Carta da Saúde

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Atenção básica, Caps e consultórios de rua ampliam atenção ao morador de rua

O médico psiquiatra Deivisson Vianna Dantas

Deivisson Vianna, médico psiquiatra, apoiador da área de Saúde Mental na Secretaria de Saúde concedeu entrevista à “Carta da Saúde” na manhã de segunda-feira, dia 19. Ele recebeu a reportagem no Departamento de Saúde e falou sobre as novidades da Rede SUS Campinas, inclusive para a população que vive nas ruas e atualmente é abordada pelo Programa “Bom dia morador de rua”, desenvolvido pela Prefeitura de Campinas. Sobre a atenção a esta população e o que já vem sendo realizado pelo pelo SUS Campinas ele destacou o papel da atenção básica, do Programa Saúde da Família Paidéia, dos Caps Álcool e Outras Drogas e comentou sobre as novas propostas em curso : As casas de passagem, o consultório de rua e a ampliação de redutores de danos. Na sequência, a íntegra desta entrevista:

Qual é a política da Secretaria Municipal da Saúde de Campinas para usuários de álcool e drogas?

A primeira questão importante é entender que os problemas relacionados ao álcool e outras drogas, não são problemas de uma especialidade, eles são um problema de Saúde Pública, porque afligem de dez a doze por cento da população adulta. Então se pensarmos a questão do álcool e outras drogas como sendo só de saúde apenas, ou pior, como  um problema de Saúde Mental apenas, vamos ter que contratar muitos psiquiatras, muitos psicólogos, muitos terapeutas ocupacionais, e nunca será suficiente. Nós, enquanto Secretaria de Saúde, entendemos esta questão como um problema de saúde pública que demanda uma articulação com outras secretarias. Então, dentro desse contexto, qual é a política atual?  É fortalecer a Atenção Básica, não é? Se a este cidadão com problemas de álcool e outras drogas não for oferecido acesso ao seu médico de saúde da família ou  se uma mulher não puder ser encaminhada a um ginecologista, ou possa ter acesso à saúde bucal, não estaremos oferecendo nenhum tipo de atenção a essa população. Em relação à saúde mental, hoje contamos com 32 equipes de saúde mental lotadas exclusivamente para a Atenção Básica para ajudar esse clínico, esse ginecologista, esse dentista que eu apontei a manejar esses casos mais difíceis de álcool de outras drogas. Se os casos forem mais graves a gente tem os Caps. Hoje no município contamos com dois Caps que são especializados no tratamento das questões de álcool e outras drogas mais graves. Então pode-se entender: “Poxa, eu tenho só dois serviços para atender álcool e outras drogas?”. Não! Temos a Atenção Básica,  temos as 140 equipes da Atenção Básica para atender a essa questão, agora quando o caso for mais grave, essas equipes contam com a possibilidade de encaminhamento e compartilhamento dos casos com esses Caps AD. Hoje, a Secretaria planeja a abertura de um terceiro Caps AD, para melhorar essa cobertura. Essa proposta de um terceiro Caps AD já foi aprovada e já saiu em “Diário Oficial” de 3 de junho de 2010, mas estamos aguardamos o repasse financeiro, a ser realizado adequadamente para o nosso parceiro que é o Cândido Ferreira, que executa essa implementação. A segunda medida, mais especializada em álcool e drogas, é a montagem de casas de passagem. O que que é isso? São locais onde o usuário de álcool e outras drogas que é  morador de rua, por exemplo,  que não tem nenhum vínculo familiar ou que esse vínculo se rompeu há pouco tempo,  possa ter um tempo curto de 45 a sessenta dias para reorganizar a sua vida. Desta maneira, suspender o uso da substância química e iniciar um tratamento e, se por exemplo, ele não tiver casa para onde retornar, será encaminhado para serviços da Secretaria de Assistência Social, com a qual estamos estabelecendo um bom vínculo intersetorial, para que ele possa se encaminhado a um abrigo, república etc. Uma outra medida interessante foi a contratação de agentes redutores de danos. Quem são eles? São profissionais da saúde que trabalham na rua, naqueles lugares de dificil acesso profissional, como nas rodas de uso de drogas, e com a população de rua, conscientizando dessa questão, e criando vínculo com essa população o que a longo prazo facilita muito o encaminhamento para o tratamento. E a quarta e última medida, mais focada nas ações especializadas é a programação e implementação de uma equipe de consultório de rua. Este projeto já foi aprovado pelo Ministério da Saúde e atualmente em fase de implementação, em conjunto com os distritos envolvidos. A proposta é ter uma equipe de saúde com médico incluído com capacidade de atendimento na rua, para a população em situação de rua. 

Esta era a segunda pergunta da “Carta”, sobre a atuação junto ao povo da rua. Você pode explicar melhor?

Com relação à atenção básica, a gente aponta e acha necessário ampliar a cobertura do Saúde de Família na cidade que hoje é de 40%. Para tanto, tem-se em vista um concurso público para a contratação de agentes comunitários de saúde, já que não dá para combater esse problema só com a especialidade em saúde mental, porque tão importante quanto o  tratamento é a conscientização e o combate ao preconceito. Em muitos casos  o usuário de álcool e outras drogas, não consegue fazer o tratamento de hepatite, por exemplo, e acaba morrendo por isso. Porque a dependência, em si, não mata. O que mata são as outras doenças, em decorrência da dependência. Agora, em relação às ações especializadas, nós na secretaria, definimos as estrategias para a política e a execução e a implementação dessas ações serão feitas pelo nosso parceiro, que é o Serviço de Saúde Doutor Cândido Ferreira. Nós já acrescentamos, na renovação do convênio com o Cândido, a abertura do Caps AD, a contratação de agentes redutores de danos e a montagem das casas de passagem. O convênio foi aprovado, com o valor completo, já está em “Diário Oficial”, os redutores de danos já foram contratados, já estão em atividade, as casas de passagem já foram alugadas pelo Cândido e estão em fase final de implementação.  Agora, como já disse anteriormente a abertura de um novo serviço, de referência em álcool e outras drogas, foi aprovado, mas ainda falta o repasse financeiro pela Prefeitura.

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3 thoughts on “Atenção básica, Caps e consultórios de rua ampliam atenção ao morador de rua

  1. Naoko Silveira on said:

    Precisamos juntar esforços, tentar otimizar pra tratar as pessoas moradoras de rua com tuberculose dentro deste novo formato, nessa nova iniciativa, pois têm sido eternos dramas insolúveis, mobiliza a todos e que levam a óbito! Trabalhar a intrasetorialidade dentro da Saúde pode ser um desafio para nós.

  2. Paulo André on said:

    e sobre os Centros de Convivência…nenhuma palavra; nenhuma linha.

  3. Nelson Figueira Júnior on said:

    Parabéns para o serviço de Saúde Mental de Campinas que cada vez mais se destaca como uma referência na área.

    abç

    Nelson Saude Mental/DRS Campinas

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