com o São Domingos em 1997, quando é inaugurado o CS São Domingos. Está sendo um presente para todos e também para mim que ajudei a construir essa história desde que vim para o distrito em 2000. Esta é uma história importante, a deste Centro de Saúde”.

Integração

 Durante a inauguração do Caps Integração, na quinta-feira, o prefeito Hélio de Oliveira Santos reforçou o papel da construção da Saúde Mental no Brasil e o exemplo de Campinas: “O Caps é um grande instrumento, o atendimento domiciliar é um processo claro de retorno e inserção desta pessoa acompanhada, para que ela se insira na sua família, na sua comunidade e no mundo do trabalho”, afirmou.

O prefeito disse ainda: “Eu venho lá de trás, eu sou daquela família que necessitava desse tipo de atendimento há meio século atrás, um pouco mais, e que naquela ocasião não tinha outra expectativa a não ser a sanatorização das pessoas. Era uma coisa muito complicada e eu senti isso na pele desde a tenra idade”, revelou.

Crack

O prefeito afirmou estar diante de um desafio: “Nós não podemos nos acomodar. Existe sempre, a cada quarto de século, alguns desafios e o nosso desafio todo mundo sabe qual é … É essa epidemia social do crack. Esta epidemia com que nós estamos convivendo diuturnamente e para a qual nós temos de nos preparar de uma maneira diferenciada. Eu não digo diferente, mas diferenciada. E que começa com os nossos profissionais, começa com a própria administração pública estabelecendo determinados modelos para que nós, nesse aprendizado, possamos ser projeto piloto para o Ministério da Saúde”.

Ele citou o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão: “O ministro da Saúde, que várias vezes aqui esteve, este grande ministro que é o ministro Temporão, dizia: ‘Quero ver se com esse complexo Ouro Verde, com os Caps, particularmente os Caps de Álcool e Drogas, e com a experiência dos senhores, que é uma experiência reconhecida nacional e internacionalmente vocês possam redesenhar o modelo, um modelo de intervenção, de interação, coletiva, comunitária, construindo isso em cima de outra relação profissional de saúde e usuário e lembrar que não basta somente aqueles momentos de atendimento emergencial, não basta somente aqueles momentos de atendimento ambulatorial, tem que ver ao longo da vida deste usuário para que não haja um retorno a médio prazo, dois, três, quatro, cinco anos, a este mundo de exclusão. Então este é o grande desafio que eu vejo hoje, colocado pelo Ministério da Saúde e eu tenho certeza que o conjunto da Saúde Mental de Campinas vai dar uma resposta e essa resposta, ela vai servir como referência, mais uma vez nacional”.

E encerrou com um elogio: “Eu quero parabenizar a Secretaria da Saúde, esses profissionais, porque não é fácil. E eu acho que nós vamos dar um salto de qualidade na questão do crack. Campinas já adquiriu uma experiência para ser reproduzida nesse país porque esta situação é uma situação muito grave. Em todos os quatro cantos deste País que se vá, em todas as capitais ou regiões metropolitanas esse é hoje o grande grito que as famílias, que as mães estão dando e também os próprios usuários”, disse.

Potência

Sônia Falcão de Souza Bianchin, terapeuta ocupacional, coordenadora do Caps Integração comemorou: “É um local que foi totalmente pensado para ser o Caps Integração, com assistência noturna, leitos adequados, e toda a estrutura para o trabalho de grupo, de programação. Também estamos em um  território onde conseguimos boa integração com a praça, com a geração de renda, muito na circunferência, muito próximos. Isso vai potencializar muito o trabalho. Saímos de uma estrutura que era a de um prédio alugado, apenas adaptado e que já estava desatualizado. O que melhora, sem dúvida, é principalmente o acolhimento para os usuários e o ambiente para todos”, disse.

Integralidade

“É um momento muito importante. Tenho catorze anos de Caps, acompanhei em outras estruturas e fomos crescendo com essa missão de ser efetivamente substitutivo à internação, de conseguir assumir essa responsabilidade de cuidar em liberdade, Esse momento é ímpar e está muito próximo daquilo que foi pensado em relação à desinstitucionalização, na reforma psiquiátrica”, disse.

Sônia destaca a integralidade no atendimento: “Nós temos isso comprovado estatisticamente, os usuários que frequentam o Caps, o Centro de Saúde, o Centro de Convivência e a Geração de Emprego e Renda conseguem ficar estáveis sem utilizar os leitos, porque eles são atendidos em outras necessidades e não ficam só com medicação. Isso resulta também na redução do uso de leitos. Por isso é muito importante a parceria e a inclusão desses usuários em projetos terapêuticos que vão trabalhar outras questões, que não só as agudas, mas as de reabilitação”.

Chique”

As novas instalações foram aprovadas por gestores e também colaboradoras. Uma delas é Débora Barbosa Mazaro, moradora do bairro e colaboradora do Caps, do Centro de Convivência Toninha e da Casa de Cultura Tainã: “Isso é maravilhoso. Eu vivo e convivo com pessoas que usam aqui e isso aqui é maravilhoso. Eu olho e vejo as expressões dos rostos deles que são de uma alegria só”.

E o novo Caps Integração agradou também os maiores interessados em seu bom funcionamento. É o caso de J.L.S., 42 anos, usuário do Caps Integração há um ano e cinco meses: “Essa inauguração foi uma boa porque o lugar fica melhor para os usuários. Se a gente teve um trauma, um estresse, uma depressão, a gente passa aqui por uma fase, por um tratamento, a gente sai daqui e vai para a casa, da casa vai para o trabalho. O prédio em si está chique, bonito, com cores vivas decoração de bom gosto, iluminação certa, esta chique”.

Dê sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

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3 thoughts on “Caps Integração e CS Campo Belo já funcionam em novos endereços

  1. Jane Dias on said:

    Parabéns equipe da Comunicação a nossa Carta está cada vez melhor!
    Bjo, Jane

  2. Pingback: Inaugurando! « SUS Campinas . Núcleo de Comunicação

  3. Francisca on said:

    Parabéns a equipe de comunicação pela eficiência e eficácia…sejam sempre assim!

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