Carta da Saúde

Notícias do SUS Campinas

Vigiágua lança informe e Centro de Saúde Caic/Vila União do Distrito Sudoeste desencadeia ações de controle da água

Janete e Ivanilda que atuam no Programa Vigiágua

A qualidade da água usada no cotidiano é fundamental para promover saúde, reduzir vulnerabilidades, evitar doenças. O Programa de Vigilância da Qualidade da Água (Vigiágua) é desenvolvido em Campinas para reconhecer e detectar riscos à saúde humana devido ao consumo de água de qualidade ruim. O Programa Vigiágua está sob responsabilidade da Vigilância Ambiental da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (CoVisa) da Secretaria. Através dele é articulada uma rede de serviços atentos a esta questão.

Na região atendida pelo Centro de Saúde Caic / Vila União, por exemplo, está em andamento um conjunto de ações disparadas pela notificação realizada por esta Unidade Básica de Saúde (UBS). Na semana que passou, Ivanilda Mendes e Janete do Prado Alves Navarro, ambas agentes de vigilância em saúde e tecnólogas em saneamento receberam a reportagem da “Carta da Saúde” na CoVisa, em princípio para explicar a importância do último Informe Técnico do Vigiágua, que foi concluído em junho e vem sendo disseminado através da rede de serviços públicos que permeiam a atuação do Vigiágua. Durante a entrevista, no entanto, outros assuntos foram trazidos à tona. Confira na seqüência: 

Qual a importância para os trabalhadores do SUS Campinas deste Informe Técnico do Programa Vigiágua?

Ivanilda – Eu acho que, inicialmente, é de a rede conhecer o  Vigiágua, e conhecer os resultados para este monitoramento do sistema público, no caso, a Sanasa. O nosso sistema, a nossa rede conhecendo esses resultados, poderá continuar atenta aos agravos que chegam na Atenção Básica, porém, mais do que a nossa Rede SUS, esse boletim informativo tem o objetivo de informar a comunidade. Nós costumamos trabalhar muito com a participação da comunidade para que ela também tenha acesso a essas informações, para que ela saiba com que qualidade a água está chegando em sua residência, e consiga olhar para isso e opinar, e principalmente, ter a consciência da responsabilidade que é manter limpos e em condições os seus reservatórios para que esta água chegue ao seu consumo com a qualidade do nosso sistema público.

Quer dizer que as unidades de Saúde de Campinas podem, de posse dessas informações, divulgar e estimular a disseminação destas informações em suas comunidades?

Ivanilda – Podem e devem. A unidade pode trabalhar essas informações tanto com seus Conselhos de Saúde como com as comunidades compreendidas em seu território. 

Pelo que o Informe traz, a qualidade da água é tão boa que dá para beber direto da torneira. O que é importante, então, que a comunidade saiba, mesmo com toda esta qualidade?

Ivanilda – Que pode acontecer algum imprevisto, por exemplo, o rompimento da rede de abastecimento e essa água pode vir a ser comprometida ou ter mudado o seu padrão de qualidade. Quando a comunidade percebe isso deve, ou informar o Centro de Saúde, ou a Vigilância distrital de sua região, ou mesmo a própria Sanasa (0800 – 7721195). Também é importante que ela entenda que a água pode chegar boa até o seu cavalete, mas que se ela não fizer a manutenção adequada de seu reservatório, essa água pode vir a se comprometer dentro de sua residência, dentro da sua caixa d´água, e passa a ter um risco neste consumo. É importantíssimo que sejam observadas essas questões. Havendo alguma alteração na cor ou na característica da água, a primeira coisa a fazer é verificar se o reservatório está limpo, o reservatório de sua residência, e se for numa torneira de entrada da casa pode avisar a Vigilância e também entrar em contato com o Centro de Saúde, sendo  possível coletar uma amostra dessa água no cavalete. Mas sempre lembrando que a qualidade da água, dentro da residência, é responsabilidade do morador.

Janete – Existe uma questão legal, uma lei federal que coloca para todo o país a obrigatoriedade dos serviços de abastecimento público de água informarem em suas contas de água, entregues aos munícipes, a qualidade desta água. Mas há um problema, essas informações nem sempre são de fácil entendimento, a questão da qualidade da água é extremamente técnica, por isso é preciso um certo conhecimento para entender esses resultados. Ou então uma tradução. O que a Ivanilda faz aqui é exatamente essa tradução de  termos técnicos para linguagem que possa ser facilmente entendida e questionada pela população.  A importância de um boletim como esse é a de promover um bom entendimento das informações, seja na Unidade Básica de Saúde, seja no nível central, na indústria, entre a população de uma maneira geral, para que ela possa questionar que, se a água vem de uma nascente, qual é a qualidade desta água, qual a importância de eu saber sobre a turbidez da água, se a cloração é importante ou não. O boletim traz informações com relação às análises, aspectos de amostragem, mas ela também faz uma definição do que significa cada padrão, cada parâmetro analisado.

Como é esta questão de um bairro que tem rede de abastecimento de água, mas que em algum período do dia sofre uma queda no fornecimento de água. Este problema estimula as pessoas a usarem água de nascentes e fontes contaminadas?

 Janete – Essa é uma questão cultural. O uso de águas de nascentes está intrínseco à cultura da população, de que é uma água melhor, mais leve, mas limpa, mas saudável. O que é importante para nós, enquanto órgão de saúde pública, é dar esses devidos esclarecimentos. A água, enquanto produto de abastecimento público, ela pode sofrer alterações ambientais de várias ordens. Se na rede da Sanasa, em Campinas, houver um acidente, essa água pode vir a ser contaminada. Ou uma nascentes que participa de um lençol freático que sofreu algum tipo de interferência porque houve algum tipo de construção nas proximidades, houve algum tipo de vazamento de produto químico, ela pode ser contaminada também.No caso das águas de nascentes, elas são águas vulneráveis.

Mas não são as únicas fontes alternativas de água …

Ivanilda – Aqui no município de Campinas nós temos abastecimento de diversas formas, nós temos um sistema publico que atende 98% do município, mas mesmo assim pelo custo que essa água significa para o município, para alguns tipos de uso, para alguns tipos de estabelecimento, como estabelecimentos de grande porte, é comum o uso de poço, através de água subterrânea, principalmente no comércio e na indústria, como também é muito comum o uso de abastecimento através de carro-pipa. Isso é um problema para a saúde pública, essa água também tem que ser controlada pelo vendedor desse produto, é importante que os estabelecimentos que adquiram essa água cobrem o laudo analítico dessa água da empresa de que ele está adquirindo. Isso não é um fato recorrente, as pessoas precisam entender que estão comprando algo e devem exigir, como de qualquer outro produto, uma certificação de qualidade. Cabe à Vigilância vigiar esses locais que vendem e isso é feito aqui em Campinas. Assim sendo, os principais tipos de abastecimento, fora o sistema público, é o poço profundo, o carro-pipa, e alguns casos, nas regiões mais periféricas, de classe menos favorecida, o uso do poço individual, aquele que é o poço do seu José, da dona Maria, e as nascentes, pelos hábitos culturais como já foi dito, ou em alguns momentos quando falta água ou porque estão entre aqueles 2% que não são abastecidos pela Sanasa. Nós temos uma população urbana que representa 2% do total da cidade que ainda não consegue ser abastecida pela Sanasa.

Então reafirmando, a Rede SUS deve estar atenta aos problemas de saúde da população verificando aqueles que podem ser ocasionados pela má qualidade da água?

Ivanilda – Exatamente. Nós estamos até com um caso de investigação numa área de um Centro de Saúde, o Centro de Saúde do Caic, em que a unidade conseguiu fazer essa escuta qualificada. Através de uma notificação de um caso de leptospirose, foi identificada uma região com 25 poços, e neste local, o Programa de Vigilância da Água está realizando, em conjunto com a Sanasa, um estudo e um diagnóstico para poder, além de analisar a qualidade da água desses poços, estender a rede pública até este local. Esse é um trabalho que foi realizado a partir da atuação de um Centro de Saúde, a gente chama a atenção para essa escuta, mas a nossa rede já tem esse olhar qualificado, essa demanda chegou através do Centro de Saúde do Caic e ela está caminhando para uma discussão com a rede. Essa é uma população que faz parte dos 2% que não são atendidos pelo município em água tratada. E devem passar a ser abastecidos, ainda este ano. Se possível, a equipe, junto com a Vigilância local e a Covisa levaram esta discussão para a Sanasa.

Dê sua opinião: comunica.smscampinas@gmail.com

Single Post Navigation

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: