Carta da Saúde

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Projeto do Centro de Saúde Floresta chega aos 8 anos trabalhando vulnerabilidades da Juventude

Equipe do Centro de Saúde Floresta

Equipe do SUS que recebeu a reportagem da "Carta da Saúde no Floresta

No Floresta, Centro de Saúde da Noroeste, através do Projeto Fala Jovem, a equipe consegue trabalhar as diferentes vulnerabilidades dos adolescentes, como a violência, a gravidez precoce ou indesejada, as doenças sexualmente transmissíveis. Entre as adolescentes grávidas, estimula-se o auto cuidado e garante-se a assistência através da parceria efetiva com a sociedade civil organizada.

“São oito anos de projeto e não dá para saber quantas pessoas já foram beneficiadas”, diz Francisca Francylete da Silva, Agente Comunitária de Saúde (ACS) que atua no Fala Jovem. Ela e a equipe do Floresta receberam a reportagem da “Carta da Saúde” na tarde de terça-feira para uma entrevista nesta unidade pública de saúde que está sempre cheia de jovens e gente de todas as idades. Confira:

Carta da Saúde – Francisca, você pode explicar como funciona o Projeto Fala Jovem do Centro de Saúde Floresta?

Francisca – O Projeto Fala Jovem é um trabalho desenvolvido em parceria com os meninos do Movimento Hip Hop. Atualmente trabalhamos diretamente com 30 adolescentes, com o objetivo que se tornem multiplicadores. São oito anos de projeto e não dá para saber quantas pessoas já foram beneficiadas. Nós fazemos grupos, nós os sensibilizamos para que eles tenham conhecimentos. Adquiram conhecimentos para que se previnam das doenças sexualmente transmissíveis, de uma gravidez indesejada ou num momento inadequado, uma gravidez precoce. Nós nos esforçamos para que essas pessoas elevem a sua auto estima, e tenham noções de cidadania e de seus direitos.

Carta da Saúde – Como o projeto é desenvolvido no dia a dia da equipe?

Francisca – Basicamente são oficinas. A gente também recebe demandas das escolas. Atualmente trabalhamos no Núcleo de Criança e do Adolescente da Secretaria Municipal de Cidadania, que são basicamente adolescentes aqui da nossa área de abrangência do Floresta. No momento estamos com adolescentes entre onze e catorze anos. Ao desenvolvermos as oficinas, ficamos atentos às demandas do grupo. De início, fazemos uma boa apresentação e no decorrer, realizamos um questionário e propiciamos uma situação em que eles demonstram os temas dos quais querem tratar, os assuntos que eles querem aprender e conhecer. E é através destas demandas, trazidas por eles, que nós desenvolvemos as atividades.

Carta da Saúde – Desde quando este trabalho é realizado, assim de forma sistemática e como ele começou?

Francisca – Ele começou como projeto de prevenção às DSTs e à Aids. Era um projeto para trabalhar a questão da Aids. Com as demandas e o conhecimento da realidade das comunidades com que a gente trabalha tivemos de começar a abordar questões mais amplas de promoção à saúde. Aí veio a questão da violência urbana, da violência doméstica, da violência sexual, pedofilia, ou seja, toda a vulnerabilidade à qual a nossa juventude está exposta. Tudo aquilo que eles trazem e demonstram que estão suscetíveis. Por isso a opção por trabalhar a cidadania, que eles conheçam seus direitos, que conheçam, por exemplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente. A gente já firmou parceria com o pessoal do Cedap, do Centro de Referência em DST/Aids, com as lideranças do Movimento Hip Hop, com escolas, e com o Núcleo. A gente não tem pernas para trabalhar sozinhos.

Carta da Saúde – Vocês trabalham com escolas?

Francisca – Sim. Neste momento nós estamos com a Hugo Penteado Teixeira, e a gente até extrapola a nossa micro-área, já trabalhamos com a escola Galiego que nem é de nossa área de abrangência. Temos a perspectiva de demonstrar o nosso projeto para escolas do município de Hortolândia. A idéia é que a cidade conheça e possa escolher um modelo para aplicar lá, de acordo com as peculiaridades daquele município.

Carta da Saúde – Sim, vocês acessam os adolescentes que estão nas escolas e aqueles jovens que nem a escola frequentam?

Francisca– Sem dúvida é mais complicado e uma das formas é através dos adolescentes que estão nas escolas e que já conhecem o projeto. Eles se comunicam, e por isso, trabalhamos com lideranças deste movimento social que é o Movimento Hip Hop. Além disso, nós conhecemos o território e convidamos as pessoas a acessarem o Centro de Saúde, a se informar deste projeto. Também trabalhamos muito aqui a intersetorialidade, com o Jovem.Com, o Ação Jovem, de uma certa forma. Mas é importante que as pessoas saibam que, quando a gente encaminha um jovem para o Cras São Luiz (unidade da Secretaria Municipal de Cidadania), ali a gente identifica em quais projetos sociais ele pode ser contemplado e ainda tentamos, com este contato, trazê-los de volta ao ambiente escolar, que consideramos mais adequado. Durante algum tempo também houve a produção de alguns eventos. A gente sempre tenta realizar. Este ano ainda não fizemos nenhum. Mas até o encerramento deste ano devemos fazer. Em nossos eventos realizamos oficinas de dança, de música, e shows de rap mesmo. Isso já foi feito em outros momentos e percebemos que a realização deste tipo de evento diminui a distância entre o jovem e o SUS. Agora estamos num momento de cobrança. Quando a gente sai às ruas, os adolescentes nos cobram: “Quando vai ser a próxima?”. Principalmente os meninos do Hip Hop.

Carta da Saúde – Qual o impacto destas ações?

Francisca – A gente percebe claramente o impacto no fluxo do Centro de Saúde, na recepção, no volume de consultas. Eu também ouço os relatos dos colegas, principalmente da ginecologista e das profissionais que fazem o acolhimento das mulheres é que, principalmente as meninas, elas acabam tendo uma porta de entrada mais acessível. Ou seja, elas nos procuram mais e passam a se cuidar mais. E muda também o acesso à camisinha e às informações, em geral, sobre saúde e auto cuidado.  Os jovens passam a procurar pessoas adequadas para lhes dar informações. Muitas vezes a gente é parada na rua para tirar essas dúvidas que eles têm.

Carta da Saúde – Há também uma orientação sobre o planejamento familiar? Pergunto isso por dois motivos: Pode haver uma decisão da ou do jovem de ter um filho mesmo sendo adolescente, ou simplesmente, a menina já está grávida, e agora, o que ela faz? Ou, o menino adolescente que descobriu que vai ser pai. Como vocês tratam dessas situações?

Francisca – Aqui no Centro de Saúde Floresta nós temos um grupo de gestantes, onde as meninas são contempladas quando acontece de estarem grávidas. Há uma interface. Somos pessoas de uma mesma equipe, de um mesmo Centro de Saúde. Há adolescentes que participam do Fala Jovem e também do grupo de gestantes, quando é o caso. Algumas, dependendo da situação social, encaminhamos, caso ela queira, a uma instituição, é uma casa de apoio que trabalha especificamente esta questão, situada na Avenida Irmã Serafina, no Centro. É uma instituição ligada a um grupo kardecista. Lá, além de encontrar pessoas com um bom preparo para apoiá-las neste momento, têm acompanhamento psicológico, e multidisciplinar. E o que é mais interessante, é que elas não desvinculam do Centro de Saúde, que acompanha todo o processo delas. Elas acabam ficando em vários grupos, tanto aqui na unidade, como na instituição. O de gestantes é a Shirley e a Lucimara que desenvolvem. Quero fazer uma ressalva, temos parceria com esta instituição, de pessoas que têm sua espiritualidade, mas que não impõem nada ao nosso jeito de trabalhar, que está em sintonia total com os preceitos do Sistema Único de Saúde, o SUS. A gente toma este cuidado. Apesar de ser uma instituição de um determinado segmento religioso, se é que eu posso dizer assim, existe um respeito aos direitos humanos, e principalmente às questões de sexualidade e religiosidade das meninas. A receita é seguir os fundamentos do SUS e a integração com a sociedade civil organizada.  Respeitamos os direitos e nos orientamos pelas diretrizes do SUS. Tentamos, com isso, a melhor qualidade com os recursos que conseguimos através da intersetorialidade. Nossa região é carente de muita coisa e a gente acaba encaminhando mesmo, quando necessário, os adolescentes para outras regiões, outras instituições, pois se a gente ficar só aqui dentro, reclamando, a gente acaba é não fazendo nada.

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1 pensamento em “Projeto do Centro de Saúde Floresta chega aos 8 anos trabalhando vulnerabilidades da Juventude

  1. Naoko Silveira em disse:

    Alô Francisca e toda a equipe do Floresta! É com uma inveja saudável que parabenizo vcs pelo excelente trabalho com jovens, articulado com intersetorialidade, com visão ampliada e integrada buscando parceiros onde estiverem pra fazer o melhor!
    um grande abraço
    Naoko

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